Por Celso ‘Marvadão’ Ribeiro

O leitor Luiz Cláudio Dias pergunta se alguém aí sabe casos do Miroldo (o nome verdadeiro dele – Nirodes Marciano – é que parece apelido… Eheh), conhecida figura popular de Sorocaba.

Eu só o conheço de referências, de leituras, mas Paulo Betty, meu antigo companheiro de teatro amador, conheceu muito e no livro (em sua homenagem) “Na Carreira de um Sonhador”, de Teté Ribeiro, comenta o seguinte:

“Tinha um cara na Vila Leão, o Miroldo, que era um craque no futebol e no samba. Ele era famoso no bairro por isso. Era meu amigo, um pouco mais velho que eu, negro retinto, cheio de charme.

“Foi ele que me mostrou a música dos Beatles. Sabia tudo, o Miroldo. Em um dos carnavais, acho que no de 1968, o Miroldo foi o grande sucesso no palco-avenida que se armava no centro da cidade. Ele desfilou todo de branco, com um chapéu escrito black power.

“Era uma figura carimbada em Sorocaba. Uma vez ele estava jogando uma pelada e foi visto por um olheiro, que o convidou para treinar com o time do Bangu, no Rio de Janeiro. E deu um drible desconcertante no Fidélis, que era lateral da seleção brasileira. Aí o cara ficou puto e por vingança, não permitiu que o Miroldo fosse contratado pelo time.

“A história era uma lenda na cidade, todo mundo sabia. O Miroldo tinha um estilo espetacular, cheio de ginga, cheio de classe, jogando futebol ou desfilando no samba
foi uma das maiores influências artísticas que eu tive. Sempre que faço alguma coisa imitando o Miroldo dá certo!”.

Quem souber outras histórias dele conte aqui. Ah, se alguém tiver outras fotos, mande também, porque esta que estou publicando é a que Miroldo usou quando foi candidato a vereador. Carcule só…

3 Comentários

  1. Realmente é o mesmo Miroldo do Ziriguidum.
    Foi uma pena encontrá-lo no Lar São Vicente de Paulo há alguns anos atrás, por mais que tentasse animá-lo, lembrando nosso tempo de infância em Votorantim/SP.
    O Miroldo era uma figura excepcional, no bom sentido.
    Ficou amplamente conhecido quando de suas atividades culturais e esportivas em Sorocaba/SP, principalmente quando dava espetáculo de marabolismo com a bola no futebol de salão, em especial no “Cruzeirão”.
    O Miroldo e seu irmão Boanerges viveu sua infância e início da juventude em Votorantim/SP.
    Ele residia com o pai Senhor Antonio e seu irmão numa casa no interior do quase centenário Grupo Escolar Comendador Pereira Inácio, na BarraFunda, em Votorantim/SP.
    Seu pai era um senhor muito querido pelos professores, funcionários da escola e moradores do bairro, pela simplicidade e pelo amor ao trabalho.
    Essa escola foi muito danificada na enchente de 1982, quando inclusive ali morreu uma funcionária.
    O Miroldo estudou ali, não me lembro de onde tenha trabalhado e jovem, quando já residia numa casa bem simples da Rua Capitão Grandino, soube que entrou como funcionário da Polícia Civil de Sorocba, passando a ser motorista e sempre com o Dr Roberto Luiz Ayres.
    Às vezes passava por ali, onde hoje a casa está praticamente demolida, e parava conversar com ele que só ficava na janela.
    Muitas vezes jogamos bola no pátio daquela escola.
    Uma passagem interessante ocorreu quando ele era bastante jovem e foi no campo varzeano do Bela Montanha F.C de Votorantim, quando numa data próxima a 13 de maio, como era comum fazerem um jogo, que era chamado de pretos contra os brancos e o Miroldo chegou atrasado, mas precisava jogar, senão não participaria das bebidas ao final,m que resumia-se apenas em mais pinga do que cervejas, pelo poder aquisitivo de todos na época.
    Nessa oportunidade o Miroldo chegou na lateral do campo e pedia para entrar jogar, como ninguém liga, ele gritou para o Cipó, uma senhor negro, magro e alto, que era muito querido por todos, e quando este o atendeu, perguntou ao Miroldo em que tinha ele queria entrar, quando ele, muito simples´porque, que só podia ser para o time dos negros, e aí esse Cipó falou para ele que era mais de cor azul do que negro e por isso ele perguntou.
    Depois disso ele entrou e jogou no time dos negros.
    No carnaval era uma festa, bem como na sinuca, sempre com gestos e atitudes diferentes e exóticas.
    Quando eu era Oficial da Polícia Militar e depois Promotor de Justiça ele vinha com uma formalidade e um respeito, sem precisar, mas era o jeito dele, não mudava.
    Desculpe-me pelo meu jeito de expressar, mas eu o estimava muito e o respeitava no seu modo de ser.
    Ouvi dizer que estaria morando em Salto de Pirapora, mas não sei se é verdade.
    Grandes lembranças dele e de seu pai.
    l

  2. Eu cresci ouvindo esse nome, aliás Mirordo!
    Meu falecido pai Wilson Roberto Soares, morador da Rua Antônio Soares, Vergueiro, contava várias histórias e tinha um carinho enorme por seu amigo!
    Quando descobriu que o mesmo estava no Lar São Vicente, foi de imediato visita lo e registrou várias fotos com seu amigo, foi sua despedida!

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