16 de Junho de 2024
Informação e Credibilidade para Sorocaba e Região.

Petrobras diz não ter definição sobre vale-gás prometido por Bolsonaro

Postado em: 03/08/2021

Compartilhe esta notícia:

Nicola Pamplona, FOLHAPRESS


Após o presidente Jair Bolsonaro dizer que a Petrobras tem um plano para reduzir o custo do botijão de gás para a população de baixa renda, a empresa afirmou em nota que "não há definição" quanto a programas do tipo e que qualquer projeto dependeria de aprovação pela área de governança da companhia.


O estatuto da estatal a proíbe de financiar políticas públicas que gerem prejuízo às suas operações. O texto determina que a empresa cobre da União eventuais prejuízos investimentos de interesse público ou com a concessão de subsídios.


Na sexta (30), em entrevista ao Programa do Ratinho, do SBT, Bolsonaro disse que a Petrobras tem "uma reserva de aproximadamente R$ 3 bilhões para atender realmente esses mais necessitados". "Seria um vale-gás, seria o equivalente -no que está sendo estudado até agora- a um bujão de graça a cada dois meses", afirmou.


Desde o início do governo Bolsonaro, o preço do gás de cozinha vendido pela Petrobras acumula alta de 66%, reflexo da desvalorização cambial e de uma mudança na política de preços da estatal, que deixou de subsidiar o produto vendido para envase em botijões de 13 quilos.


Na semana passada, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o botijão custava, em média no país, R$ 92,79. Em alguns locais, a pesquisa da agência encontrou o produto sendo vendido por R$ 130.


A escalada, que atinge de maneira mais forte a população de baixa renda, vem tendo impacto na popularidade do presidente, que isentou o produto de impostos federais, mas sem grande efeitos sobre os preços.


Na nota divulgada no sábado (31), a Petrobras indica que os R$ 3 bilhões citados por Bolsonaro referem-se aos dividendos que a empresa distribuiu ao governo pelos lucros realizados no ano. Ao todo, disse a companhia, foram distribuídos R$ 10,3 bilhões durante o ano.


Mas afirmou que, embora contribua com discussões sobre eventuais programas voltados a famílias vulneráveis, "não há definição quanto à implementação e o montante de participação em eventuais programas".


A Petrobras defendeu ainda que manterá sua política de acompanhamento das cotações internacionais, criticada por sindicatos, partidos de oposição e por caminhoneiros, que sofrem com a disparada do preço do diesel, mas apoiada pelo mercado financeiro e pela área econômica do governo.


"A Petrobras foi rápida em falar que não tinha nenhum estudo pronto e não havia nenhuma conversa nesse sentido. Esse é o ponto principal", comentou Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, afirmando que exemplos recentes mostram que a gestão da empresa põe as premissas financeiras "em primeiro lugar".


"Já tivemos caso de processo de refinaria que não foi para frente pois a proposta não agradou. Vimos também a venda da BR em uma pura demonstração de alocação financeira, mostrando que o foco hoje segue na queda do endividamento", afirmou.


No conselho de administração da companhia, a avaliação é que a blindagem contra interferências políticas estabelecida na gestão Pedro Parente protege a companhia de pressões para oferecer subsídios ou descontos nos preços.


O descontentamento com a elevação dos preços levou Bolsonaro a demitir, em fevereiro, o ex-presidente da Petrobras Roberto Castello Branco, que comandava a estatal desde o início do governo, por indicação do ministro da Economia, Paulo Guedes.


Seu substituto, o general Joaquim Silva e Luna, assumiu sob expectativa de recuo na política de preços, mas até o momento vem seguindo as cotações internacionais, embora com uma frequência de reajustes menor do que a praticada por seus antecessores.


Empresas do setor veem como solução a instituição de um subsídio direcionado à população de baixa renda, nos moldes do vale-gás citado por Bolsonaro, que teria maior impacto social do que o corte dos impostos federais para todos os consumidores.


O tema tem gerado debates no Congresso, diante de notícias sobre o aumento do uso de lenha ou carvão para cozinhar alimentos por dificuldade para adquirir o gás de cozinha em um cenário de desemprego e alimentos também em alta.


Na entrevista ao SBT, Bolsonaro atribuiu os altos preços do gás de cozinha no país à cobrança do ICMS por governadores, à margem de lucro dos vendedores e ao custo do frete. Mesmo discurso adotado quando o assunto é a alta de outros combustíveis, como gasolina e diesel.


A crítica encontra eco entre os revendedores de botijão. "Alguns estados estão exagerando no apetite da arrecadação de ICMS sobre o gás de cozinha!", escreveu em suas redes sociais nesta segunda (2) a Abragás (Associação Brasileira das Entidades de Classe de Gás LP).


Os estados defendem que o valor do ICMS apenas acompanha a alta nas bombas e que a responsabilidade pelos aumentos é da política de preços da Petrobras.

Compartilhe:

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Prefeitura de Sorocaba, Saae e Governo do Estado iniciam nova etapa de ampliação do desassoreamento do Rio Sorocaba

Bolsonaro erra conta, soma -4 mais 5 e diz que PIB vai crescer 9%

Prefeito decreta 21 dias de orações e um de jejum para combater o novo coronavírus

Povo mais antigo do Pantanal perde 83% do território em incêndio

Saiba mais sobre as Feiras-Livres Noturnas em Sorocaba, mais uma das atrações na cidade

Prefeitura de Votorantim não terá expediente na sexta-feira