sorocaba, 21 de Maio de 2013 - 22h18

Cirurgia bariátrica, eu faço?

Ipanema Online


Cirurgia bariátrica, eu faço?

A obesidade vem crescendo a passos largos em nosso país e já atinge a população desde a infância. A semelhança de outras doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial, a obesidade necessita de um tratamento contínuo e disciplinado. Porém, diferente das outras doenças, a oferta de remédios para o tratamento da obesidade é extremamente reduzida e ainda assim criticada por muitos. 
Sobrou para os obesos métodos disciplinares de alimentação e atividade física, associados a alguns métodos cirúrgicos, as chamadas cirurgias de obesidade ou cirurgia bariátrica. Hoje, a mais difundida e realizada com eficácia de resultados é o método de Forbi-Capella, classificada como um método restritivo e disabsortivo, isto é, a redução da capacidade de ingestão de alimentos e da capacidade de aproveitamento dos nutrientes. Trata-se de uma forma eficiente de redução do peso corporal, com mudanças significativas na vida do obeso, proporcionando uma forma melhor de viver e reduzindo os riscos de adoecer associados à obesidade. 
Neste ponto cabem duas perguntas: A cirurgia bariátrica é um tratamento para obesidade? Quais os riscos de realizar a cirurgia? A melhor forma de colocar respostas para essas perguntas é retomar conceitos básicos na origem dessa doença e lembrar que os hábitos alimentares incorretos e o sedentarismo são causas primordiais de geração da obesidade. Isso responde a primeira pergunta, colocando a cirurgia bariátrica como um “auxílio” ao tratamento da obesidade. Pacientes que encaram a cirurgia como a única forma de tratamento e esquecem os hábitos de alimentação saudável associado a prática de atividade física, certamente correrão sérios riscos nutrológicos. 
Para o sucesso no tratamento é necessário a criação de mecanismos de defesa à forma “obesa” de pensar. Profissionais preparados para tal devem ser consultados e adotados para um acompanhamento por toda a vida, pois os mecanismos de defesa deverão ser continuamente relembrados e constantemente aplicados. Neste viés é que ocorrem os maiores riscos.
 Embora, a maioria das pessoas atribua o risco ao ato cirúrgico, este realmente existe, porém, o maior risco está em não entender os fundamentos do tratamento da obesidade. Esse tratamento é difícil e requer atitudes firmes e persistentes do paciente. O obeso que precisa resolver o seu problema, não deve achar que atos isolados podem solucionar algo de tamanha complexidade. A compreensão inadequada do tratamento pode gerar déficits nutrológicos, a persistência ou o retorno da obesidade. Ser prudente e buscar informações diminuem muito os riscos.
Paulo Góes Ribeiro é médico, nutrólogo-especialista pela Abran CRM 80008



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