Rogério Pagnan, FOLHAPRESS

O depoimento de um traficante na tarde desta terça-feira (3) reforçou a tese de que Vitória Gabrielly Guimarães Vaz, 12, de Araçariguama (SP), pode ter sido mesmo assassinada por engano.

Segundo a Polícia Civil, um homem -cuja identidade não foi revelada- disse que devia R$ 7.000 em drogas a Bruno Marcel de Oliveira, 33, preso desde a semana passada sob a suspeita de participação no assassinato da menina.

Por causa dessa dívida, o homem disse que vinha recebendo ameaças de morte e acredita que Vitória foi sequestrada ao ser confundida com a irmã dele, de mesmo nome e idades semelhantes.

Embora morasse distante da vítima, a Vitória irmã do traficante também andava de patins no ginásio de esporte da cidade -algo comum entre as adolescentes de Araçariguama, diz a polícia.

Foi lá, no ginásio, que os policiais suspeitam que a vítima foi sequestrada no último dia 8 de junho por Bruno e pela mulher dele, Mayara Borges de Abrantes, 24, com ajuda do servente de pedreiro Julio Cesar Ergesse, 24.

Questionados, policiais civis dizem concordar que, de fato, não é comum traficantes atacarem parentes de devedores de droga. A dívida é, geralmente, cobrada do próprio devedor.

Sobre isso, os policiais dizem acreditar que, provavelmente, o trio não tinha intenção de assassinar a vítima -ainda que estivessem certos, mas queriam dar um susto como recado ao irmão, que está preso em Sorocaba (SP).

Durante a execução do susto, supostamente sob a influência de drogas, podem ter perdido o controle da ação e, assim, matado a menina. Suspeita-se que ela tenha sido morta por asfixia, em golpe conhecido como “mata leão”.

A Polícia Civil diz, ainda, que o depoimento do homem reforça uma tese que faz sentido, até porque Bruno teria passagens por tráfico de drogas e, conforme cães farejadores, esteve no local onde o corpo da vítima foi encontrado dias depois de seu sumiço.
Além disso, Ergesse confessou participação no crime e apontou Bruno e a mulher como os responsáveis pela ideia do sequestro.

Também faria sentido porque, segundo a polícia, não havia sinais de violência sexual na vítima, além de a família da menina não ter inimigos ou ligação com o crime.

A mãe de Vitória, a professora Rosana Maciel Guimarães, 39, sempre sustentou a ideia de que a filha foi morta por engano –ao ser confundida com outra–, até porque a menina não tinha costume de andar de patins no ginásio de esportes. “Como essa pessoa saberia que a minha filha iria sair de casa naquele dia, naquele minuto? Ela não tinha essa rotina”, afirmou, em entrevista anterior.

À Folha de S.Paulo, a professora reclamou de ser colocada sob suspeita pela investigação.
Os três suspeitos continuam presos, por determinação da Justiça.

O advogado Jairo Coneglian, defensor do casal, não foi localizado pela reportagem na noite desta terça. Em entrevista anterior, sustentou que seus clientes são inocentes e que a polícia não tinha provas contra eles.