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Reta final de prévia tucana tem apoio envergonhado, negociação e pressão

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
Postado em: 14/11/2021

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Carolina Linhares, Folhapress

 

Aliados dos governadores João Doria (PSDB-SP) e Eduardo Leite (PSDB-RS) passaram a monitorar uma série de casos de pressões, negociações e até demissões no momento em que a busca pelo voto de filiados e mandatários tucanos, nas prévias presidenciais do partido, entra em sua última semana.

 

Com a disputa acirrada entre os dois governadores, tucanos que acompanham o processo não arriscam prever quem vencerá a votação marcada para o dia 21 de novembro. Também participa da eleição interna o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio.

 

O caso mais emblemático foi a demissão, pelo prefeito de São Paulo e aliado de Doria, Ricardo Nunes (MDB), do então secretário de Habitação da capital, Orlando Faria (PSDB), logo após este ter declarado voto em Leite. O governador paulista nega a relação.

 

Mas, no estado todo, aliados de Leite afirmam que a pressão parte do argumento de que será possível identificar os votos dos filiados e que haverá divulgação da contagem por cidades. De acordo com organizadores do pleito, o voto é secreto.

 

O receio é que investimentos do governo paulista sejam cortados caso a cidade não entregue votos a Doria.

 

O jornal Folha de S.Paulo identificou quatro casos de prefeitos, vereadores ou servidores que relataram cobranças pelo voto em Doria por meio de demissões de cargos públicos ou retaliações partidárias –mas a maioria pediu que não tivesse os nomes revelados. Há ainda dois casos, já noticiados, de vereadores do interior, apoiadores de Leite, alvos de pedidos de expulsão.

 

Circulou entre tucanos durante a semana o caso do ex-prefeito e atual secretário da cidade de Espírito Santo do Pinhal, João Alborgheti, que é presidente do PSDB local e foi a um evento de apoio a Leite no último dia 6.

 

Segundo relatos, a prefeita da cidade, Cristina Domingues (Podemos), teria sido cobrada a demiti-lo, em uma reunião na Secretaria de Habitação do Governo de São Paulo. Na quinta (11), Alborgheti afirmou que a demissão era um boato.

 

Na noite de sexta (12), Domingues afirmou à reportagem que exonerou Alborgheti, não por causa das prévias, mas a pedido dele, e que isso fora decidido em uma reunião. Mas o próprio secretário, na mesma noite, afirmou não ter sido comunicado da demissão e disse não acreditar que seria retaliado –insistiu que havia só boatos.

 

O secretário da Habitação, Flavio Amary (PSDB), afirmou que não falou com a prefeita sobre esse tema. "Esse modus operandi que por ventura esteja acontecendo acaba sendo um tiro no pé, porque a pressão tem o efeito contrário, ninguém aceita ser coagido", diz Faria à reportagem.

 

O presidente do PSDB-SP, Marco Vinholi, que é secretário da gestão Doria, ao ser questionado, afirmou que a narrativa de perseguição é fantasiosa. "Não há entre os nosso militantes esse tipo de postura em momento algum."

 

"Não há nenhum caso concreto que se possa apontar, são casos de invenções", disse ele a respeito de Faria e outros casos. Em relação a Espírito Santo do Pinhal, afirmou tratar-se de uma questão local, e não do governo estadual.

 

No Rio Grande do Sul, aliados de Doria também afirmam haver receio de perder cargos públicos e pressão de partidários de Leite. De acordo com o prefeito de Vacaria (RS), Amadeu Boeira, que apoia Doria, a campanha de Leite já conseguiu reverter o voto de dois vice-prefeitos, que apoiariam o paulista.

 

Para o ex-dirigente do PSDB de Porto Alegre Rafael Furtado, que apoia Doria, há uma insatisfação dos tucanos gaúchos com as medidas de Leite. "Mas muitas pessoas acabam não declarando o voto em Doria no estado", afirma à reportagem.

 

O presidente do PSDB-RS, deputado federal Lucas Redecker, diz que gaúchos que se posicionaram a favor de Doria "nunca foram pressionados". "O que a gente faz é dialogar com líderes, mostrando a importância de ter um candidato com o perfil de Leite. Não é nenhuma pressão vinda do governo, de secretários do governo, em relação a benefícios para as cidades", completa.

 

Na campanha de Doria, há ainda um esforço por apoios de deputados estaduais pelo país. Para isso, foram escalados o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Carlão Pignatari (PSDB), e o secretário da Casa Civil, Cauê Macris (PSDB).

 

Desde setembro, eles estiveram em Rondônia, Ceará, Paraíba, Sergipe, Piauí e Mato Grosso –Pignatari não compareceu à sessão plenária no dia dessas viagens. Jornais locais registram que as prévias são a pauta dos encontros.

 

Questionados pela reportagem, Pignatari e Macris afirmaram que as viagens não são pagas pela Assembleia de São Paulo nem pelo Governo do Estado, mas não revelaram a fonte de financiamento. O PSDB de São Paulo diz que seus gastos com as prévias serão divulgados apenas em dezembro.

 

Em nota, a assessoria de Pignatari afirmou que as viagens são oficiais e fazem parte das funções do chefe do Poder Legislativo, mas incluem outros compromissos e por isso não foram financiadas pela Casa.

 

Macris aponta ter se licenciado do cargo de 8 a 19 de novembro, período que engloba a ida a Rondônia, mas não aos demais estados. Em nota, a Casa Civil afirma que "quaisquer viagens que não sejam exclusivamente voltadas a assuntos governamentais não são pagas pelo governo".

 

De acordo com deputados federais tucanos, um argumento de Doria para convencer parlamentares é a promessa de que não vai utilizar o fundo eleitoral –assim sobraria mais verba para candidatos ao Legislativo.

 

A questão das pressões em São Paulo, inclusive, foi levantada no debate entre os tucanos realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo na sexta (12).

 

Já a crise de imagem em relação a Leite em parte da legenda foi causada pelo voto de deputados de estados que apoiam o gaúcho a favor da PEC dos Precatórios.

 

"A bancada do PSDB está rachada muito por culpa dos deputados de Minas Gerais e do Rio Grande Sul. O PSDB não pode ser oposição a Bolsonaro se essas duas bancadas comem nas mãos do [presidente da Câmara, Arthur] Lira [PP-AL] e do Bolsonaro", afirma o deputado Alexandre Frota (SP), aliado de Doria.

 

Redecker, do PSDB-RS, afirmou que votar a favor dos precatórios "serve para o futuro presidente da República", não apenas a Bolsonaro.

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