20 de Julho de 2024
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Cia de Eros comemora 10 de anos com retrospectiva - veja a coluna de José Simões

Foto: divulgação
Postado em: 15/04/2021

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SÃO ROQUE/ TEATRO - A Cia. de Eros, grupo fundado na cidade de São Roque, sob a direção cênica de Lisa Camargo, completa 10 anos de atividades cênicas.

 

Não é nada fácil manter um grupo teatral ativo durante mais de uma década no interior do estado. Uma vez que os recursos são escassos e as políticas culturais de apoio ou fomento são praticamente inexistentes ou quando existem são pontuais. Por isso é preciso comemorar e muito os dez anos da Cia de Eros, cujas produções tem como um dos objetivos a formação de público para o teatro, no interior do estado.

 

Para comemorar os dez anos de criação da Companhia de Eros, que aconteceu em 2020 e devido a pandemia as comemorações à época foram adiadas, realiza uma retrospectiva com a apresentação dos trabalhos mais representativos da trajetória do grupo, a partir de seis solos que foram realizados por alguns dos atuais integrantes, para uma temporada online, sem cobrança de ingresso pelo https://www.youtube.com/channel/UCEOibonCeLIkB2-mmxUKAeQ

 

Ao compartilhar o seu percurso a Cia Eros faz um importante registro histórico do teatro realizado na região metropolitana.

O projeto  Eros uma vez – uma retrospectiva foi financiado pela Lei Aldir Blanc.

 

PROGRAMAÇÃO

 

DIA 15/04/21 ÀS 20H00

 Chuva Oblíqua

Chuva Oblíqua foi resultado de uma oficina de iniciação teatral ministrada por Lisa Camargo, produtora e diretora do grupo, que impulsionou a criação da Companhia de Eros no ano de 2010 no Centro Cultural Brasital. A poesia é de Fernando Pessoa. Na parte VI do poema aparece o muro do quintal, onde, na infância, o poeta jogava uma bola, ao som de uma música e um maestro imaginário.

“todo o teatro é o meu quintal”

A orientação do solo é de Lisa Camargo, a apresentação do quadro é feita por Amanda Sobral e a atriz desse solo é Daniela Campos que fez parte do elenco original de 2010, quando tinha 14 anos. Atualmente é cenógrafa, aderecista e designer gráfica do grupo.

 

DIA 16/04/21 ÀS 20H00

 Através de Alice

Através de Alice: sono, sonhos, soluços e suspiros, uma produção de 2014 e 2015, Rafaela Ferraz analisava, como falsa crítica de arte, obras dos surrealistas Salvador Dali e René Magritte, revelando ao fim de sua crítica.

“Eu, pessoalmente, não entendo nada”

Rafaela Ferraz integra a Cia. desde 2014 e concluiu em 2020 a graduação em Cinema na área de montagem e contamos com a sua produtora de vídeos (Quitéria Produções) para este projeto, fazendo a ponte entre as ideias teatrais e o alinhamento aos recursos audiovisuais. 
 

Esse núcleo tem orientação de Amanda Sobral e apresentação do solo de Guilherme Veloso.

 

DIA 17/04/21 ÀS 18H30

 Linhas de Fuga

O exercício cênico Linhas de Fuga foi uma leitura política-poética-crítica do hino nacional e participou do Movimento de Ocupação de Escolas Públicas no Instituto Federal de São Roque em 2016.

Neste solo, com apresentação de Daniela Campos e orientação de Amanda Sobral, afirma-se a proposição de uma dramaturgia do ator Guilherme Veloso, uma vez que este foi convocado a reagir ao trabalho original (do qual fez parte), e construir algo novo, respeitando o tema propositivo (desigualdade social), mas colocando novas questões, dúvidas e partilhando descobertas. 

Guilherme Veloso formou-se em Psicologia em 2020, é negro, periférico e gay. Seu amadurecimento colocou Linhas de Fuga numa outra perspectiva.

 

DIA 18/04/21 ÀS 20H00

As Moiras (2016)

O mote temático é do que trata o mito grego (destino, vida e morte) costurada com a história pessoal da atriz Daniela Oncala que criou também o texto. Este núcleo tem orientação de Lisa Camargo e apresentação do solo de Lélis Andrade. Oncala em 2020 completou também, como a companhia, dez anos de formação em Artes Cênicas pela UEL.

 

DIA 19/04/21 ÀS 20H00

OPA!

A adaptação de Opa, mais uma vez! realizada por Lisa Camargo em 2017 é baseada em Peças e Pessoas de Luís Alberto de Abreu. O personagem Panga (contido no original e na adaptação) é um cavalo aposentado, meio esquisito e meio esquecido, herói de outros tempos de guerra.

“Um senhor cavalo! Essa medalha não sei quem me deu, mas ganhei num dia que não lembro, em comemoração à uma coisa que não me recordo, num dia que já esqueci”

 

Em busca de outras respostas para um mesmo jogo, Panga, o cavalo condecorado de memória fraca, se dispõe a investigar a partir das medalhas a sua real função no tabuleiro da vida. Perguntas como “O que ser quando se é negado o ser?” instiga o animal quadrupede a investigar, entre um esquecimento e outro, formas de se libertar de um cabresto e sela imposta ainda ao seu corpo por um sistema social vigente, não somente de sua época. 

 

Esse núcleo teve orientação do diretor sorocabano Flávio Melo, o ator é Lélis Andrade que foi o intérprete criador do cavalo com apresentação do quadro de Rafaela Ferraz. Lélis Andrade colabora com a companhia desde 2011, na preparação corporal do elenco para os espetáculos e em alguns deles também na coodireção.

 

DIA 20/04/21 ÀS 20H00

A BRAVA

Inspirado na história de Joana d’Arc, a peça propõe uma reflexão sobre as consequências de nossas escolhas. A saga da mártir francesa é mostrada de maneira épica e constrói um paralelo com os dias de hoje.

 

A Brava tem também adaptação de Lisa Camargo para o texto original, criação coletiva da Brava Companhia de São Paulo, para o qual a Cia fez uma homenagem.

 

Amanda Sobral teve o desafio de mostrar um pequeno recorte da peça. Na nossa adaptação havia uma alternância igualitária entre as quatro atrizes do espetáculo para o papel de Joana d’Arc.

 

A orientação é de Lélis Andrade e a apresentação do quadro de Daniela Oncala.

 

As gravações foram realizadas separadamente, cumprindo todos os protocolos exigidos pelas autoridades sanitárias. As orientações aconteceram por meio das plataformas Zoom, Meetings e semelhantes.

 

A dramaturgia sonora de todas as cenas é de João Bid, diretor musical do grupo e do músico e ator convidado Felipe Gadaian.

 

As cenas têm duração média de 15 minutos e após cumprir a temporada será disponibilizada na íntegra no canal da Companhia.



José Simões é professor e crítico teatral

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