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Votos de Alckmin e de ex-suplente nas prévias do PSDB viram alvo de queixas

Foto: Bruno Santos/Folhapress
Postado em: 15/11/2021

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Carolina Linhares, Folhapress

 

A composição do principal grupo de tucanos que votará nas prévias presidenciais do PSDB abriu uma disputa entre as campanhas dos governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS). Com a eleição interna marcada para o próximo domingo (21), a escolha do nome da sigla ainda está em aberto.

 

O ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio também concorre, mas sem chances de vencer.

 

Ao entrarem na lista de prováveis votantes nas prévias nos últimos dias, o ex-governador Geraldo Alckmin (de saída do PSDB), que deve votar em Leite, e o deputado federal Miguel Haddad (SP), que deve votar em Doria, provocaram reclamações dos adversários.

 

Ambos fazem parte do grupo que tem maior peso na votação indireta das prévias. Representando 25% da pontuação que cada candidato pode obter, esse grupo é formado por cerca de 50 pessoas: deputados federais, senadores, governadores e vices, além dos ex-presidentes do PSDB e do presidente atual, Bruno Araújo.

 

Outros 25% serão dados pelos votos de cerca de mil prefeitos e vices; 12,5% por cerca de 70 deputados estaduais; 12,5% por cerca de 4.300 vereadores e os demais 25% cabem aos filiados de um modo geral.

 

Portanto, pelo peso maior de cada voto, o grupo principal de mandatários, onde Leite atualmente tem vantagem, é especialmente estratégico.

 

Alckmin participa do grupo principal como ex-presidente do PSDB. No sábado (13), ele se cadastrou no aplicativo das prévias do PSDB –etapa necessária para a votação. No partido, a leitura foi de que o gesto indica que o ex-governador deve dar seu voto no dia 21.

 

Atualmente desafeto de Doria, Alckmin decidiu deixar o PSDB depois que o governador paulista impossibilitou sua candidatura ao Governo de São Paulo em 2022. Doria escolheu seu vice, Rodrigo Garcia (PSDB), como sucessor e, para isso, bancou sua migração do DEM para o PSDB.

 

Em São Paulo, os apoiadores de Leite são as ligados a Alckmin. O ex-governador, no entanto, já admitiu que sairá do PSDB e tem conversas com PSD, PSB e União Brasil (partido que nascerá da fusão de PSL com DEM).

 

Aliados de Doria questionam a participação de Alckmin numa decisão sobre o futuro do PSDB, dado que o ex-governador está de saída.

 

"Geraldo Alckmin escolherá seu candidato à presidência no PSDB [em 2022] ou sairá antes das prévias. É isso que orienta a ética na política", disse ao Painel Orlando Morando, prefeito tucano de São Bernardo do Campo e aliado de Doria.

 

Para o entorno de Alckmin, no entanto, o ex-governador, por ter sido um dos fundadores do partido, tem o direito de opinar nas prévias e de sair do partido quando quiser. Apoiadores de Leite contam com o voto de Alckmin dado o cenário apertado da disputa.

 

O ex-governador não respondeu à reportagem.

 

O outro ponto de conflito, que deverá ter deliberação do presidente da sigla nos próximos dias, é o voto de Miguel Haddad na condição de deputado federal. Haddad é suplente, mas assumiu o mandato na Câmara na última quinta (11), no lugar de David Soares (DEM-SP), deputado próximo de Garcia.

 

Nos bastidores, tucanos afirmam que houve um acordo para que Haddad assumisse. A reportagem não conseguiu contato com Soares.

 

Em outubro, as campanhas de Leite e Doria tiveram uma reunião com dirigentes do PSDB para definir as regras de participação dos suplentes. Ficou acertado que somente titulares do mandato, mesmo que fora do exercício, votariam como deputados.

 

Mas os suplentes do PSDB que assumissem a vaga de deputados de outros partidos, caso de Haddad, teriam direito de voto como titulares e não apenas como filiados.

 

Na ocasião da reunião, em 20 de outubro, Haddad não era deputado, mas a campanha de Doria pediu que ele fosse considerado um deputado votante, já que assumiria a cadeira de Guilherme Mussi (PP-SP) nos próximos dias. A campanha de Leite concordou.

 

À época, tucanos afirmaram que havia um acordo costurado com Mussi nesse sentido. Contudo, o deputado do PP acabou não se afastando como previsto e, na quarta (10), o PSDB tirou o nome de Haddad da lista de deputados, colocando-o na condição de filiado na votação.

 

Já no dia seguinte, Haddad assumiu no lugar de Soares e voltou a reivindicar seu voto dentro do colegiado principal dos tucanos. Para a campanha de Leite, houve uma manobra de última hora para que Doria garantisse o voto de mais um deputado federal.

 

O ex-deputado João Almeida (BA), coordenador da campanha de Leite, apresentou uma impugnação, pedindo que Haddad vote apenas como filiado. Caberá a Araújo decidir. Na peça, Almeida afirma que a assunção de Haddad se deu fora dos termos acordados e é "inaceitável". O ex-deputado afirma que, na reunião, os aliados de Doria disseram que Haddad assumiria em breve e porque Mussi, "como era sabido e certo", "se desinteressara do exercício da função parlamentar" –o que não aconteceu.

 

Procurado pela reportagem, Haddad, que assume uma cadeira na Câmara pela terceira vez nesta legislatura, afirmou que de fato pediu para ser considerado no grupo de votantes qualificado, mas disse não saber se poderá votar como deputado ou não. "Não sei quais foram as tratativas nesse sentido. Se estiver irregular, eles têm que entrar com pedido para anular o voto", disse.

 

O deputado também afirmou desconhecer acordos com Mussi ou Soares para que assumisse uma vaga ou os motivos do afastamento do deputado do DEM.

 

O presidente do PSDB de São Paulo, Marco Vinholi, afirmou que não tinha conhecimento do que chamou de "tentativa de diminuir o eleitorado de São Paulo". "Tenho a confiança de que o deputado Miguel Haddad poderá votar [na condição de deputado], assim como todos os outros casos iguais no Brasil. A regra é para todos, não posso acreditar que será diferente com ele. Se confirmada, essa ação já está beirando o desespero eleitoral", disse.

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