Por Celso ‘Marvadão’ Ribeiro

Amados irmãos. O joio é joia!

Chega de tanta perseguição e de associação a tudo o que não presta.

Chega de ser um cereal amaldiçoado desde os tempos bíblicos.

“Separar o joio do trigo”, só isso que sabem dizer!

Ninguém parece interessado em descobrir algo de bom nessa gramínea irmã do trigo e muito parecida com ele.

A má fama do joio vem de longe. Seu outro nome – “cizânia” – virou sinônimo de discórdia.

Na antiguidade, quem tinha ódio do vizinho semeava cizânia na plantação de trigo. Aí, na hora de moer os grãos, a mistura envenenava a farinha e o pão.

Por certo, farinha de joio com farinha de trigo não comungam entre si. E separadas?

Como o que dá para rir, dá para chorar e o que dá para criticar, dá para defender, vou fazer o papel de “advogado do diabo”.

O trigo e o joio são plantinhas criadas por Deus, como tantas outras. São dádivas da natureza. O joio é desprezado, mas é impossível que não haja nele alguma coisa de aproveitável.

Por exemplo, o joio, cortado ainda verde, é bom para preparar feno ou forragem para alimentação de animais no campo. Decomposto na terra, é adubo natural. Além disso, é uma planta altiva e resistente.

No mais, em pequenas doses, sua farinha não faz mal, como tantos venenos que viram remédio, quando usados na dosagem certa.

Cada um na sua cumprindo sua missão, seu caminho, sem se misturarem.

Vamos lançar o movimento de recuperação da imagem do joio. Chega de tanta cizânia!

Uma campanha para homens de boa vontade.

Nenhuma coisa é completamente boa, nem completamente má..

Chega de preconceito e discriminação.

Os excluídos e os vulneráveis são joio ou também são trigo?

(Algum padre ou pastor se dispõe a fazer uma releitura da parábola do joio e do trigo no sermão para seus fiéis?)