08/05/2017 13h32 - Atualizado em 08/05/2017 13h32 | Ipanema Online

Pais de adolescentes: quais as preocupações quanto aos filhos?



Por Cida Haddad 

Os pais de adolescentes ganharam nos últimos tempos mais um assunto para estarem atentos: o jogo conhecido por Baleia Azul. O jogo disputado pelas redes sociais propõe uma série de desafios como automutilação e até casos de suicídio estão sendo investigados para saber se há relação com o Baleia Azul. Além do jogo, a série 13 Reasons Why, que tem como tema o suicídio, da Netflix, também tem estado em destaque na mídia. 

Diante de assuntos considerados polêmicos, como os pais devem agir em relação aos filhos? Há motivos para preocupação? 

A psicóloga clínica Sylvia Fernandes Labrunetti comenta que quando o assunto é adolescente, o essencial é o diálogo. Segundo ela, pais devem estar sempre em conexão com o mundo adolescente. “Manter diálogo sempre é essencial, porque quando a gente se depara com um jogo como esse ou com outras situações que podem ser consideradas ‘perigosas’ ter sempre o diálogo facilita para que muitos pontos sejam esclarecidos”, comenta Sylvia. 

De acordo com a psicóloga, o diálogo entre pais e adolescentes geralmente é considerado difícil por serem mundos muito diferentes. “O adolescente está em uma fase de querer impor verdades, de enfrentar a verdade dos pais. No caso do jogo, o ideal é um diálogo aberto, perguntar para o filho se ele conhece sobre o assunto, já ouviu falar sobre o assunto, perguntar sobre o que ele acha dos temas. 

Ameaça?

“Tenho uma opinião a respeito dos jogos que os pais que não conhecem os seus filhos, que não têm liberdade com os filhos que não têm diálogo, proximidade ou que muitas vezes afastam os filhos esses pais correm risco de ter surpresa sempre”, diz Sylvia. 

“Quando a gente pensa no jogo eu não vejo esse jogo ou qualquer outro jogo como uma ameaça a um adolescente que está sendo bem constituído, em termos de personalidade”, diz. “Os pais não devem se preocupar tanto com o que está fora, com videogames, jogos se eles têm certeza de que conhecem o filho, de que são próximos do filho, de que têm abertura de ouvir o filho, porque esses jogos ou qualquer outra possibilidade aparecem e sempre apareceram independente da internet”, complementa. 

A atenção sempre tem que existir, segundo a psicóloga, mas conforme diz Sylvia, a atenção deve ser maior quando há brecha ou no momento em que o adolescente se vê sozinho. Inclusive, a dica dela é no caso de séries, vale a pena os pais sentarem, assistirem junto, conversarem abertamente sobre o tema com os filhos. “O que vejo é que a preocupação dos pais deve ser a de conquistar os filhos, para que qualquer problema que for acontecendo haja a possibilidade de acesso dos filhos aos pais. O problema que vejo é dos pais colocarem a culpa nos jogos e não olharem a relação deles com seus filhos”, afirma Sylvia.  

Sem muito tempo

Trabalhar fora, cuidar da casa ... como acompanhar os filhos diante dessa rotina? “Muitas vezes as pessoas se enganam achando que é o tempo que vai fazer a diferença nessa relação pais e filhos, mas, de acordo com a psicóloga, não precisa de muito tempo para que o adolescente se sinta amparado, se sinta olhado. 

Outra dica dela é realmente usar a proporia “linguagem” dos adolescentes para melhorar os contatos, ou seja, usar a tecnologia como aliada: mandar uma mensagem por whatsapp, perguntar sobre o dia, ou seja, para ela, tudo é uma questão de organização. “As pessoas ainda têm uma crença que a criança precisa só de comida para crescer bem. Esse cuidado emocional, muitas vezes, os pais não dão nem para si mesmos”, ela afirma. 

Medo da adolescência? 

Outro ponto destacado por Sylvia, é que há pais que veem a adolescência como se fosse um bicho de sete cabeças. “O adolescente tem uma fragilidade, ele ainda é a criança que o pai e a mãe conheceram, a maior dificuldade eu vejo está em não ouvir os filhos, ou seja, os pais querem que os filhos ouçam, mas não eles não ouvem os filhos, e essa falha na comunicação é o que causa mais dificuldade nas relações entre adolescentes e os pais. Quando pensamos em ouvir os adolescentes, por mais que as ideias deles sejam até utópicas, eles precisam ser ouvidos com seriedade, respeito”, explica. 

A psicóloga reafirma a importância do diálogo constante, aberto, principalmente quanto a temas como suicídio, estupro, bullying, droga, tudo que permeia o mundo do adolescente. “Esses adolescentes saem da adolescência e começam a pisar no mundo real, a andar com as pernas deles, assim é essencial querer conhecer o filho e não querer formar um filho, porque há pais que têm ideia de que ele vai fazer um ser humano do jeito que ele quiser e ele ficará frustrado porque o filho não tem que ser moldado. Ainda quanto aos jogos, por exemplo, por que os pais não tiram dúvidas sobre o que os filhos sabem sobre os jogos, sobre o que são mesmos os jogos, aos filhos? Muitas vezes o pai tem a ideia de que tem que passar a ideia de ser um adulto seguro, um adulto firme, mas isso nem sempre acontece em 100% das situações. Quando você se desarma na frente de um adolescente, a relação pode até fluir melhor”, comenta.