Crespo e Tatiane Polis depõem à Justiça sobre o caso de diploma falso

Tatiane depõe à CPI da Câmara de Sorocaba em julho de 2017 / Foto: Câmara de Sorocaba

O prefeito José Crespo (DEM) irá prestar depoimento no fórum, nesta quarta-feira (13), no caso de sua ex-assessora da Prefeitura de Sorocaba, Tatiane Regina Goes Polis, sobre o diploma falso apresentado por ela para exercer o cargo no Paço.

Tatiane também deve ser ouvida. As oitivas estão previstas para ocorrer a partir das 10h30 e devem ocorrer na sala de Audiências da 1ª Vara Criminal, ao juiz Jayme Walmer de Freitas.

Segundo o advogado de defesa de Tatiane, Márcio Leme, Crespo foi intimado para depôr à Justiça, no qual foi arrolado como testemunha de defesa de sua ex-assessora.

Leme ressaltou ao Ipa Online que o diploma apresentado por Tatiane tem de ser considerado válido, pois a escola que emitiu o documento existia. “A escola era do Rio de Janeiro e a secretaria de Educação de lá cassou o funcionamento dela por alguns descumprimentos. Mas isso não pode prejudicar os alunos”, enfatizou alegando que a ex-assessora, assim como outros estudantes, foi vítima da unidade. “Fizeram as provas, pagaram e acreditaram que iriam receber o diploma. Jamais eles  pensariam que a escola havia sido descredenciada anteriormente”.

Na terça-feira (12), a vice-prefeita de Sorocaba, Jaqueline Coutinho, depôs como acusação e enfatizou a questão da apresentação falsa do documento. “Fui arrolada como testemunha de acusação. Minha oitiva foi feita exatamente na base do que eu já havia falado parente a Polícia Civil, Ministério Público. Se chegou na fase de processo é porque houve denúncia. Diante disso, nada díspare daquilo o que eu já havia dito”, afirmou.

“Houve uma apuração pela corregedoria que não chegou a lugar nenhum, até rápido, em dois dias. Passado um mês, recebi denúncia de uma voz masculina pelo meu celular, por um número desconhecido, de que ela não tinha o nível fundamental. Óbvio, ‘se eu não tenho o nível fundamental, não tenho o médio’. Essa pessoa concluiu a faculdade usando o tal diploma de ensino médio. É uma correlação básica em termos de lógica”, completou a vice.

“Ela fez o ensino médio em uma escola que havia sido suspensa as atividades. Local de ‘arara’ não só para captar dinheiro, como também para pessoas que não queriam estudar em escolas e sim conseguir diploma fácil”, disse. “O diploma foi expedido em 17 de outubro de 2007 e, pasme, emitido em 17 de outubro de 2007. Eu achei que, de fato, se tratava de um falso”, argumentou.

“Pesquisei na plataforma GDAE, da Secretaria de Educação de SP e, ficou claro, que assessora cursou somente até a sexta série. Quando questionado do diploma, não foi apresentado até hoje”, disse.

Outras testemunhas também foram ouvidas como defesa, inclusive um supervisor da Diretoria de Ensino do Estado.

Outro fato alegado pelo advogado é que a vice-prefeita questionou a emissão do diploma, pois primeiramente a publicação dele saiu no Diário Oficial do Estado e, somente dois dias depois, o documento foi emitido. “Isso é absolutamente possível”, acrescentou ele.

O caso

A Polícia Civil denunciou Tatiane pelo crime de falsidade ideológica ano passado. No caso, ela teria apresentado um diploma de ensino superior – necessário para exercer o cargo – entretanto, este seria inválido, pois o seu de ensino médio seria de uma escola que não tinha autorização para emitir o documento, ou seja, falso. Tatiane teria cursado somente até a sexta série.

Tatiane atuava com assessora de Crespo e recebia um salário de aproximadamente R$ 9 mil. O caso veio à tona em junho do ano passado após a vice-prefeita receber denúncia anônima e encaminhá-la ao prefeito. O fato causou uma desavença entre ambos, resultou em uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) e Comissão Processante, no qual o mandato do prefeito foi cassado em agosto do ano passado, por supostamente ter prevaricado ao não apurar o alegado.

Tatiane pediu exoneração do cargo em julho de 2017, alegando prejuízos inclusive em sua vida pessoal.

4 Comentários

  1. Semi analfabeta em cargo de alto escalão da prefeitura, reflete o nível de falta de competência do governo Crespo, seria cômico se não fosse trágico 🙁

  2. Um prefeito deixa suas atividades para ser testemunha de defesa em processo de Quitanta. Realmente o poço não tem fundo.

  3. Foi uma vitória expulsar essa sanguessuga da prefeitura!
    Infelizmente não para por aí. Igual a ela existem muitos outros.

    • Nós, cidadão comuns costumamos criticar os funcionários públicos pala falta de empenho , normalmente sempre taxamos como preguiçosos ou vagabundos , todavia, não sentamos do outro lado para sentir como eles tem que absorver este tipo de politicagem , você estuda , dedica se para ter uma evolução , ai , vem a turma e coloca um amigo , independente de competência , apenas por ser amigo e ter um compromisso eleitoral , aquele que se candidatou para vereador na coligação para aumentar o coeficiente eleitoral para ser seu chefe.
      Note que numa população de quase 700 mil habitantes , o vereador que mais teve votos , foi eleito com
      3,86 % dos votos validos , sequer chega nos 5 % ,é para sentar , chorar e fazer como cavalo em desfile de Sete de Setembro

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