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Quatro morrem na madrugada gelada da capital paulista, afirmam movimentos

Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Folhapress
Postado em: 01/07/2021

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Wilson de Sá, FOLHAPRESS


Na madrugada mais fria dos últimos cinco anos na capital paulista, nesta quarta-feira (30), quatro homens foram encontrados mortos. Três deles estavam na praça da Sé e um na baixada do Glicério, ambos na região central, segundo os movimentos nacional e estadual de população em situação de rua de São Paulo.


Questionadas, a prefeitura paulistana e a SSP (Secretaria de Segurança Pública do Estado) não confirmaram se as mortes foram provocadas pelo frio.


Segundo o presidente Movimento Estadual da População em Situação em Rua, Robson Mendonça, a informação sobre as mortes foram passadas por moradores de rua. "Eles se conhecem e quando vieram aqui na sede do movimento, avisaram das mortes", disse.


O coordenador do Movimento Nacional da População de Rua, Darci Costa, disse que dois dos homens aparentavam ter cerca de 40 e 60 anos de idade.


Costa afirmou que, no mesmo período de 2020, oito moradores de rua morreram na cidade e que somente na semana passada foram sete. A explicação para o aumento no número de mortes, segundo ele, é que no ano passado foram doadas muitas barracas e esteiras de isolamento para os moradores de rua. "Mas, neste ano, a prefeitura recolheu várias barracas no verão, e agora no inverno, a conta chega", ressaltou.


O padre Júlio Lancelotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua, disse que pessoas na rua morrem todos os dias, mas no inverno o número aumenta. "Jamais a prefeitura ou a polícia vão admitir que foi frio que provocou estas perdas, mas é o que parece quando alguém dorme numa calçada fria com 5°C de temperatura", ressaltou.


Em nota, a prefeitura, gestão Ricardo Nunes (MDB) disse que não tem como atestar essas mortes, já que é SVO (Serviço de Verificação de Óbitos), da USP, ou o IML (Instituto Médico Legal) determinam a causa. Questionada, a Secretaria da Segurança Pública, do governo estadual, gestão João Doria (PSDB),
não respondeu até a conclusão desta edição.


A cidade de São Paulo teve recorde de frio na madrugada desta quarta-feira (30), com a mínima de 6,3°C registrada por volta das 4h no Mirante de Santana (zona norte), segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia. Foi a menor temperatura desde 12 de junho 2016, quando o termômetro acusou 3,5°C.


Já o GCE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da prefeitura, apontou uma madrugada ainda mais gelada, com temperatura mínima média de 5,7°C. Engenheiro Marsilac (zona sul) teve temperaturas de 1ºC e 0ºC, entre 4h e 7h.


Esta quinta (1º) terá tempo seco com alternância de sol e nuvens. A previsão do Inmet é que a temperatura máxima até suba um pouco na capital durante o dia e atinja 17°C, mas durante a noite e de madrugada, a mínima ficaria em 4°C. Esse frio intenso é fruto de uma massa de ar polar.


A Defensoria Pública afirmou ter encaminhado nesta quarta-feira (30) ofício para os governos estadual e municipal pedindo a adoção de providências voltadas à população em situação de rua por causa da onda de frio intenso.


Entre outros itens, a Defensoria recomenda a ampliação imediata do número de vagas disponíveis para acolhimento, inclusive de crianças e adolescentes, a oferta de abrigos emergenciais, se necessário, em escolas, igrejas, hotéis, salões e demais espaços públicos e privados adequados a essa finalidade, com plantão 24h, a intensificação das abordagens sociais nos locais onde se verifica a presença de população em situação de rua e a suspensão imediata de quaisquer ações de retirada de pertences da população que se encontre na rua.


A prefeitura disse que na madrugada desta quarta, 227 pessoas foram acolhidas, houve 30 recusas e foram distribuídos 200 cobertores. "Desde 30 de abril, foram contabilizados 10.744 acolhimentos, 779 recusas e 9.537 cobertores distribuídos", afirmou, em nota.


"Desde o dia 30 de abril, quando teve início o Plano de Contingência para Situações de Baixa Temperatura de 2021, até ontem [terça], foram feitos 783.771 acolhimentos na rede socioassistencial destinada à população em situação de rua. Especificamente a partir de chamadas à central 156, no período de plantão (noite/madrugada) da Coordenação de Pronto Atendimento Social, houve 10.744 acolhimentos, 779 recusas e 8.687 cobertores distribuídos", afirmou.


Em nota, o governo estadual disse que vai distribuir à população em situação de rua da capital paulista 50 mil cobertores que foram doados pela iniciativa privada.

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