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Ato de amor: enfermeiro lê cartas escritas por familiares a pacientes internados com covid-19

Foto: reprodução
Postado em: 11/02/2021

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Por Alana Damasceno


Saudade que não tem fim, preocupação que aperta o peito e o desejo de que a pessoa amada se recupere e volte para os braços da família são alguns dos sentimentos pelos quais passam, todos os dias, diversos sorocabanos que têm parentes internados pela covid-19. 

A falta de comunicação de quem está ali no hospital, todos os dias, ansioso para falar com seu parente internado, é angustiante. Entretanto, um gesto de empatia e generosidade de um enfermeiro que atua no Hospital Evangélico, localizado em Sorocaba, tem sido destaque por trazer um pouco de paz a quem tanto aguarda "do lado de fora". Emerson Manuel, técnico enfermagem e estudante de fisioterapia, tomou a iniciativa de encaminhar cartas escritas por familiares ao seus pacientes que se encontram internados. O profissional lê as mensagens, mantendo assim, o contato de quem se ama. São textos redigidos por filhos (a), netos (a), mães, pais, avós, amigos (a), e tantos outros que vão diariamente à unidade de saúde acompanhar o processo de internação de seu ente querido. 

Manuel faz o serviço de leitura diariamente, enquanto está em seu turno de plantão. O número de cartas já recitadas é desconhecido, mas ele sabe que centenas foram lidas aos mais variados internados. Uma dessas correspondências foi escrita por Vanessa Bacelli, que estava com o pai internado desde o dia 29 de dezembro. "Acho um gesto maravilhoso. Acredito que muda o estado de saúde dele, positivo acima de tudo. Os parentes com união, força, oração, a pessoa ouvindo, mesmo estando sedada, está recebendo positividade, orações, acredito nessa energia positiva. A saúde do meu pai é o mais importante, o restabelecimento de todas as pessoas", conta ela. Seu pai infelizmente não resistiu à doença.


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O enfermeiro conta que tomou a iniciativa quando percebeu a angústia dos parentes dos pacientes, que ficam longe dos internados, por devida precaução para que também não sejam contagiados pela covid-19. "Como eu vi a visita que fica do lado de fora, pessoas orando, gritando, querendo que seu ente querido [paciente] os ouvisse. E eu me prontifiquei a fazer isso. Para minha surpresa, quando me ofereci, no outro dia todas as pessoas trouxeram as cartas". Apesar da tarefa cheia de empatia, Manuel fala que também, muitas vezes, não consegue conter a emoção durante as leituras. "No começo não foi fácil, lemos histórias de muitas famílias sofrendo. Mas é gratificante por ajudá-las", relata.


Manuel fala que lê muitas cartas para pacientes intubados e estes podem sim entender o que se passa. "Nós abordamos o paciente com muita educação e ética. Cada carta tem uma resposta positiva. Alguns dos pacientes, inclusive, dizem se lembrar de alguns ocorridos". O profissional relembra que, quando alguns  foram desintubados, relataram relembrar de alguns trechos dos textos lidos das correspondências. "Eles me agradeceram por ter levado esse momento de conforto", revela. 

Segundo o enfermeiro, "é uma alegria e um alívio" ajudar os parentes. "Você percebe o alívio nos olhares, no semblante. De apenas encaminhar um ´oi´, um ´abraço´". Em apenas um dia, para um paciente, Ele chegou a ler 16 cartas. "Consegui ler, aos poucos, mas li tudo". Neste caso, era uma esposa se comunicando com o marido. 

"Há filhas falando aos pais que estão com saudades, esposas com saudades do marido, dizendo que não há sentido na vida sem eles, são frases que nos marcam bastante", conta emocionado. 


Com o projeto em destaque, o volume de cartas tem aumentado, mas Manuel não desiste de sua generosidade ao enfatizar a emoção de ajudar. Ainda, ele dá a dica para que profissionais de outros hospitais também pratiquem o ato de empatia. "Seria algo muito positivo. Quantas cartas seriam lidas para os pacientes?".


Trabalho psicológico para profissionais da saúde


Para Thaís Muniz, gerente de enfermagem do Hospital Evangélico, trabalhar o psicológico dos profissionais de saúde é de extrema importância, principalmente quando o assunto é relacionado à pandemia. "No final de março [de 2020], quando os primeiros casos chegaram na unidades, começamos a realizar treinamento com a equipe e principalmente a trabalhar com o psicológico de nossa equipe da linha de frente. Para mim como gestora foi uma das coisas mais difíceis, pois o medo tomava conta de todos", relata ela. 


"Nossas equipes morriam de medo de transmitir o vírus para seus familiares. Tivemos e ainda temos muitas pessoas que ficaram internadas, a diferença hoje é que os casos estão, graças a Deus, vindo menos agressivos", diz aliviada. Thais relembra que, no começo, as pessoas demoravam para procurar ajuda devido ao medo e, quando chegavam, já estavam em estado mais avançado da covid-19. "Hoje percebemos que as pessoas chegam no início dos sintomas, isso é muito bom, pois conseguimos ter um desfecho clínico muito melhor", explica.


Com o início da imunização, a gerente de enfermagem crê que dias melhores irão surgir. "A minha visão como futuro é que [a pandemia] vai passar e agora falta muito pouco com a chegada da vacina. Acredito sim que aí teremos longos seis meses pela frente até todos serem vacinados. Conhecemos os sinais e sintomas do covid, isso é muito bom, pois já podemos agir muito mais rápido".

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