18/03/2017 07h47 - Atualizado em 17/03/2017 11h31 | Ipanema Online

Região é destaque com sustentabilidade inovadora




Por Cida Haddad

Transformar a bituca de cigarro em massa celulósica. Quando que fumantes e não fumantes imaginariam que isso é possível? Pois o trabalho feito na Poiato Recicla, com a primeira usina nacional, e única no Brasil, de reciclagem de bituca de cigarro, que fica em Votorantim, comprova que isso é uma realidade e o ineditismo do trabalho tem sido destaque na mídia internacional.

O diretor Marcos Poiato conta que a Poiato Recicla é uma empresa de prestação de serviços que está no mercado há seis anos, mas que a instalação da usina foi em 10 de março de 2016, com tecnologia desenvolvida e patenteada pela Universidade de Brasília (UnB), onde Poiato, esteve nesta semana para apresentar os resultados do primeiro ano de trabalho.

Poiato, que tem formação em Marketing e trabalhou  por 18 anos em indústria farmacêutica, sendo que boa parte nas áreas cardiovascular e sistema nervoso central, conta que o “insight” do empreendimento voltado ao meio ambiente e de destinação das bitucas surgiu diante do fato de estudar sobre os malefícios do cigarro e perceber que após a criação da Lei Antifumo (pela qual não é permitido fumar em locais como interior de restaurantes, bares, escolas, supermercados etc) as pessoas passaram a descartar mais ainda as bitucas nas ruas, provocando sérios impactos ambientais. “Assim surgiu a ideia das caixas coletoras nos ambientes externos, com informações sobre preservação do meio ambiente e a criação de um serviço de coleta”, explica Poiato. Segundo ele, inicialmente os resíduos eram encaminhados para uma empresa parceira no projeto, responsável pelo tratamento deles e a parceria com a Universidade de Brasília surgiu após o conhecimento sobre pesquisas quanto ao descarte das bitucas de cigarros.

Entre as etapas do trabalho realizado pela Poiato Recicla e na usina estão: instalação das caixas apropriadas para o descarte, a retirada das bitucas dos locais onde estão instaladas as caixas coletoras, a descontaminação dos resíduos do cigarro e a transformação das bitucas em massa celulósica descontaminada. Por mês, são coletadas em média 180 quilos de bitucas, o que equivale a 2500 bitucas em mais de 140 empresas de várias regiões. Entre as cidades estão: Votorantim, Boituva e Campinas. 

Educação ambiental para o mundo

Mais do que o empreendedorismo do negócio, Poiato destaca a preocupação com o meio ambiente e com ações que possam levar a educação ambiental para o maior número de pessoas. Nesse conceito, Poiato destaca a parceria, inicialmente, com os Sesi Votorantim e Sorocaba e agora a parceria se estende para todas as unidades do Sesi no estado de São Paulo, com o programa “Reciclando Bitucas”, no qual a massa celulósica é hidratada e transformada em papel por processo artesanal.

Poiato destaca também a parceria com a Esamc Sorocaba, por meio do GENS (Grupo de Estudos em Negócios Sustentáveis da Esamc). Todo o trabalho desenvolvido pela usina tem sido destaque na mídia nacional e isso chamou a atenção da mídia internacional. Profissionais de jornalismo televisivo, de jornais impressos, blogs de vários países já estiveram em Votorantim para conhecer os serviços. Profissionais da Poiato Recicla também participaram da Rio + 20 e recentemente as Paraolimpíadas.

Sobre as bitucas

* Representam 40% dos lixos de mão

* É lixo tóxico, com mais de quatro mil substâncias tóxicas

* 20 bitucas em 10 litros de água equivalem a um litro de esgoto

* demoram de 15 a 20 anos para se degradarem

Fonte: Poiato Recicla