Sob pressão, Corinthians é derrotado por Ponte Preta e vê ameaça

Foto: Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

Eduard Geraque, FOLHAPRESS

A Ponte Preta, e a pressão, eram os adversários do Corinthians no Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, neste domingo (29). O Corinthians perdeu para os dois.

Com a derrota, que estabeleceu a quarta partida seguida sem vitórias pelo Campeonato Brasileiro, o líder do campeonato terá de lidar com a provável aproximação do Palmeiras. E mais pressão.

Se o time alviverde vencer nesta segunda-feira (30), em casa, o Cruzeiro, chegará ao clássico em Itaquera apenas três pontos atrás do rival.

O jogo será disputado no próximo domingo, às 17h.

A partida em Campinas, que terminou 1 a 0 para a Ponte Preta, com gol de Lucca aos 39 minutos do primeiro tempo, vai servir para o técnico Fabio Carille tirar algumas conclusões.

A primeira delas é que aquele time considerado ideal, com os onze jogadores que começaram atuando, não é mais tão definitivo assim.

Os onze que iniciaram a partida (Cássio, Fágner, Pablo, Balbuena e Arana; Gabriel e Maycon; Rodriguinho, Jadson, Romero e Jô) haviam jogado doze vezes na temporada, antes do jogo deste domingo. Esta formação havia conseguido sete vitórias e cinco empates até então.

Desde 1982, segundo o historiador do clube, Celso Unzelte, o time titular do Corinthians não era tão repetido em um mesmo ano.

No segundo tempo, a entrada de Clayson no lugar de Romero mais uma vez mudou o jeito de o Corinthians jogar.

A equipe passou a ser mais ofensiva. Mesmo assim, os responsáveis pela criação do time pouco puseram os atacantes em condições de gol. A bola não chegou até Jô.

As finalizações do time ocorreram mais por jogadas laterais ou erros de saída de bola da Ponte Preta.

O goleiro Aranha, nos minutos finais, fez três importantes defesas que garantiram o resultado positivo para o time da casa.

Segundo Carille, a equipe jogou melhor no segundo tempo, principalmente após a entrada de Clayson.

“Como viramos atrás do placar, nossa intenção era ter um time mais ofensivo, e isso funcionou. Finalizamos bastante e acertamos o gol”, afirmou o treinador do Corinthians depois do duelo.

O Corinthians desferiu apenas 16 finalizações em toda a partida. Um total de cinco no primeiro tempo e onze no segundo. Metade no gol e metade para fora.

Defesa em xeque

Outro problema que Carille terá que resolver na próxima semana, para que o Corinthians possa continuar na ponta do campeonato, é o sistema defensivo. Os laterais e zagueiros corintianos mais uma vez tomaram um gol de bola área.

O da Ponte, de cabeça, foi o 12º que a equipe sofreu em cruzamentos de um total de 21. Na semana antes do jogo em Campinas, Carille teve um cuidado especial com as bolas aéreas durante os treinamentos. Ainda assim, acabou não resolvendo.

A derrota, assim como a maioria das vezes neste campeonato, ocorreu em um jogo em que o time do Corinthians teve mais posse de bola.

Segundo o serviço de estatística Footstats, os comandados por Carille ficaram 59% do tempo com a bola.

A equipe alvinegra ainda abusou dos cruzamentos errados. Foram 25 no total, e apenas quatro corretos.

Novamente Campinas se provou um território hostil para a esquadra paulistana –embora tenha conquistado o título de campeão paulista da temporada na cidade.

Até hoje, pela competição nacional, foram 15 duelos entre Ponte Preta e Corinthians. O visitante venceu apenas duas vezes, em 1998 e 2005.
Apesar da maré desfavorável, Carille fez questão de entoar um discurso positivo.

“O Corinthians merece ser campeão. Quem está lá na frente? Não existem primeiro ou segundo turno, são 38 jogos. Quem for melhor nos 38 jogos é o campeão brasileiro”, disse o técnico sobre a desconfiança atual.
O ambiente no elenco, porém, já dá sinais de tensão.

Clayson ficou insatisfeito após não ter a chance de bater uma falta sofrida por ele e disparou palavrões contra Jadson, que o vetou por ser o batedor oficial do time.

PONTE PRETA: Aranha; Nino Paraíba, Yago, Rodrigo e Jeferson; Fernando Bob; Lucca (Saraiva), Elton, Wendel (Naldo) e Danilo Barcelos; Emerson Sheik.

T.: Eduardo Baptista

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Balbuena, Pablo e Guilherne Arana; Gabriel (Clayson) e Maycon (Kazim); Jadson, Rodriguinho e Romero (Pedrinho); Jô.

T.: Fábio Carille

Árbitro: Marcelo Aparecido de Souza (SP)
Assistentes: Anderson de Moraes Coelho e Bruno Salgado Rizo (ambos de SP)

Público/Renda: 12.328 pagantes; 13.121 total/R$ 119.620,00
Cartões amarelos: Fernando Bob, Emerson Sheik, Danilo Barcellos e Naldo (PON); Clayson (PON)

Gols: Lucca (PON), aos 39 minutos do primeiro tempo.