Com aceno a Skaf, França diz que SP não é tucano e nem o Brasil petista

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Gabriela Sá de Pessoa, FOLHAPRESS

Márcio França (PSB) escolheu estrear seus compromissos públicos no segundo turno da eleição para o governo de São Paulo com um almoço no bandejão dos funcionários do Palácio dos Bandeirantes, na tarde desta segunda-feira (8). Estava acompanhado pela esposa, Lúcia França, e pelo neto, Enzo, além de aliados políticos, como o coordenador de campanha, Jonas Donizette (prefeito de Campinas), e do secretário de Habitação, Paulo Matheus.

Antes de se servir, disse a jornalistas que, no segundo turno, o eleitor avaliará o caráter dos candidatos. E é nesse sentido que parece querer reforçar a intenção de se apresentar ao eleitor como um homem simples, diferente do adversário João Doria (PSDB), empresário e apresentador de TV.

“As pessoas enxergam a simplicidade no meu jeito, têm afinidade muito mais que com o Doria”, afirmou França, para quem a disputa nada terá a ver com ideologia: “As pessoas sabem da minha identificação política”.

Ideologias à parte -o PSB é um partido tradicionalmente de centro-esquerda e França, defensor do serviço público ante privatizações-, o governador quer que seu partido se mantenha neutro na disputa presidencial, sem declarar apoio a Jair Bolsonaro (PSL) ou Fernando Haddad (PT). Os pessebistas já publicaram resolução em que defendem o não voto em Bolsonaro e França disse, no domingo (7), que não apoiaria o capitão reformado, que contará com o palanque de João Doria no estado.

Caso o partido opte por se posicionar em reunião na terça-feira (9), França afirmou que já se descolou do diretório nacional em outros momentos. E mandou um recado: a reeleição em São Paulo deveria ser prioritária para o PSB.

“Vou tentar fazer de tudo pra que a gente possa encontrar alternativa de sobrevivência. Nossas posições vão nortear o país”, afirmou, pregando a conciliação em meio à polarização da política nacional.

Em seu próprio caso, espera encontrar conciliação e apoio de Paulo Skaf (MDB), que ultrapassou no primeiro turno por apenas 89 mil votos, em uma eleição apertada.

“Tenho muito mais amizade com o Skaf, eu que o filiei a primeira vez [ao PSB] para ser candidato a governador”, disse.

Do PT, afirmou que não rejeita nem espera apoio, discutido internamente, mesmo antes da eleição, pela bancada petista na Assembleia Legislativa.

Afirmou que não contou com o partido em eleições passadas em São Vicente, que administrou por dois mandatos e elegeu o sucessor. E também não viu sinais de aliança durante a campanha.

“Podiam ter feito gestos comigo nos debates [de TV], não fizeram. O Marinho [candidato do PT] foi crítico, duro”, afirmou.

França também disse que prometeu à vice, a coronel da PM Eliane Nikoluk (PR), que não faria nenhum gesto de apoio ao PT na eleição e afirmou que cumprirá sua palavra. Nikoluk já afirmou ter preferência por Bolsonaro.

Doria começou a campanha pelo segundo turno com ataques a França, dizendo que ele era um genérico de Lula e de Haddad e que aparecia na Lava Jato como Márcio Paris.

Questionado sobre as declarações, França disse: “Nada do que o Doria fala eu acredito. Ele teve a chance de falar a verdade e ele mentiu para o povo de São Paulo”.

França disse que, contra ele, Doria terá a pior derrota política de sua história e disse que o resultado do primeiro turno sinaliza um cansaço dos paulistas dos 24 anos de administração do PSDB -mesmo tendo feito parte oficialmente dos últimos quatro, como vice de Geraldo Alckmin (PSDB).

“O PT e PSDB viraram duas faces de uma só moeda. Acham que hegemonicamente o estado de SP era tucano e o Brasil, petista. Eles vão ver que São Paulo não é tucano, nem o Brasil petista”, afirmou o governador.

França comemorou o resultado das eleições na Assembleia Legislativa, em que o PSL obteve votação recorde com Janaína Paschoal e conseguiu fazer a maior bancada do estado, com 15 deputados. A base do PSB ficou com 28 parlamentares e a do PSDB, com 27.

“Acho bom. Pessoas experientes se reelegeram, também”, afirmou. Apesar do cenário sem ampla maioria, França espera que conseguirá compor com as novas forças políticas no Legislativo: “Meu convívio é do diálogo, eu passei pelo parlamento. Tenho experiência”.