Por Gabriel Bitencourt

Recentemente, foi aprovado um projeto de lei de autoria do deputado Feliciano Filho instituindo no Estado de São Paulo a “Segunda sem Carne”.

Para se tornar lei é necessário, ainda, a sanção do governador.

Segundo o projeto, em síntese, os estabelecimentos situados em órgãos públicos e que ofereçam produtos alimentícios às pessoas seriam obrigados a servirem, unicamente, alimentos que não tenham origem animal (como as carnes, leites e derivados, por exemplo).

Ouvi de um radialista, em uma emissora de rádio, uma crítica feroz, inclusive, caracterizando o deputado autor da propositura como se fosse um idiota que não sabe o que faz no parlamento, embora se saiba que a matéria aprovada, obviamente, recebeu o voto da maioria dos parlamentares.

A ignorância sobre os motivos da campanha é a responsável pelas críticas.

A “Segunda sem Carne”, hoje, atinge mais de 30 países em todo o mundo e que tem uma motivação assentada na sustentabilidade socioambiental (a criação de gado é responsável pelos maiores impactos nas alterações climáticas, na qualidade das águas e na destruição da floresta); na saúde humana (a Organização Mundial da Saúde aponta os embutidos de carne como cancerígenos e as carnes vermelhas como potencialmente causadoras de câncer), além do viés ético – tendo tantos alimentos que satisfazem nossa necessidade nutricional, não é ético criar e matar animais para saciarmos nossas exigências de paladar.

Entre muitas celebridades divulgadoras da campanha, um dos mais ativos embaixadores da causa é o ex-Beatle Paul MacCartney.

Ao que tudo indica, a pressão dos grandes ruralistas, frigoríficos e outras indústrias vinculadas à alimentação de origem animal levarão o governador a vetar a lei.

Por outro lado, a sociedade está mudando seu entendimento e o comportamento acerca deste assunto.

Um dado indicativo, por exemplo, é a queda do consumo de carne em 50% comparativamente à década de 1970, no Reino Unido. *Veja link ao fim da matéria.

Outro indicador desta tendência foi a determinação da empresa Google em retirar, em nome da sustentabilidade socioambiental, os produtos de origem animal do cardápio servido a seus funcionários.

O avanço neste campo é lento, mas, inegavelmente, tem adquirido um crescimento geométrico, que muito nos anima.

*Fonte: Anda – https://www.anda.jor.br/2017/12/reino-unido-consome-50-a-menos-de-carne-em-comparacao-a-decada-de-70/

Saiba mais: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/12/28/O-que-%C3%A9-a-Segunda-Sem-Carne-que-pode-virar-lei-em-S%C3%A3o-Paulo

2 Comentários

  1. Caro, “Eu”!
    Respeito sua opinião, porém, tenho algumas considerações a fazer.
    Há várias ações do Estado no sentido de se proibir em lanchonetes de escolas a venda de alimentos calóricos, como doces e refrigerantes, substituindo-os por frutas, sucos naturais entre outras alternativas mais saudáveis. Esse é um “intervencionismo” – como você diz – que tem como objetivo resguardar a saúde das crianças. “E o direito de fazer escolhas?” A saúde das crianças em primeiro lugar.
    A pecuária é, por números oficiais, tida como a atividade humana que maior impacto provoca na qualidade das águas; na poluição atmosférica e as consequentes alterações climáticas; na destruição das florestas e na redução da biodiversidade no planeta.
    Não seriam, estes motivos relevantes para o Estado procurar, de forma sutil (uma vez por semana experimentar alternativas menos danosas ao planeta) intervir? Está em jogo a qualidade de vida das atuais e das futuras gerações. Em minha opinião, a resposta é “SIM”.

  2. Se as pessoas não querem comer carne na segunda ou qualquer outro dia da semana por qualquer razão ideológica que seja, ok. O que não pode é o governo fazer esse tipo de intervencionismo, o indivíduo deve ter o direito de fazer escolhas.

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