14/03/2017 08h53 - Atualizado em 14/03/2017 08h53 | Ipanema Online

Décio Clementino: humor e interatividade




Por Cida Haddad

Quase Sorocaba inteira quando ouve o bordão “Óia a hora, Óia a hora” ou “morra, morra, mas morra contente e vá com Deus”, ao falar de uma empresa de serviço funerário, um dos patrocinadores de seu programa, identifica na hora que se trata de Décio Clementino, que com seu bom humor faz companhia e angaria milhares de ouvintes transformando seu programa na de maior audiência das madrugadas do rádio sorocabano.

Décio Clementino, a mais nova contratação da Rádio Ipanema, apresenta o seu “Programa Décio Clementino”, das 4 às 6 horas, de segunda a sexta-feira e aos sábados, das 4 horas às 6h30. Com sua maneira toda peculiar – onde se vale de berros e gritos ao microfone, para “despertar” o ouvinte, o apresentador é campeão de interatividade com seus fiéis fãs que os acompanham há mais de 32 anos de atividade profissional, levando a eles muito carinho,  humor e músicas caipiras, a verdadeira música sertaneja de raiz.

Pouca gente sabe, mas Décio é enfermeiro, já foi engraxate, lavador de carro. A história dele com o rádio sorocabano começa em 1986, de uma maneira inusitada, quando foi contratado como enfermeiro particular para cuidar do fundador da Rádio Cacique, Orlando Bismara, o “Seo Landico”. Durante esse novo trabalho, certo dia, pediram para ele buscar em casa um dos locutores da emissora, o Valone Neto, que trabalhava às 4 da manha. Como Décio acompanhava o programa no estúdio, um dia Valone Neto pediu que ele “gritasse a hora” e lá foi ele, tímido no começo, mas pegou gosto pelos gritos. Um dia, Valone não pode ir trabalhar, pois estava doente, e para a emissora não ficar sem locutor no horário, Décio, com toda simplicidade, iniciou os bordões “Acoooordaaaa.... Óia a hora”.

Simplicidade

Há mais de 30 anos, Décio Clementino tem a marca da simplicidade. Esse jeito alegre, despojado, humilde, ele garante que é presente em todos os momentos. “Eu sou assim na rua, no microfone, eu sou esse cara. Não sou melhor que ninguém”, diz. 

Décio Clementino sabe de sua grande audência de uma maneira simples e direta: andando na rua. Quando alguém grita meu nome na rua, eu grito também de volta, cumprimento todo mundo”, comenta. Um ponto que ele destaca é que nunca faltou no serviço, nunca gostou de deixar programa gravado, sabe fazer ao vivo, “sentar, abrir o microfone e falar o que dá na cabeça”.

A simplicidade está ligada também com o gostar de ajudar a todos e a respeitar o público, “dentro e fora do ar”, o que afirma ter aprendido com Valone Neto. “Abraço todo mundo, não gosto de pessoas estrelas. O que vou falar não considero ser estrela, mas respeito tanto meu público, que sei que há muitos ouvintes que não veem a hora de chegar as quatro da manhã para ouvir o programa, eles contam para mim quando ligam na emissora, aliás faço questão de atender os telefonemas, tem ouvinte que liga triste, chorando, com depressão, converso, digo que tudo vai dar certo”. Aliás, ele tem um público diversificado, desde  morador de rua, juízes, delegado, coronel, médico, catador de papelão, funcionários de fábricas, motoristas de ônibus etc. Já chegou a fazer um apelo pelo rádio para que um veículo roubado fosse recuperado e o apelo deu certo. É uma felicidade para mim ser amigo de todos”, diz.

Tristezas?

Décio comenta que o levar alegria às pessoas o faz muito feliz. “Muita gente pergunta se não tenho tristeza, claro que tenho porque sou normal, tenho tristeza, tenho dívida, pessoas que não gostam do meu jeito, falo ‘abobrinha’, mas os problemas ficam todos na porta da rádio, adoro fazer o que faço, tenho uma família abençoada, fui muito feliz na Rádio Cacique e tudo tem o tempo de Deus. Tenho Deus em toda a minha vida, e houve a mudança de emissora e estou com a nova família, a família Ipanema e hoje as pessoas gritam: ‘agora é Ipa’ e muitas pessoas me reconhecem pela voz”, diz.

Décio Clementino guarda um segredo que poucos sabem: ele só apresenta seus programas sem camisa, mesmo no estúdio gelado pelo ar- condicionado. Ele abriu exceção para o fotógrafo do Jornal Ipanema, Julio Salvo, quando vestiu uma camiseta da Ipanema.