17/02/2017 16h25 - Atualizado em 17/02/2017 16h25 | Ipanema Online

"Invista em seu casamento", diz psicóloga




Por Cida Haddad

Como manter um casamento por muitos anos? Essa é a pergunta que muitos casais fazem diante de situações do dia a dia consideradas tão difíceis como crise econômica, desemprego, contas a pagar etc.  A psicóloga clínica Maria Aparecida Leite Vaz de Arruda comenta que no passado o casamento era uma “instituição protegida”, entre outros motivos, pelo fato de que o homem era o provedor e a mulher ficava em casa, cuidando do lar e dos filhos. “Hoje temos o homem e a mulher que trabalham fora e cuidam da casa juntos, muitas vezes. Nos mais jovens, essa igualdade já é mais real, enquanto nos mais velhos há ainda resistência”, diz.

Muitas são as situações hoje que tiram o sono do casal e fazem com que aquela tradicional frase “até que a morte os separe” esteja ficando um pouco em desuso.

Maria Aparecida comenta que são atitudes simples que ajudam no “investimento de um casamento”, pois segundo ela é preciso sim “investir nas ações” para que o relacionamento não “morra” com a rotina.

No início dessa matéria foram citados problemas financeiros, vistos frequentemente nos lares dos brasileiros hoje em dia. Em casos assim, que envolvem desemprego, a dica de Maria Aparecida é o apoio. Segundo ela, é importante lembrar que um casamento é feito por duas pessoas e o “se colocar no lugar do outro”, ter empatia nos momentos de dificuldades é essencial. “É preciso sair do julgamento, das críticas, lembrar que todos temos defeitos e qualidades”, afirma.

ATIVIDADES EM CONJUNTO

Mesmo com os problemas do cotidiano, um relacionamento não pode se tornar tão pesado a ponto dos momentos de intimidade serem esquecidos.  “Apesar de todas as pressões, é necessário esforço do casal em situações como o jantar, por exemplo, ter pelo menos uma refeição junto com toda a família faz diferença no relacionamento. Se isso não é possível durante a semana, que no final de semana o casal realize atividades em comum e tenha tempo também para namorar, mesmo que tenha muitos filhos”, afirma Maria Aparecida.

A psicóloga comenta que hoje pensamos mais no futuro do que no presente, ou seja, trabalhamos horas e mais horas para garantirmos um futuro melhor para a família, o que gera ansiedade e esquecemos de que o futuro será melhor se o presente for bom.

Cultivar boas ações no presente também tem relação com o se relacionar com os filhos. “Para construir uma família vale lembrar que filhos são dádivas, exigem atenção, mas são dádivas e hoje o que falta é a união do casal em decisões tomadas com os filhos, ou seja, os filhos precisam sentir essa coesão, não pode o pai falar sim e a mãe falar não o tempo todo e os pais devem sempre estar juntos na educação dos filhos”, diz.

REDES SOCIAIS ATRAPALHAM?

Não tem como negar que as redes sociais fazem parte do dia a dia da maioria dos casais. Será que toda a exposição nas redes sociais atrapalha o relacionamento? Segundo Maria Aparecida, o primeiro ponto a ser considerado quanto ao assunto é que as relações devem ser discutidas no âmbito pessoal e não no coletivo e a privacidade deve ser mantida. “Quais são os mecanismos que fazem as pessoas terem de se expor tanto? É como se você vivesse em função do que o outro pensa, o outro diz, pessoas que, às vezes ,você nem tem uma relação profunda”, questiona a psicóloga.

INVESTIGAR O CELULAR?

É muito comum nos bate-papos as pessoas comentarem sobre as esposas ou maridos que olham as mensagens nos aparelhos de telefone celular ou no Facebook dos companheiros. Isso remete a uma outra questão: a confiança, diz Maria Aparecida. “À medida em que você precisa investigar o celular, quais os relacionamentos das pessoas e como elas se portam existem, então, basicamente há uma falta de confiança no parceiro (a) e a confiança é a base primeira de relacionamento”, garante.  “É preciso separar o joio do trigo. Se você tem uma pessoa querida você deve conhece-la suficientemente para imaginar que ela faria ou não determinada coisa”, complementa Maria Aparecida. Caso isto [a confiança, conhecimento do outro] não ocorrer, diz a psicóloga, isto significa que a relação não está pautada em bases sólidas e esse “nível investigativo” em excesso se torna altamente angustiante.”

Algo que ajuda também em um relacionamento é a autoestima. “Antes de eu ter o outro eu tenho a mim. A primeira pessoa que tenho sou eu e preciso cuidar de mim e, assim consequentemente, cuidarei do outro. Amar-se sim, mas não no sentido narcisista, do exagero”.