Sorocaba está em chamas e nossos pulmões defumados

Foto: Djalma Benetti

O DEDA QUESTÃO

Dados do Instituto Nacional de Meteorologista – que é um órgão público – e do Climatempo – que é particular – mostram a mesma situação: O inverno em Sorocaba terá um menor volume de chuva, tempo mais seco e umidade relativa do ar beirando, em algumas horas do dia, índices calamitosos abaixo dos 30%.

Basta olhar para o quintal de casa e ver as cinzas das queimadas borrando o chão. Basta olhar para a linha do horizonte e ver a cidade submersa numa nuvem branca de fumaça. Basta ir a qualquer Pronto Socorro (público ou privado) e ver o sensível aumento de pessoas passando mal. Basta ir a qualquer farmácia e ver a quantidade de remédio para amenizar o mal-estar provocado por este comecinho de inverno.

A média de chuva para os próximos três meses é de 50,6 mm em julho, 30,9 mm em agosto e 67,4 mm em setembro e, pior, muitas vezes se concentrando numa sequência de 3 dias e depois longos períodos de estiagem.

Obviamente que a industrialização e urbanização de toda a cidade (aliás, uma característica do Brasil) contribui para isso. Uma decisão tomada décadas atrás que só tende a piorar tudo.

O que poderia ser feito diante dessa realidade?

Menos queimadas, obviamente. Mas quem coloca fogo? Ele começa sozinho?

Não começa sozinho e alguém coloca fogo, portanto.

Quem é esse alguém?

Pois é…a grande pergunta é essa.

A Prefeitura em anos passados, especificamente na gestão do prefeito Vitor Lippi, em 2006, criou a Patrulha Verde e levava a sério o combate aos focos de incêndio. Eram dois pontos de observação (5º andar do Paço Municipal e em um edifício da Av. Santos Dumont, na zona norte) onde agentes municipais atuavam diariamente das 10h às 19h. Após identificar pontos de incêndio, por meio de binóculos, e os localizarem em mapas, os agentes comunicavam à central do Corpo de Bombeiros do Cerrado e da Patrulha Verde para otimizar o atendimento às ocorrências. Ao ser acionada, imediatamente a Patrulha mais próxima era encaminhada para o combate aos incêndios.

A “Patrulha Verde” era formada por 14 servidores municipais, três deles integrantes da Sema, dois da Secretaria de Segurança Comunitária (Sesco), um da Defesa Civil, seis do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) e dois egressos da Coopereso (Cooperativa dos Egressos e Familiares de Egresso de Sorocaba e Região), que receberam treinamento específico, assim como voluntários dos Núcleos de Defesa Civil (Nudecs). Eles portam equipamentos de proteção e de combate às chamas, como bombas costais, facões, botas e abafadores, lanternas, entre outros itens.

Na gestão seguinte, de Pannunzio, a Patrulha Verde foi desativada e na gestão Crespo segue sem nenhum tipo de prevenção ou alerta.

Injustiça minha, “a fim de conscientizar a população sobre os impactos causados pelas queimadas, a Secretaria do Meio Ambiente, Parques e Jardins (Sema) realizou na manhã desta sexta-feira (08 de junho) uma exposição com animais taxidermizados (empalhados) que sofrem as consequências das queimadas. Os animais ficaram expostos das 9h às 12h no andar térreo da Prefeitura, chamando a atenção de quem passava pelo local. Essa exposição teve como objetivo orientar e sensibilizar funcionários e cidadão que foram ao Paço sobre os riscos das queimadas, não apenas para a saúde, mas também para o meio ambiente, e com isso diminuir os focos de incêndio em nossa cidade”, explica o secretário da Sema, Jessé Loures.

Ah, tá… Fez uma exposição.

A verdade é que enquanto a Sorocaba está em chamas, nossos pulmões estão sendo defumados e as unidades de urgência e emergência, pública e privada, estão lotadas de doentes.

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