28/01/2017 10h08 - Atualizado em 27/01/2017 17h12 | Ipanema Online

José Francisco Martinez: principal articulador da Câmara Municipal



Por Gustavo Ferrari

Acostumado a ouvir muito e a falar pouco, o jeito sereno e aberto ao diálogo, que se irrita com baixa frequência em discussões polêmicas, mantém o engenheiro José Francisco Martinez (PSDB) como o principal articulador da Câmara Municipal de Sorocaba e o torna canal de comunicação eficaz entre Legislativo e Executivo, no que tange situações referentes ao amigo ‘intransigente’, José Crespo (DEM).

Martinez está na lida pública há 37 anos. O número sete se repete quando a questão é a presidência da Câmara. Esse estilo unânime, que mescla articulação e alinhamento político, alinha o perfil do engenheiro ao de um ‘professor’ querido por muitos e temido ao mesmo tempo. “O voto no Legislativo é do vereador, soberano... Disto, não abro mão”, afirma.

O tucano quase fez parte do governo Crespo. Foi anunciado como secretário de Relações Institucionais e Metropolitanas e substituído aos 48 minutos do segundo tempo pelo colega Anselmo Neto (PSDB). Preferiu permanecer na Câmara, executando a tarefa que exerce como ninguém: a articulação.

Coincidentemente, Martinez foi o único entre os vereadores que seguiram à Prefeitura (como Jessé Loures e Marinho Marte) a não se despedir dos funcionários, na última sessão do Legislativo de 2016. Manteve-se discreto dos holofotes.

No entanto, questões espinhosas rondam Martinez. Principal apoiador de Rodrigo Manga (DEM) à presidência do Legislativo em 2017, o tucano tem visto o democrata – que venceu a eleição – exonerar pessoas de sua confiança, como o secretário-geral, Joel de Jesus Santana, a coordenadora do cerimonial e presidente da Associação Sorocabana de Imprensa (ASI), Ângela Fiorenzo, e a coordenadora da TV Legislativa, Isabel Celeste, dos quadros de comissionados. “Ele teve de cumprir compromissos políticos; não vejo problemas nisso”, diz o vereador.

Martinez, como presidente da Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara, foi o responsável pela elaboração de dez emendas ao Projeto de Lei 16/2017, que promoveu a reforma administrativa no Paço. Elas foram aprovadas pelos vereadores, mas vetadas, em parte, pelo amigo Crespo. “Ainda não conversei com o prefeito. Os vetos se referem a parágrafos da lei. Quero entender o pensamento dele para emitir minha opinião”, afirma.

O PL 16/2017 propunha a criação de 70 cargos de níveis fundamental e médio. As emendas da CCJ eliminaram esses cargos, mas Crespo vetou uma parte (30 cargos de nível fundamental). Os 40 de nível médio ele manteve e, agora, caberá aos vereadores acatar ou derrubar o veto, em sessão prevista para acontecer na segunda semana de fevereiro.

Convicto, Martinez acredita ter feito “o melhor” à cidade naquele momento. “O entendimento nosso (da CCJ) é a mesma da Secretaria Jurídica da Câmara e do Ministério Público. É descabido criar-se cargos de quase R$ 7 mil, sem a obrigatoriedade de nível superior. Veremos os próximos passos”, diz.