Não se pode tratar cirurgias e procedimentos estéticos como algo banal, alerta cirurgião plástico

Como foi visto em diversos casos que foram destaques na mídia nacional recentemente, uma cirurgia plástica mal realizada pode trazer sérios riscos à saúde, inclusive a morte. Desde a escolha do profissional, passando pelo lugar da realização do procedimento, chegando ao valor a ser pago e, até mesmo, o estado emocional e psicológico de um paciente podem comprometer o resultado.

“A cirurgia plástica, quando bem indicada e realizada, melhora a autoestima; devendo, no entanto, ser postergada ou contraindicada para pacientes com quadros clínicos de depressão ou com distúrbios psicológicos agudos”, explica o cirurgião plástico Arthur Barros, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, American Society of Plastic Surgery e da International Society of Plastic Surgery.

Ele ainda completa. “O paciente deve levar em conta, em primeiro lugar, a escolha de um profissional que deve ser membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Ele também deve, inclusive, ir à procura de recomendações de pacientes que tenham passado por cirurgias plásticas com este profissional”.

Cirurgias plásticas não são procedimentos baratos, sendo assim, diante de um valor bem abaixo do mercado, o interessado deve desconfiar. Além disso, elas só podem ser realizadas em ambientes adequados, com material esterilizado e com toda a estrutura necessária para atendimentos de emergência, de acordo com as normas da Vigilância Sanitária, para a segurança do próprio paciente.

“Os pacientes que se arriscam nesses tratamentos em salões de beleza e até mesmo em residências, não imaginam as possíveis complicações a que estão sujeitos, como: infecções, embolias, necrose de pele e distorções estéticas. Muitas vezes, essas sequelas são irreversíveis”, ressalta o especialista. Arthur acredita, ainda, que o fato de, na maioria das vezes, as reações adversas não serem imediatas, exceto a embolia, dá ao paciente uma falsa impressão de segurança nos produtos proibidos.

Os produtos não recomendados, mencionados pelo Dr. Arthur são o silicone industrial e o polimetilmetacrilato, mais conhecido como PMMA. “O silicone é contraindicado  e proibido seu uso pela ocorrência de migração gravitacional desse material para outras regiões do corpo, causando com deformidades e reações inflamatória; já o PMMA só é autorizado pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) quando utilizado em pequenas quantidades e em pequenas áreas, preferencialmente em pacientes portadores de HIV positivo, porque eles não apresentam um grande risco de reações de corpo estranho. Nos pacientes saudáveis, existe um risco aumentado de reações a médio e longo prazo”.

Segundo o cirurgião, o maior problema de casos de procedimentos estéticos que não deram certo, são pessoas não capacitadas que se julgam aptas a realizar procedimentos que precisam de anos de estudos e dedicação profissional.  “Como tudo na vida, preços muito discrepantes e muito baixos, na maioria das vezes, é praticado por não especialistas em cirurgia plástica, que fazem curso de final de semana e se proclamam profissionais da área estética sem ter formação.

Para se ter ideia, um cirurgião plástico estuda por seis anos em uma faculdade de medicina, além de ter mais dois anos de residência em cirurgia geral e, posteriormente, se especializar por mais três anos. Ou seja, é uma vida estudando para cuidar de pessoas que se sentem infelizes com sua própria aparência. Não se pode tratar isso como algo banal, pois colocará em risco a vida das pessoas e sua integridade física”.

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