Por Celso ‘Marvadão’ Ribeiro

Olivia, minha neta de 8 anos, rachou o bico ao encontrar dois atletas com o nome de Fédor, na montagem do Álbum da Copa. Ela na hora fez trocadilho com fedor, achou que ambos não gostam de tomar banho. Eheh.

Minha outra netinha, Letícia, de 5 meses, ainda não diz nada. Mas vive sorrindo e não tira os olhos de mim, parece uma corujinha. Presta uma atenção! Acho que já estou virando uma “figurinha repetida” no álbum da vila dela.

Figurinha repetida, você sabe, é uma expressão que veio dos álbuns de… figurinhas… E significa aquela pessoa que está em todas, que não perde uma.

Nos velhos álbuns da Copa e outros mais, havia a “figurinha carimbada”, difícil de encontrar. Hoje em dia, usa-se figurinha carimbada com o mesmo sentido de figurinha repetida, quando deveria ser exatamente o contrário. Coisas dos usos e costumes.

O fato é que montar o Álbum da Copa envolve gente de todas as idades. Todos viram crianças nessa atividade bastante familiar de preencher os espaços. Oportunidade especial para pais, filhos, avôs e netos se relacionarem numa atividade lúdica. E de todos aprenderem um pouco mais sobre esporte, geografia, países, seleções e nomes curiosos, mundo afora.

O tempo passa, o tempo voa, tudo muda, mas esses álbuns, na prática, continuam os mesmos. Por certo, estão mais caprichados, bem impressos, mas o processo de preenchimento é o mesmo. Não teria a menor graça um Álbum “Digital” da Copa. Tem que ser algo físico. Comprar as figurinhas, separar, colar e curtir aos poucos, lamber a cria. E fazer troca-troca de estampas repetidas para gastar menos.

FIGURINHAS EM BALAS

Essa coisa toda de montar álbuns de figurinhas começou na Copa de 50. O Brasil deu vexame, mas a brincadeira virou febre também nos eventos seguintes, especialmente em 58 e 62, anos em que o Brasil foi campeão.

Curiosidade. Em todas essas Copas, as figurinhas não vinham em pacotinhos, estavam enroladas em balas ou caramelos. Uma guloseima arredondada e comprida que as crianças adoravam comprar e abrir. Imagine o trabalhão que dava para a fabricante enrolar tudo aquilo.

As figurinhas eram emocionantes. Já o sabor da bala, enjoativo de tão doce.

Enroladas em balas também foram as figurinhas do álbum lançado em homenagem ao filme épico Os Dez Mandamentos, longa-metragem de 1956, dirigido por Cecil B. DeMille, com Charlton Heston (no papel de Moisés), Yul Brynner e Anne Baxter no elenco. Não era fácil preencher o álbum do inesquecível filme, resumido numa coleção de 210 “cromos”.

SOMOS TODOS “FIGURINHAS”.