Por Celso ‘Marvadão’ Ribeiro

Mãe é uma só? Sim e não. Mãe é também a vó, a bisavó, nona, tia, madrinha e a sogra, por que não?

Toda mulher que se desdobra para cuidar de alguém, que coloca nos seus atos a essência feminina com um toque maternal, mãe é! Até a vizinha que trata nossos filhos como seus. Ou a amiga querida que se preocupa com a gente. E a secretária que bota você na linha, chama a atenção para os compromissos do dia, organiza a sua agenda de empresário, hem?

E o que dizer da velha empregada? Sabe tanto da casa e das coisas da família para a qual trabalha, que muitas vezes conhece mais os filhos do que a própria patroa…

Ou você duvida que as irmãs de caridade, as enfermeiras, as atendentes de hospital, as voluntárias das entidades assistenciais também não sejam mães de muitos? Mulheres que adotam, ainda que por algum tempo, a missão de cuidar do próximo.

E, de repente, no meio da sala de aula, um menino distraído chama a professora de “mãe”. A classe ri do lapso, do ato falho, mas aconteceu uma transferência. Ao cuidar dos pintinhos de uniforme, as professoras e crecheiras viram mães coletivas.

Na natureza existem casos lindos de maternidade de ocasião: a porca que dá de mamar para os cachorrinhos órfãos, ou a tica-tica que choca os ovos do aproveitar chopim e cuida dos filhotes de outra cor como se fossem seus. Bela metáfora real para quem adota uma criança.

E a mulher anônima, que faz doação do que tem em excesso para o Banco de Leite, não etá sendo sensivelmente mãe de todos?

A babá e a babysitter acabam tratando os “pentelhinhos” com tanta atenção, que até roubam um pouco o privilégio da mãe verdadeira. No mundo moderno, há até o perigo de o aparelho de televisão ligado na sala virar uma espécie de “mãe eletrônica”. Epa!

O motorista, longe de casa, vagando pelas estradas, enxerga o que sonha, olha a traseira do caminhão e lê; “Mãe, tenha distância”…

E existe aquele pai que faz as vezes da mãe e que pode ser chamado de “pãe”. Você deve conhecer algum.

A filha é mãe da boneca, mas de repente trata o pápi com tanto carinho e atenção, que se torna um pouco mãe dele. E quer coisa mais linda do que isto? O casal, depois de longos anos de convívio, muda a forma de tratamento, a mulher passar a chamar o marido de “filho”, ele a trata como “filha” ou até “mãe”.

Para o ET, o dedo energizado é o cordão umbilical cósmico que o prende à nave-mãe.

… Mãe é também uma foto no álbum, uma imagem ainda viva no vídeo da família, um nome eterno que voltou para a mãe natureza, gravado na placa do cemitério.

Para quem já não tem mais, a saudade também é mãe. Única.

(Crônica publicada no livro Sorocaba Bem Te Vi, em 2003)

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