02/08/2017 12h00 - Atualizado em 02/08/2017 12h00 | Ipanema Online

Advogado: vice foi "brilhante" durante oitiva



Ouça a fala do advogado de Jaqueline no áudio acima

O depoimento da vice-prefeita de Sorocaba, Jaqueline Coutinho (PTB), à Comissão Processante, durou 1h37. De acordo com o advogado dela, Márcio Rogério Dias, a vice reiterou tudo o que já havia dito à imprensa, à Polícia Civil e ao Ministério Público. 

À imprensa, Jaqueline preferiu, desta vez, não comentar a respeito da oitiva, mas pediu para seu advogado se dirigir aos jornalistas. "Foi ótimo. Quem fala a verdade, repete reiteradamente. Inclusive, ela menciona em seu depoimento que, se assim, estiver viva daqui  há 20, 100 anos, será o mesmo depoimento. A doutora falou de forma brilhante, concisa, com o coração", afirmou Dias.

"Tanto os membros da mesa da CP fizeram suas indagações, perguntas. Tudo da mais perfeita ótica. Ela deixou muito claro que realmente foi humilhada, agredida de forma psicológica e que, ainda pensa em fazer representação ao chefe do Executivo [Crespo] por injúria", relatou. 

Questionado pelo jornalista Gustavo Ferrari se o prefeito busca reconciliação com Jaqueline apenas se ela se retificar de alguns pontos de suas próprias declarações, o advogado responde que "este é um modus operandi do democrata de intimidar, constranger, amedrontar". "Jaqueline tem histórico de 30 anos de delegada da polícia. Ela jamais iria se curvar ou se furtar a qualquer constrangimento ou interposição. Todos sabem como ocorreram os fatos. Por que não comparecer e dialogar com a desembargadora?", questionou.

Dias ainda comentou a respeito do convite da desembargadora Isabel Cogan para que o prefeito José Crespo (DEM) e a vice compareçam ao seu gabinete na capital paulista, nesta quinta-feira à tarde, para conversar sobre a desavença política entre eles. "Que a gente possa conversar, que ele possa explicar. O fato da desembargadora estar nos chamando é inédito", disse.

Na programação de depoimentos ainda constam o secretário do Gabinete Central, Hudson Zuliani; os servidores Raphael Pironi de Souza e Carlos Henrique Mendonça; e o corregedor-geral do município, Gustavo Barata. A ex-assessora Tatiane Regina Goes Polis será ouvida às 12h30. Em seguida, prestam depoimentos o mantenedor da Esamc, Luiz Castanho; Luiz Cláudio Oliveira dos Santos, do Rio de Janeiro; o servidor da secretaria de Educação do Rio de Janeiro, Jaime G. de Moraes Filho, e o secretário estadual da referida pasta, Wagner Victer.

São integrantes da Comissão Processante os vereadores Fausto Peres (Podemos), Vitão do Cachorrão (PMDB) e Silvano Júnior (PV)

A investigação

A CP busca apurar se Crespo prevaricou (cometeu crime contra a administração) ao não investigar a denúncia de que Taty Polis teria apresentado diploma falso de ensino fundamental para então exercer o cargo de assessora nível III cujo salário é de R$ 9.196,00. A denúncia, anônima, teria chegado ao conhecimento de Jaqueline enquanto prefeita em exercício. Após a volta do democrata de viagem ao exterior, a vice teria informado, junto ao secretário de Gabinete Central, Hudson Zuliani, sobre o caso ao prefeito, em seu gabinete, em reunião também com a presença do corregedor-geral, Gustavo Barata e a ex-assessora. Segundo o relatado pela petebista, Crespo exaltou-se na reunião e disse que ela estaria "proibida de prosseguir com a investigação". Porém, essa versão chegou a ser negada tanto por Crespo quanto Tatiane, quando ambos disseram que ela possui os documentos e Barata realizou a investigação necessária para comprovar a existência deles.