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Lava Jato critica fala de Bolsonaro e cita ‘forças poderosas’ contra a operação

Jovem Pan News
Postado em: 08/10/2020

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Os membros do Ministério Público Federal (MPF) integrantes da força-tarefa da Lava Jato no Paraná lamentaram nesta quinta-feira, 8, a fala do Presidente da República sobre ter “acabado” com a operação. Em discurso na noite de ontem, Jair Bolsonaro garantiu que não atua pelo fim da Lava Jato, mas que ele “acabou” com a força-tarefa, pois “não existe mais corrupção no governo”. “É uma satisfação dizer para essa imprensa maravilhosa nossa que eu não quero acabar com a Lava Jato, eu acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção nesse governo. Sei que não é virtude, é obrigação”, disse. Para os procuradores, o discurso indica “desconhecimento sobre a atualidade dos trabalhos e a necessidade de sua continuidade e, sobretudo, reforça a percepção sobre a ausência de efetivo comprometimento com o fortalecimento dos mecanismos de combate à corrupção”.

“O apoio da sociedade, fonte primária do poder político, bem como a adesão efetiva e coerente de todos os Poderes da República, é fundamental para que esse esforço continue e tenha êxito. Os procuradores da República designados para atuar no caso reforçam o seu compromisso na busca da promoção de justiça e defesa da coisa pública, papel constitucional do Ministério Público, apesar de forças poderosas em sentido contrário”, destacou em nota. Os membros da força-tarefa ainda apontaram que a operação é “uma ação conjunta de várias instituições de Estado no combate a uma corrupção endêmica e, “conforme demonstram as últimas fases dos trabalhos, ainda se faz essencialmente necessária”.

Operação na Petrobras

Nesta quarta-feira, a Polícia Federal (PF) cumpriu três mandados de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro pela 76ª fase da Operação Lava Jato. As ações buscam aprofundar investigação que apura pagamento de propina e práticas criminosas cometidas na diretoria de Abastecimento da Petrobras, especificamente na Gerência Executiva de Marketing e Comercialização. As apurações sobre casos de propina na estatal tiveram início após a Operação Sem Limites, deflagrada em 2018, na 57ª fase da Operação Lava Jato. Na época, foram cumpridos mandados de prisão, buscas e apreensão contra integrantes da organização criminosa, responsável por crimes envolvendo a negociação de óleos combustíveis e derivados entre a estatal e trading companies estrangeiras. Após as ações, executivos de empresas estrangeiras investigadas celebraram acordos de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF) e delataram que funcionários da Petrobras recebiam vantagens indevidas para favorecer negociações de compra e venda de bunker e diesel marítimo. Além disso, segundo as investigações, os empregados também dividiam os valores de propina com agentes públicos da Gerência Executiva de Marketing e Comercialização.

 

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