08/04/2017 09h09 - Atualizado em 07/04/2017 08h57 | Ipanema Online

Sorocaba pode ganhar "bonde moderno" nos próximos anos



Por Cida Haddad

Uma reunião deu o pontapé inicial para a viabilização de uma das principais promessas de campanha do então candidato a prefeito José Crespo (DEM). O prefeito, juntamente com o secretário de Planejamento e Projetos da prefeitura, Luiz Alberto Fioravante receberam no Paço Municipal representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) e da Rumo, para apresentar a ideia básica para a implantação do metrô de superfície em Sorocaba, mais conhecido como Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). 

A boa notícia é que a proposta foi avaliada e ganhou “boa aceitação verbal”, o que já significa um passo importante. A Secretaria de Planejamento e Projetos acrescentou que uma audiência em Brasília deve ocorrer ainda neste mês, provavelmente na última semana. 

Fioravante confirmou que acompanhará o prefeito na visita ao Dnit em Brasília, para tratar da assinatura de um documento entre a prefeitura, o Dnit e a concessionária Rumo. Vai depender da aprovação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a oficialização do documento [acordo] quando, aí sim, possibilitará ao município implantar e operar o VLT, que irá utilizar a malha ferroviária já existente na cidade de Sorocaba.

A partir da assinatura entre as partes, segundo Fioravante, a Secretaria de Planejamento e Projetos vai fazer um projeto de viabilidade econômica, além do projeto técnico. O passo seguinte será o projeto executivo que será elaborado em conjunto com a Secretaria de Mobilidade e Acessibilidade, a qual pertence a Urbes - Trânsito e Transportes - que será a gestora do VLT, uma opção a mais de transporte coletivo para o percurso Leste-Oeste da cidade, enquanto o BRT ligará as regiões Norte-Sul. 

De acordo com os estudos da Secretaria de Planejamento e Projetos, o VLT municipal poderá compartilhar os trilhos do transporte de cargas sem prejuízo para ambos.

Bonde moderno 

O “bonde moderno”, como é chamado por Fioravante, circulará dentro de Sorocaba, desde a região próxima de George Oeterer em Iperó, até o bairro Brigadeiro Tobias. “É um sonho do prefeito José Crespo e meu que compartilhamos há mais de 20 anos e podemos contar com a via férrea, que já pertenceu a Sorocaba e à Fepasa, que hoje tem baixo fluxo de circulação de trem de carga. 

Nas antigas Oficinas da Sorocaba, o projeto prevê ainda a implantação de um centro cultural. Não haverão impedimentos legais, uma vez que “hoje a legislação permite o compartilhamento da ferrovia, não tem desapropriação. Ele vai rodar numa via segregada, fechada, podemos ter uma velocidade de até 70 quilômetros por hora e vamos ligar a região Norte até a cidade em no máximo 15 minutos. Na realidade nós estamos colocando Sorocaba num plano de cidade de qualidade de vida”, explica Fioravante. 

Percurso

O percurso total prevê desde a região próxima de George Oeterer em Iperó até o bairro Brigadeiro Tobias. Nesse trecho haverá vários modernos pontos de embarque e desembarque de passageiros, inclusive utilizando a Estação Ferroviária, que fica na Afonso Vergueiro e foi um dos símbolos da grandeza da ferrovia no passado.  Haverá ainda um ponto de embarque e desembarque no Alto da Boa Vista, região em que circularem milhares de trabalhadores em empresas privadas e nos serviços administrativos da cidade. O ponto final será na histórica estação desativada, em Brigadeiro Tobias.

O modelo VLT  escolhido, parecido com o da cidade de Santos, tem condições de atingir uma velocidade de até 70 km/h e capacidade de transportar de 250 a 350 passageiros e é movido a energia elétrica do sistema de distribuição da CPFL Piratininga, ou seja, não vai gerar poluição ambiental e nem sonora, já que é um veículo silencioso. O VLT poderá ter até sete vagões, todos interligados, equipados com ar condicionado, sinal de internet sem fio, tomadas para carregar de celular e sistema de segurança com vigilância interna por câmera de vídeo e comunicação completa com as estações e centros de controles. As plataformas de embarque ou desembarque terão 45 metros ou 35 metros.

O custo para implantação e gerenciamento do novo sistema, de acordo com Fioravante, contará com recursos de 100% da iniciativa privada. “O poder público vai ser o concessionário que dará a concessão e operação desse sistema que será ainda integrado com o sistema de ônibus, ficando a gestão do VLT feita pela Urbes”, diz.  

Para encerrar, perguntado se acredita na aprovação e realização desse projeto, o prefeito Crespo disse que acredita em 80%. Fioravante é ainda mais confiante e não titubeia: “Acredito em 99,99%”