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Bolsonaro diz a Biden que vai terminar governo de forma democrática quando sair do poder

Foto: Alan Santos/PR
Postado em: 10/06/2022

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Rafael Balago, FOLHAPRESS


Em seu primeiro encontro com Joe Biden desde que o americano chegou ao poder, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL) fez uma defesa da soberania da Amazônia, criticou a política do "fique em casa" para o combate à pandemia e disse que pretende terminar seu governo de modo democrático.


Ele pediu por eleições limpas, confiáveis e auditáveis. "Para que não sobre nenhuma dúvida depois. Tenho certeza que ele será realizado nesse espírito democrático. Cheguei pela democracia e tenho certeza de que quando deixar o governo também será de forma democrática", afirmou.


Os dois presidentes se reuniram pela primeira vez nesta quinta-feira (9), depois de um ano e meio de uma relação distante, em que não houve nem sequer um telefonema entre os líderes de dois dos maiores países das Américas. A reunião começou por volta de 16h (20h em Brasília), em um pavilhão de exposições em Los Angeles, onde se realiza a nona edição da Cúpula das Américas.


Nas palavras iniciais, Biden fez elogios ao Brasil. Disse que o país tem uma democracia vibrante, com instituições eleitorais robustas, que tem feito um bom trabalho para proteger a Amazônia e que pretendia tratar de algumas questões de interesse comum com o brasileiro.


Bolsonaro chamou Biden de "prezado companheiro" ao concluir sua fala. "Em alguns momentos nos afastamos por questões ideológicas, mas com nossa chegada ao governo, nunca tivemos afinidades tão grandes", ressaltou, repetindo posição frequente durante o mandato de Trump.


No encontro, todos das comitivas dos dois países estavam de máscara, exceto os presidentes. Biden e Bolsonaro se sentaram a cerca de dois metros de distância. Eles se olharam pouco enquanto falavam.

 

Bolsonaro discursou por mais tempo do que Biden e buscou justificar suas posições, como a postura adotada no conflito com a Rússia. Eles não responderam a perguntas. Em seguida, a conversa seguiu a portas fechadas.


Os líderes foram acompanhados por outras autoridades. Do lado brasileiro, a lista incluía o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o chanceler Carlos França, os ministros da Justiça, da Saúde e do Meio Ambiente, o embaixador nos EUA, Nestor Forster, e o secretário de Assuntos Estratégicos, João Alfredo Júnior.


Do lado americano, estiveram o secretário de Estado, Antony Blinken, o conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, o secretário-assistente para o Hemisfério Ocidental, Brian Nichols, o diretor de Departamento Ocidental do NSC (Conselho de Segurança Nacional), Juan González, a diretora de segurança de fronteiras do NSC, Katie Tobin, e a diretora do NSC para assuntos caribenhos, Nada Brown.


Antes do encontro, Bolsonaro disse a jornalistas que estava tranquilo e que pretendia usar a reunião para fortalecer a relação com o governo americano. Segundo ele, sua proximidade com o ex-presidente Donald Trump ficou para trás. "Não vim aqui tratar desse assunto. Já é um passado. Vocês sabem que eu tive um excelente relacionamento com o presidente Trump. O presidente agora é Joe Biden, é com ele que eu converso, ele é o presidente e não se discute mais esse assunto", afirmou Bolsonaro, na saída do hotel.


"Precisamos aprofundar nosso relacionamento, sempre tive enorme consideração pelo povo americano, temos valores em comum, como democracia e liberdade, e será um bom encontro com o presidente Biden". disse.


Bolsonaro defendeu Trump, derrotado por Biden nas eleições de 2020. Na época, o líder brasileiro declarou apoio ao republicano e, depois da votação, chegou a colocar em dúvida a vitória de Biden, ecoando o discurso fantasioso de que o pleito teria sido fraudado -ele fez isso na própria terça (7), antes de viajar aos EUA. "Quem diz [sobre fraude] é o povo americano. Eu não vou entrar em detalhe na soberania de um outro país. Agora, o Trump estava muito bem, e muita coisa chegou para a gente que a gente fica com o pé atrás. A gente não quer que aconteça isso no Brasil", afirmou, em entrevista ao SBT.


Nesta quinta, questionado pelos jornalistas em frente ao hotel sobre a expectativa de obter novos recursos para a Amazônia, Bolsonaro ponderou que a questão é se as promessas serão de fato cumpridas e fez críticas a entidades ambientais. "Tem que ficar preocupado com dinheiro usado por ONGs. Tínhamos no Brasil ONGs que pegavam dinheiro do governo e davam para o MST. Cortei isso aí", disse, sem apresentar evidências.


Biden aceitou se reunir com Bolsonaro como forma de convencê-lo a viajar para a Cúpula das Américas, evento que corria risco de ficar esvaziado. Oito chefes de Estado do continente decidiram boicotar o principal encontro de líderes do continente, em resposta à decisão dos EUA de não convidar os regimes de Cuba, Nicarágua e Venezuela, ditaduras tidas como párias por Washington.


Na abertura oficial do evento, nesta quarta, Biden ressaltou a importância de defender a democracia e os direitos humanos. "Em um momento em que a democracia está sob ataque no mundo todo, vamos nos unir de novo e renovar nossa convicção de que a democracia não é só o fator definidor da história americana, é um ingrediente essencial do futuro das Américas", discursou.


Bolsonaro desembarcou em Los Angeles na manhã desta quinta (9). Ao chegar ao hotel, cumprimentou um pequeno grupo de apoiadoras, chamado Vovós Poderosas de Las Vegas, que viajaram para conhecê-lo. Horas mais tarde, conversou com elas por cerca de meia hora, no saguão do hotel.


"Rezamos todos os dias para que o presidente possa dar conta de seus desafios. Torcemos muito por ele", disse Suzana Fortes, 66, uma das integrantes do grupo e há 35 anos nos EUA.


Na noite desta quinta, Biden oferecerá um jantar aos líderes estrangeiros que vieram para a cúpula. Bolsonaro deve discursar em uma das sessões plenárias na sexta (10). O presidente brasileiro fica em Los Angeles até sexta. Em seguida, viaja para Orlando, onde inaugurará um vice-consulado do Brasil na cidade e terá encontros com apoiadores.

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