Dia do Advogado: qual o papel do profissional na sociedade atual?

No próximo sábado, 11 de agosto, é comemorado o Dia do Advogado. A data remete à criação dos dois primeiros cursos de Direito no Brasil, um da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), em São Paulo e o outro, da Faculdade de Direito de Olinda, em Pernambuco, criados em 1827, pelo imperador Dom Pedro I.

Passados quase dois séculos, muita coisa mudou no país. No entanto, a figura do advogado na sociedade permanece indispensável e cada vez mais presente, como comenta Dr. Márcio Leme, advogado, sócio do escritório Leme e Zuccari, palestrante e professor de Direito. “Ainda há um preconceito sobre a imagem do advogado. Muitas pessoas ainda não valorizam o profissional, até mesmo questionando valor de honorários, deixando de lado a importante missão de defender e proteger o cidadão. A sociedade deve entender que o profissional está lá justamente para garantir que os direitos coletivos e individuais sejam preservados durante um processo judicial, contribuindo positivamente com a sociedade”, afirma.

O advogado comenta sobre os desafios da profissão no mundo contemporâneo, em que as pessoas desejam pela imediata resolução dos conflitos. “Vivemos, hoje, um cenário em que, a cada dia, mais direitos são subtraídos das pessoas. Existe uma ânsia social por justiça rápida, por vingança, cujo cenário pode acarretar injustiças graves, afinal, no atropelo, direitos são subtraídos. Podemos usar como exemplo os diversos casos de figuras públicas que são condenadas e, após recorrer a instâncias superiores, têm as condenações revertidas, processos anulados.

A sociedade muitas vezes rebela-se bradando que ‘só os ricos conseguem decisões favoráveis’, no entanto, ao analisar os processos judiciais se constata que lá no início, nas primeiras fases, houve uma escuta telefônica sem autorização judicial, ou sem fundamento legal que a permitisse ou, ainda, uma pergunta à testemunha que foi indeferida indevidamente pelo juiz. Esses fatos comprometem as provas e todo o processo, justificando sua anulação, independentemente da culpa, intenção ou condição social da parte processada. O que muda é que quando as partes são pessoas públicas ou autoridades, as decisões são divulgadas pela imprensa. Em muitas dessas situações direcionam-se críticas a figura do advogado pela falta de compreensão, porém, ele está lá para garantir que direitos não sejam violados, que tudo seja feito na forma legal”, explica Dr. Márcio Leme.

O professor de Direito e palestrante defende o resgate do conceito fundamental da advocacia, como aquele profissional indispensável na defesa da garantia dos direitos do cidadão. “É preciso que a sociedade compreenda o papel do advogado na defesa das injustiças. Durante um julgamento, ele deve garantir o amparo pleno da parte, que não é capaz de se defender tecnicamente em juízo. O advogado é que traz o equilíbrio ao processo”, pontua.

 

Atuante no ramo há quinze anos, Dr. Márcio Leme enxerga no Direito uma opção promissora de carreira profissional, especialmente diante das novas realidades sociais, e do emprego da inteligência artificial e conta sobre sua história de ascensão profissional. “Minha história não começou no Direito. Cheguei a Sorocaba aos 12 anos, vindo de Avaré (SP) e tive meu primeiro emprego como atendente de lanchonete numa famosa rede.

Também vendi calçados e fui metalúrgico. Aliás, foi nessa empresa metalúrgica que eu tive a oportunidade de adentrar no ramo do Direito. Já cursando faculdade, graças ao Fies, passei a atuar no setor administrativo da empresa. Fui galgando cargos e atualmente sou responsável pelo Departamentos Jurídico da companhia que me abriu portas na metalurgia, além de trabalhar como professor de Direito há quase dez anos, dar palestras, ser sócio no escritório Leme e Zuccari Sociedade de Advogados e ter sido vice-presidente da OAB-Sorocaba.

Acredito que essa trajetória, de certa forma, sirva como incentivo para quem quer seguir carreira como advogado. Nos dias de hoje, o profissional é muito requisitado, seja para atuar diretamente em processos ou, então, em Departamentos Jurídicos de empresas, além de ter a possibilidade de trabalhar em consultorias. Enfim, são muitas as possibilidades”, conclui.

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