11/02/2017 09h36 - Atualizado em 10/02/2017 11h24 | Ipanema Online

O perigo de os jovens não usarem preservativo




Cida Haddad

Muitas pessoas aguardam o final deste mês de fevereiro para a chegada do Carnaval, seja para viajar, descansar ou para curtir a folia. Esse aproveitar e sambar muito traz uma preocupação, principalmente dos profissionais da saúde, que já se mobilizam para campanhas voltadas à prática do sexo seguro durante o Carnaval. 

Sexo seguro lembra a prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e Aids. Levantamento feito pelos profissionais do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) da Prefeitura de Sorocaba, aponta que em 2016 foram notificados 187 casos de HIV (vírus da Aids) e 15 de Aids (total 202 casos). Destes, 91 casos relataram comportamento sexual heterossexual, 100 homossexual e 11 bissexual.

Dos casos notificados, quanto à faixa etária, os dados são os seguintes em relação aos comportamentos:

    HETEROSSEXUAL: 15 a 19 anos: 3 casos/ 20 a 29 anos: 28 casos/ mais de 30 anos: 60 casos

    HOMOSSEXUAL:  15 a 19 anos: 10 casos/ 20 a 29 anos: 49 casos/ mais de 30 anos: 41 casos

    BISSEXUAL: 15 a 19 anos: 1 caso/ 20 a 29 anos: 2 casos/ mais de 30 anos: 8. 

De todos os casos apontados, chama atenção os números referentes aos jovens das faixas etárias de 15 a 19 e 20 a 29 anos. A coordenadora do CTA Isis Camara Barros Teixeira comenta que quase 48% dos casos, somente de janeiro a agosto de 2016, foram registrados em jovens. Mas o que será que mudou, principalmente quando falamos em jovens, quanto ao sexo seguro, à prevenção? 

 DÉCADAS PASSADAS 

Quem viveu as décadas de 1980, 1990, tem claramente na memória a preocupação, até mesmo o temor quanto à Aids; a época, inclusive com a morte de personalidades como o cantor Cazuza devido a complicações decorrentes da Aids. 

O tempo passou e os jovens de hoje, até mesmo diante da busca na área da Medicina, pela melhora na qualidade de vida dos pacientes com o vírus da Aids, o HIV, encaram a doença de uma maneira diferente, assim como a prevenção dela. Essa visão, segundo a coordenadora do CTA, é perigosa, pois não é porque existem os chamados medicamentos antirretrovirais (que não eliminam o HIV, mas ajudam a controlar a infecção e evitar o enfraquecimento do sistema imunológico) que não precisa haver preocupação, prevenção e está ligada a ações simples como o uso de preservativos, as “conhecidas” camisinhas. “Em Sorocaba, a população pode pegar gratuitamente os preservativos nas Unidades Básicas de Saúde e no CTA”, lembra Isis. 

Hoje há também a chamada PEP Sexual, a Profilaxia Pós-Exposição Sexual, uma medida de prevenção que consiste no uso de medicamento até 72 horas após a relação sexual sem uso do preservativo, indicada para situações excepcionais sem o uso da camisinha, ou rompimento dela e tudo é feito com acompanhamento médico. 

HIV/ AIDS 

Isis comenta também que a informação, os esclarecimentos são sempre essenciais quando o assunto é HIV/ Aids. 

HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, causador da Aids que ataca o sistema imunológico. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+. Segundo Isis, ter o HIV não é a mesma coisa que ter a Aids. Há soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença, mas podem transmitir o vírus pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação. 

Como o organismo fica mais vulnerável a diversas doenças, de um simples resfriado até as mais graves, sintomas da Aids podem ser desenvolvidos.  

SEMPRE USAR PRESERVATIVO 

Em todos os tipos de relações, diz Isis, o preservativo tem que estar presente. Quando falamos em relações sexuais, um dos primeiros pontos a ser lembrados pelos casais é gravidez e preocupação com o uso do preservativo está em relação vaginal. Isis lembra que durante a anal (em todos os tipos de comportamento sexual), também a “camisinha” não pode ser esquecida. “Inclusive, além do uso da camisinha, o gel lubrificante deve ser usado também, para que o preservativo não seja rompido e seja melhorada a lubrificação do local e são evitadas fissuras”, comenta Isis. 

SÍFILIS 

Outro ponto que os jovens precisam estar atentos é que usar preservativo ajuda a prevenir as DSTs, as Doenças Sexualmente Transmissíveis. Se hoje os jovens têm uma visão diferente quanto à Aids, Isis comenta que há DSTs como a Sífilis que muitos nunca ouviram falar e que cada vez mais está de volta ao dia a dia das pessoas que praticam sexo. 

A Sífilis é causada por uma bactéria e, em geral, os primeiros sinais são lesões indolores no pênis, vagina ou ânus. Essas lesões costumam desaparecer mesmo sem tratamento, mas a doença continua ativa e há surgimento de outros sintomas como manchas na pele, nas palmas das mãos e solas dos pés e até afetar coração e sistema nervoso central.

“ISSO NUNCA VAI ACONTECER COMIGO” 

A psicóloga clínica e terapeuta sexual Osmeire Tobias Mendes diz que a prevenção do jovem no sexo é debatida há mais de 20 anos. 

Osmeire destaca que há pontos a serem considerados, como a nova geração não ter vivenciado fatos como a morte de pessoas famosas e até de ter “passado o susto” quanto à doença com o chamado coquetel antiaids, visto por muitos jovens como uma cura. “A falta de informação atrapalha e muito essa conscientização, assim como as pessoas pensarem que nada vai acontecer com elas; é o velho: ‘isso não vai acontecer nunca comigo’. Além do medo, ninguém quer falhar na Hora H, e os jovens, às vezes, se atrapalham em colocar preservativo”, diz Osmeire.  

Ela comenta ainda que hoje a idade do início das atividades sexuais é, muitas vezes, aos 13 ou 14 anos.