Por Gabriel Bitencourt

Tenho escrito e falado sobre a Obsolescência Programada, O.P., em várias oportunidades. Ela é um ícone destes tempos.

A primeira abordagem que fiz do tema foi em razão de ter assistido um documentário que usou como mote uma lâmpada que estava acesa ininterruptamente no Corpo de Bombeiros, em Livermore, na Califórnia, desde 1901.

O documentário mostra, entre outras coisas, que as grandes empresas produtoras de lâmpadas fizeram um grande acordo, em 1924, de modo que seus produtos não ultrapassassem mil horas de vida útil.

Data, ainda, deste período, mais especificamente em 1928, a publicação na revista Printer’s Ink, do setor publicitário estadunidense, a emblemática frase: “Um artigo que não estraga é uma tragédia para os negócios”

Mas, esta história de O.P. começou bem antes. No final do século XIX a indústria têxtil começou a utilizar mais amido e menos algodão na fabricação de tecidos. Ainda que este modelo, ambientalmente insustentável, nos leve em direção ao abismo, parece não haver alternativa ao “comprar, usar, jogar fora e comprar novamente”. Parece não haver reação sistêmica.

As mesmas vozes que, atualmente, argumentam, por exemplo, que o modelo de emprego no futuro próximo não será como o de hoje e, por isso, a sociedade tem que se adaptar, não se levantam com o a mesma ênfase para defender uma mudança no padrão, ambientalmente insustentável, de consumo da sociedade.

Entretanto, as vozes isoladas de ativistas e de ONGs, parecem ter encontrado eco em uma importante esfera do poder global, o Parlamento Europeu.

Em 04 de Julho deste ano, aquela poderosa organização aprovou por 622 votos a favor e 32 contrários o Relatório sobre Produtos com Uma Vida Útil Mais Longa: Vantagens para os Consumidores e as Empresas. Nele se solicitam que medidas sejam tomadas pela Comissão Europeia para conter a O.P.

Outra boa notícia no desolador cenário veio da França. Foi aceito o registro da denúncia feita pela Halte à l’Obsolescence Programmée, no dia 18 de setembro, contra a Epson, HP, Canon e Brother por reduzir, de forma deliberada, a vida útil de impressoras e cartuchos.
Pelo apenas, alguma reação emerge rompendo a inércia

Excelente matéria (Programado para Estragar) publicada da edição brasileira do jornal El País, que inspirou a presente publicação –https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/13/tecnologia/1507894455_001314.html?id_externo_rsoc=FB_BR_CM

Documentário sobre a Obsolescência Programada – https://www.youtube.com/watch?v=5tKuaOllo_0