16/06/2017 20h46 - Atualizado em 16/06/2017 20h46 | Ipanema Online

Estresse crônico pode levar ao ganho de peso; obesidade atinge 20% dos brasileiros



A obesidade já é considerada uma epidemia mundial. Só no Brasil, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), mais da metade da população brasileira está com sobrepeso e a obesidade atinge 20% das pessoas adultas em nosso país. 

Segundo Carolina Marques, psicóloga e neuropsicóloga e cofundadora da Clínica Estar, além da mudança dos hábitos alimentares e do sedentarismo, típicos da sociedade moderna, o estresse  crônico vivido por boa parte da população é um fator importante para o ganho de peso.

“O nosso cérebro comanda todas as nossas funções, incluindo a produção e a secreção de hormônios. Entretanto, o órgão não consegue diferenciar uma situação real de uma imaginária. O estresse  tem uma função importante de nos deixar prontos para enfrentar algum perigo. Mas, quando essa situação se prolonga, há produção aumentada de uma série de hormônios, como o cortisol, a noradrenalina, adrenalina e GH (hormônio do crescimento). Todos eles levam à redução do gasto calórico para poupar energia do organismo, favorecendo assim o ganho de peso ou a dificuldade em perder peso”, explica Carolina.

Entre todos os hormônios secretados em situações de estresse prolongado, o cortisol é o que tem mais relação com o ganho de peso. De acordo com a psicóloga, ele age no hipotálamo, área do cérebro envolvida no controle do apetite. Ele ainda ativa enzimas que levam à multiplicação das células de gordura, incentivam o depósito de tecido adiposo na região abdominal e promovem a produção de uma substância (neuropeptídeo Y),que incentiva a produção de tecido gorduroso. 


Compulsão por alimentos calóricos

Outro ponto importante é que o estresse aumenta o desejo por alimentos calóricos, ricos em carboidratos e gorduras. O carboidrato se transforma em energia rapidamente, aumentando a serotonina circulante, o que traz sensação de prazer. A gordura é fácil de ser armazenada para situações hipotéticas de perigo. “É como se o corpo quisesse, de algum jeito, compensar o sofrimento imposto pelo estresse”, explica Carolina. 


Como ficar de bem com a balança

O primeiro passo é gerenciar o estresse. “Estamos falando de uma consequência grave do estresse, pois o excesso de peso é um fator de risco importante para desenvolver outras doenças, como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, depressão, ansiedade, etc. A boa notícia é que o estresse pode e deve ser controlado. Tudo é uma questão de hábito, ou seja, para termos mais qualidade de vida precisamos mudar nossos comportamentos e fazer escolhas melhores até que se tornem hábitos”, diz Carolina.

Para a psicóloga, o primeiro passo é identificar o que está causando o estresse. O trabalho? A família? Os estudos? O trânsito? Nem tudo pode ser resolvido, mas é possível encontrar meios de gerenciar as situações para diminuir o estresse. Quer um exemplo?

 “Se o trânsito é o foco do problema, que tal praticar alguma atividade física depois do trabalho? Além de ser saudável, o exercício libera substâncias que trazem prazer e bem-estar e ajudam a perder peso. Voltar pra casa depois do horário de pico será mais rápido e a pessoa terá feito uma escolha saudável para passar o tempo. Se isso se tornar um hábito, melhor ainda”, conclui Carolina. 


Reprimir a raiva pode gerar problemas de saúde


Com que frequência você sente raiva? Se você respondeu que sempre ou quase sempre, fique tranquilo! Isso porque a raiva é um sentimento humano básico e natural que pode aparecer da ideia de que fomos injustiçados ou ainda quando uma regra nossa é quebrada internamente. Entretanto, se a raiva saiu do controle, ela pode afetar suas relações no trabalho, na família e com os amigos, o que impacta na qualidade de vida em geral.

Segundo Carolina Marques, psicóloga e neuropsicóloga, a raiva é um estado emocional que pode variar de uma irritação leve a uma fúria intensa. A raiva causa uma liberação de neurotransmissores como a adrenalina e noradrenalina e por esta razão, ela leva a mudanças fisiológicas, como aumento dos batimentos cardíacos, elevação da pressão arterial, assim como deixa a pessoa com mais energia e disposição.

“A raiva pode surgir por eventos internos ou externos. Podemos sentir raiva de uma pessoa, de uma situação ou ainda de alguma memória traumática, que desencadeia esse sentimento. De qualquer maneira, a raiva comunica que algo está muito errado e precisa da nossa atenção”, diz Carolina. 


A raiva nossa de cada dia

“Cada pessoa tem uma maneira particular para lidar com a raiva. Entretanto, quem não lida bem com essa emoção tende a ser mais “esquentado”, sente raiva mais facilmente e com mais intensidade. O mais agravante desta emoção é que, frequentemente, gera algum tipo de agressão, e por esta razão suas consequências podem ser irreversíveis”, diz Carolina.

Há ainda pessoas que não demonstram a raiva, mas se sentem cronicamente irritadas e mal humoradas. Em geral, são pessoas com baixa tolerância à frustração. Para Carolina, as explicações podem ser genéticas e socioculturais.

“Algumas crianças já nascem irritadas, mais sensíveis e propensas a sentir raiva com mais facilidade. Esses sinais já podem ser notados inclusive nos primeiros anos de vida. Em relação ao fator sociocultural, um exemplo é que em muitas famílias, culturas e religiões a raiva é vista como um sentimento negativo e que não deve ser expresso. Como resultado, essas pessoas não sabem lidar com a raiva de forma construtiva”, explica Carolina.


Libere a raiva para não adoecer

A raiva não gerenciada pode se transformar em ressentimento, culpa, medo, rejeição, frustração e em doenças físicas e psiquiátricas, sem contar os prejuízos sociais quando a raiva vira agressão, que é um comportamento e não um sentimento. Por isso, é preciso aprender a lidar com a raiva de forma positiva.

A neuropsicóloga explica que quando a raiva é expressa, o sistema nervoso simpático é despertado e isso ajuda na produção de linfócitos e estimula as respostas imunológicas em curto prazo. “No entanto, quando a raiva ou o sofrimento não são expressos ou tratados de maneira construtiva, o cortisol pode se elevar. Esse aumento do cortisol está relacionado com o estresse crônico que enfraquece o sistema imunológico, deixando o organismo mais suscetível a doenças cardíacas e ao câncer, por exemplo,”, cita a psicóloga.

“Quando a raiva é reprimida, o corpo e os sistemas permanecem despertos, bioquimicamente estimulados. Ao se recusar a tomar consciência da raiva e não expressá-la, você perde a oportunidade de consertar algo que está erado e finalizar as respostas do corpo que foram desencadeadas. Como isso, é mais difícil para o organismo acalmar a excitação e recuperar o equilibro para voltar ao normal”, explica Carolina. 


Como lidar com a raiva de maneira positiva:


1-        Pense antes de falar: No auge da raiva podemos falar coisas das quais vamos nos arrepender depois. Então, nada melhor que esperar um pouco até se acalmar.

2-        Expresse a raiva: Por outro lado, não é bom esperar muito para resolver a questão. Portanto, assim que você voltar ao normal coloque seus sentimentos para fora, fale, converse a respeito, mas evite o confronto.

3-        Gerencie o estresse: A raiva muitas vezes pode aparecer devido ao estresse. Pratique atividade física, coma de forma saudável, invista no seu lazer ou em qualquer atividade que ajude a diminuir o estresse.

4-        Identifique soluções: Em vez de ficar com raiva da situação, procure pensar em maneiras de resolvê-la, principalmente se são recorrentes. Lembre-se que a raiva não resolve nada, mas atitudes sim.

5-        Procure um psicólogo: Se a raiva está impactando na sua vida profissional e pessoal, causando prejuízos e você não sabe lidar com ela, o ideal é procurar ajuda de um psicólogo.