Nos meses de julho e agosto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) regulamentou a criação de uma categoria de suplementos alimentares no Brasil, que eram, até então, comercializados e distribuídos como produtos alimentícios para atletas. Diante das novas regras de qualidade, composição, rotulagem e segurança, as empresas já existentes no mercado terão até 2023 para se adequar às normas.

Segundo a Anvisa, a mudança tem o intuito de melhorar o acesso dos consumidores aos produtos de qualidade e facilitar o entendimento quanto a informações que atualmente não possuem um padrão, além de fortalecer a fiscalização da categoria especialmente no âmbito de alegações sem comprovação científica.

A nutróloga Patrícia Savoi afirma que a mudança é fruto da maior preocupação da população com a sua saúde e que os benefícios dela incluem a redução das informações erradas e a maior segurança em relação aos produtos. “Estamos cada vez mais discutindo a alimentação e cuidando da nossa saúde, então temos uma maior busca por essas informações e um grande aumento do uso de suplementos por parte dos que se preocupam com seu bem-estar. Se tratando dos suplementos, a oferta é grande, mas as informações nutricionais nos rótulos das embalagens geralmente são imprecisas ou não são claras e é por isso que a Anvisa decidiu regulamentar o setor”, afirma a nutróloga.

Patrícia também comenta a ideia de que suplementos alimentares são indicados somente para aqueles que fazem musculação. “Na verdade, temos que ter em mente que os suplementos são compostos por outros nutrientes e não somente por proteína, pois essa sim é muito relacionada aos praticantes da musculação, porém sua utilidade vai muito além disso e não deve ser temida. Proteínas podem ser utilizadas por pacientes que passam por grandes cirurgias, como a bariátrica, pacientes desnutridos, idosos, entre outros”, garante a especialista.

Perante às novas regras, algumas empresas já estão dando início a regularização de produtos e embalagens, como é o exemplo da Wcup, empresa originária da Bélgica que tem sede em Porto Feliz/SP. O responsável técnico pela empresa, José Roberto Gomes Pinto comenta sobre essa nova fase do ramo de suplementos alimentares e faz comparações ao cenário na Bélgica em relação ao Brasil.

“A legislação brasileira é bastante conservadora, se comparada com a dos EUA e Europa, por isso a Wcup Brasil não comercializa alguns itens que fazem parte da linha da Wcup Bélgica, porém acreditamos que agora, com uma legislação especifica para suplementos nutricionais, poderemos apresentar e solicitar autorização para comercialização de vários produtos”, afirma José Roberto, que também comenta sobre os ajustes a serem feitos. “Estamos estudando o regulamento pois foi concedido as empresas que se adequem a legislação em até 60 meses, mas como já possuímos a comprovação de eficácia do produto e segurança das substâncias utilizadas esperamos que em três meses nossa situação esteja regularizada”, finaliza o responsável técnico.