Informação e Credibilidade para Sorocaba e Região.

Jovens e mulheres são os mais afetados por depressão e ansiedade na pandemia

Foto: Divulgação
Postado em: 20/09/2021

Compartilhe esta notícia:

Cláudia Collucci, Folhapress

 

Jovens entre 16 e 24 anos e mulheres foram os que tiveram a saúde mental mais afetada durante a pandemia de Covid-19, aponta pesquisa Datafolha. Entre os jovens, 56% relataram sintomas de depressão e ansiedade. Entre as mulheres, 53%.

 

Ao todo, 44% dos 2.055 brasileiros entrevistados nas cinco macrorregiões do país declararam ter enfrentado esses problemas emocionais. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

 

O levantamento faz parte de uma campanha realizada pela Abrata (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos) e Viatris, empresa global de saúde, para o Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio.

 

Há outros indicativos de que o brasileiro está preocupado com a saúde mental. As buscas pelo tema no Google Brasil em 2021 chegaram ao seu maior patamar desde 2006. O tema mais buscado foi ansiedade, seguido de depressão.

 

O Brasil foi o país que mais fez pesquisas por ansiedade em todo mundo desde janeiro de 2021 na plataforma. São Paulo e Rio de Janeiro encabeçaram a lista de cidades que mais buscaram o assunto em todo o planeta, seguidas por Los Angeles, Londres e Chicago.

 

Segundo a psiquiatra Alexandrina Meleiro, membro do conselho científico da Abrata, mesmo com esse cenário apontado pela pesquisa Datafolha e outros estudos sobre o impacto da pandemia na saúde mental das pessoas, não há nenhuma ação dos governos federal, estaduais e municipais para o enfrentamento dessa situação.

 

"Na maioria das unidades de saúde não há atendimento psicológico ou psiquiátrico. As pessoas que procuram esses serviços com sintomas de pânico, de depressão e de ansiedade voltam para casa sem atendimento adequado."

 

Segundo ela, a atenção primária precisa estar mais bem preparada para fazer o primeiro atendimento e encaminhar os casos caracterizados como urgências psiquiátricas para locais que possam atendê-los adequadamente. "Mas o que eu mais ouço é: Fui lá e não me atenderam" ou "Fui lá e me mandaram embora."

 

A pesquisa Datafolha também mostra que a conscientização dos brasileiros sobre o tema depressão ainda é deficiente. Pouco mais da metade dos entrevistados (53%) considera muito importante oferecer suporte a quem esteja passando pela doença, e 10% não souberam agir diante de um conhecido com depressão.

 

Dos que passaram por ansiedade ou depressão durante a pandemia, 62% tinham pessoas com quem contar. Quase todos (96%) concordaram que a rede de apoio favorece a recuperação.

 

Para Alexandrina Meleiro, cuidar da depressão, do transtorno bipolar e do abuso de substância é forma de prevenir o suicídio.

 

"Praticamente todos aqueles que tentam ou cometem esse ato têm alguma doença psiquiátrica. As estatísticas mostram que mais da metade deles estavam em acompanhamento médico até uma semana antes do episódio."

 

Ela afirma que quem pensa em suicídio quase sempre dá sinais, mas a maioria das pessoas não está preparada para identificá-los. Essa é a segunda causa de morte entre jovens de 15 e 29 anos no mundo.

 

Idosos, indígenas, LGBTQIA+, médicos, policiais e membros das Forças Armadas também estão entre os grupos mais vulneráveis ao suicídio no Brasil.

Compartilhe:

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Vacinação contra gripe está disponível à toda população de Mairinque até o dia 24

Éden e Cajuru ganham linha rápida com trajeto exclusivo em avenidas

Sorocaba registra 25.751 casos da Covid-19

Famoso por interpretar 007, Sean Connery morre aos 90 anos

Construtora entrega duas torres do Residencial Cannes

Bolsonaro pediu faca nos dentes contra a esquerda, diz ex-ministro Vélez em livro