Por Gabriel Bitencourt

Debato arborização urbana em Sorocaba há décadas. Aliás, bem antes de ser vereador e continuo este debate nos dias atuais. Lá se vão décadas. E o faço esse em razão da importância do tema e por avaliar que, em Sorocaba, a arborização é absurdamente deficiente em quantidade e mal planejada do ponto de vista da qualidade.

Falta também um plano de manejo.

Neste quesito, já briguei muito e até já levei ao Ministério Público a desconfiança de que os contratos de manejo se favoreciam das ações quantitativas. Explico: ao invés de se realizar a poda de uma árvore por conta de um laudo técnico e fazê-la sob a orientação de um profissional da área, as equipes de poda vão, com suas motosserras, podando, podando e podando e contabilizando o montante realizado para receber por seus serviços prestados.

Vale a quantidade.

Outrora, barramos uma poda que seria realizada, sem nenhuma necessidade, em uma árvore no canteiro central de uma avenida. Ela não atrapalhava o trânsito de pedestres, ciclistas ou veículos; tampouco atrapalhava a visualização de qualquer sinal de trânsitos.

Não precisava de poda de condução ou fitossanitária. Não era necessária.

Por esses e outros motivos, quando da criação da Secretaria de Meio Ambiente – SEMA -, advoguei que estes contratos estivessem alocados na Sema. Imaginava que o olhar ambiental do secretário de plantão e seus assessores mudasse a situação.

Pois bem! Os contratos de poda de árvores e roçagem de gramas, atualmente, estão colocados sob a responsabilidade da Sema.

Que bom! Tudo mudou? Não. Nada mudou. Aliás, piorou.

Tive oportunidade, inclusive, de falar sobre isso, diretamente, com o secretário Jessé Loures, na primeira etapa de sua gestão à frente da secretaria.

Critiquei e ilustrei, até, com a absurda poda que foi realizada em um Ipê-branco que eu plantara em uma calçada, há mais de vinte anos. A árvore, depois da “poda”, ficou desfigurada em sua arquitetura e com sua função fisiológica e ecológica comprometidas.

Ficou mais parecendo um coqueiro do que as de sua espécie.

Pouco depois, soube da revolta de várias pessoas por conta das questionáveis podas realizadas ao longo da avenida marginal e, inclusive, na região da general Carneiro, onde vários pés de uma árvore chamada de Moringa foram, não podados, mas seriamente mutilados.

Vários ouvintes de nossa coluna, também, andaram reclamando da qualidade das podas realizadas ultimamente.

Por último, ontem (23), quando chegava em Sorocaba, vi podas drasticamente feitas, emblematicamente, ao lado da Secretaria de Meio Ambiente, em árvores saudáveis que não precisavam de qualquer tipo de intervenção.

Não é possível que em uma cidade, com disse no início deste texto, carente de árvores em quantidade e padecendo de um planejamento técnico de arborização urbana, piore o que já não é bom!