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Meu adeus ao ator Ricardo Devito - veja a coluna de José Simões

Postado em: 17/06/2021

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TEATRO/ SOROCABA – No começo do mês de junho perdemos o jovem ator, professor, produtor teatral Ricardo Devito. Mais uma vida que a COVID arrancou da família, dos amigos e da vida artística da cidade de Sorocaba. Nenhuma morte é mais ou menos importante. Todas são doloridas e somente quem as sente é capaz de avaliar a extensão da perde, da dor e da saudade.

 

Peço, então, licença aos leitores para escrever algumas linhas acerca do Ricardo Devito. Ele foi meu aluno no curso de Teatro da UNISO. Curso que criamos de modo apaixonado em conjunto com as primeiras turmas de alunos e alunas. Descobri com o passar do tempo que não existem ex-alunos. A relação aluno professor e professor aluno se transforma, mas a essência não se altera.

 

Ricardo não era morno. Defendia aquilo que acreditava com sagacidade. Muitas e muitas vezes me enviava mensagens cobrando um posicionamento e não se satisfazia com respostas curtas. Seu modo enfático de defender as propostas poderia soar, a quem não o conhecia, como agressivo ou impositivo. Mas ele não era assim. Gostava de discutir e esclarecer os discursos dúbios ou os posicionamentos contraditórios. Muitas vezes passava do ponto nas discussões. Mas sempre quando percebia este ponto fora da curva pedia desculpas e assumia o erro. Fato raro no meio de tantas e tantas pessoas com discursos “cheios de verdades”. Esta e outras características o tornavam único entre os amigos.

 

Sorocaba perde um ativista da cena. Um obstinado no enfrentamento da burocracia burra do poder público. Como no caso de projetos artísticos (na Linc) que foram considerados inválidos por que não tinham uma declaração de um contador. Como pode um projeto artístico ser impedido de ser avaliado por algo alheio a função central de Lei de Incentivo à Cultura?  Dizia ele. Para os burocratas de plantão sempre há a lógica de quem não entende do objeto. Mas para um artista isso não tinha cabimento. Até porque o contador é algo a posterior a aprovação do projeto. Ele nunca se acovardou nesta e outras lutas.

 

Eu poderia citar outros enfrentamentos, reflexões e temas que ele gostava de discutir.  Paro por aqui.  Me sinto imensamente triste quando um aluno subverte a ordem e se vai antes do professor. Isso porque os jovens têm muito a realizar. Tem sonhos para pôr no papel. Projetos para pôr em pratica e tudo mais. Agora não há mais o "tudo mais".

 

Só silencio. Deixo aqui o meu adeus.

 

Minhas sinceras condolências à família e aos seus amigos e amigas queridos (e de todos os leitores que, também, perderam alguém querido).

 

José Simões é professor e crítico teatral

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