Podoposturologia: o que há de mais moderno em palmilhas

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Por Carla Barbosa Rodrigues Vercesi

Depois de um dia inteiro de trabalho, seguido de algumas horas de caminhada, as dores nos pés, pernas e região lombar começam a aparecer. Essa é uma queixa muita comum, podendo atingir cerca de 80% da população em algum momento da vida.

Com o passar do tempo, as dores em coluna, quadril, joelho ou pé passam a ser constantes, atrapalhando as atividades cotidianas e a qualidade de vida. Geralmente, as pessoas associam esse tipo de dor a problemas na coluna lombar. Esquecem-se de que, como diriam os antigos: o problema está muito mais embaixo!

Os pés são estruturas complexas, formados por 26 ossos, 40 articulações e 31 músculos, capazes de impulsionar até três vezes o peso corporal. São estruturas de múltiplas funções, desempenhando papel essencial dentro do sistema postural.

Captam informações do meio externo -como tipo do terreno e inclinação- e as enviam constantemente ao nosso cérebro. O cérebro, a partir das informações recebidas, envia estímulos de contração para os músculos posturais, mantendo assim o equilíbrio e a postura.

Os pés são a base, o início e o final do sistema postural. Dessa maneira, alterações na pisada – como pés pronados ou supinados, cavos ou planos, joanetes e calos – podem causar alterações ascendentes, causando dores e desvios em joelhos, quadril e coluna vertebral. Da mesma maneira, uma alteração na coluna vertebral -uma hérnia de disco, por exemplo- pode deflagrar mecanismos compensatórios que culminarão com alterações na pisada.

Com base na importância que os pés exercem na postura nasceu, na França, a Podoposturologia, um conceito terapêutico que consiste na reeducação postural através de palmilhas. A técnica é fundamentada na ação de peças muito finas que são colocados sob a palmilha, estimulando a pele e músculos plantares.

Estas peças estimulam os mecanorreceptores da região, fornecendo informações ao sistema postural. Como resposta, o sistema nervoso central produz o reequilíbrio postural através das reações reflexas musculares e corrige as assimetrias posturais.

A palmilha deve ser personalizada, confeccionada após criteriosa avaliação, englobando a avaliação postural com podoscópio, teste de equilíbrio, análise de rotações, e tensão da musculatura paravertebral. Após a avaliação, a palmilha é confeccionada sob medida, com base na anatomia e tamanho do pé.

As palmilhas podem ser usadas por todos, incluindo atletas, em qualquer tipo de calçado. O tratamento tem um custo acessível e seu resultado é rápido e seguro.

Carla Barbosa Rodrigues Vercesi é fisioterapeuta (Crefito 03/130481) e diretora do Centro de Posturologia da Stay Care, clínica especialista em pés, feridas, estomias e incontinências, com unidades em Sorocaba, Americana e São Paulo. Em breve, em Campinas.