12/08/2017 09h33 - Atualizado em 12/08/2017 09h33 | Ipanema Online

Frestas-Trienal de Artes traz mais de cem obras a Sorocaba



A cidade de Sorocaba está repleta de arte com o início, neste sábado (12), no Sesc, da 2ª edição de “Frestas – Trienal de Artes”. Com o tema “Entre Pós-Verdades e Acontecimentos” e curadoria da crítica de arte Daniela Labra, o evento gratuito ocupa diversos pontos até o próximo 3 de dezembro.

Entre projetos comissionados, performances, residências artísticas, intervenções urbanas e trabalhos feitos exclusivamente para a internet, a trienal apresentará cerca de 160 obras, produzidas por 60 artistas contemporâneos, de diferentes gerações e de 13 países, que discutem as ambiguidades presentes nas artes e as duvidosas verdades nos discursos midiáticos cotidianos.

“A proposta curatorial aponta caminhos para refletir acerca da impossibilidade de definir Verdade, tanto nas atuais narrativas políticas globais, sustentadas por redes de memes, falsos profetas e populismos midiáticos, como também na arte, cujas certezas sobre sua natureza regrada começam a ruir já no final do século XIX”, diz Daniela Labra, que definiu cincos eixos para a exposição: ambiguidades formais; transdisciplinaridade; performatividade; gênero e sexualidade; crítica social.

Daniela afirma que a trienal pode ser considerada como uma referência em qualidade, devido à seleção de artistas e a oportunidade de se ter contato com artes fora dos grandes centros.

Ela cita também a geração de empregos com Frestas, mesmo que muitos empregos sejam temporários. “Do ponto de vista educativo e de formação é a chance de termos contato com uma série de propostas visuais, narrativas, plásticas, críticas que são incomuns ao nosso dia a dia e que com elas podemos pensar o mundo no qual vivemos, como estou no mundo, é isso que a arte faz, nos tocar e o esperado é que cada um deva ter uma interpretação diferente diante da demonstração da arte”, diz. “Além de promover o intercâmbio entre artistas locais, regionais e internacionais, Frestas contribui para a descentralização dos polos de arte contemporânea no Brasil ao proporcionar o acesso a diferentes formas de bens culturais ao público do interior paulista”, afirma Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo.

MOSTRA PRINCIPAL

A mostra principal de Frestas acontece em uma área de 2.300 m2 construída especialmente para o evento no estacionamento do Sesc Sorocaba. Lá estão trabalhos de artistas como Wanda Pimentel e do pintor Daniel Senise, utilizando a técnica metacrilato em fotografias. Sobre imagens do antigo refeitório dos funcionários da Estrada de Ferro Sorocabana, ele aplica objetos e resíduos retirados do próprio local, que permanece abandonado.

 Entre os brasileiros, Fabiano Marques investiga procedimentos da justiça, aludindo à infância vivida na cidade de Sorocaba durante anos repressivos da ditadura militar.  O espaço expositivo também recebe destaques internacionais, como obras da fotógrafa norte-americana Francesca Woodman (1958-1981), do alemão Michael Wesely, e do cubano Reyner Leiva Novo, que montou um grande e colorido painel com escovas de dentes usadas, trocadas por escovas novas com moradores de um bairro de Sorocaba.  Outros locais do Sesc também são ocupados por Frestas. Na área expositiva no térreo do edifício principal, estará o “Departamento de Reclamações”, do coletivo norte-americano Guerrilla Girls. Até a fachada é usada como suporte para uma intervenção artística.

PELAS RUAS

Frestas está também nas ruas. Maria Thereza Alves, brasileira radicada nos EUA, pesquisou vestígios de comunidades indígenas na região de Sorocaba, mas o único registro encontrado foi uma urna mortuária em um museu da cidade que não tem acesso ao público. Surgiu assim o projeto “Um Vazio Pleno”.  O ceramista indígena Maximino Kalipety, de Dourados (MT), confeccionou réplicas da urna, que serão enterradas em 16 pontos no centro, de modo a reinserir a presença indígena na cidade. Os sorocabanos também podem conferir duas obras de artistas da cena do grafite nacional. São: “Femme Maison”, de Panmela Castro, conhecida como a rainha do grafite no Brasil, pintada na parede lateral do Palacete Scarpa, sede da Secretaria da Cultura e Turismo, e o painel do artista NUNCA, pintado na lateral de um prédio residencial, na Praça Coronel Fernando Prestes. Confira mais sobre a atrações de Frestas em www.www.jornalipanema.com.br