27/10/2016 12h45 - Atualizado em 27/10/2016 12h45 | Ipanema Online

O que cada religião pensa sobre a vida após a morte




O dia de finados será celebrado na próxima quarta-feira (2). A data, que serve de reflexão e deixa mais intensa a saudade de entes queridos que já se foram, também é palco de discussão para a representatividade da morte e pós-morte para diversas religiões, que divergem sobre estes temas.

Enquanto algumas creem na reencarnação e ressurreição, outras não acreditam na vida após a morte. O Jornal Ipanema conversou com representantes de diversas religiões que revelaram o que cada uma pensa sobre luto, morte e pós-morte. Confira:

Igreja católica

A igreja católica acredita na passagem para a vida eterna, julgamento final, ressurreição e no encontro com Jesus Cristo. Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte. Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo. Os que ainda têm pendências, como pecados, passam por um purgatório, uma purificação para que a pessoa possa juntar-se à glória de Deus. Rezar pelos mortos também é algo levado a sério pela religião desde os primeiros séculos depois de Cristo.

“Para nós, cristãos, a morte não é o fim. É saída desta vida para a plenitude, para nos encontrarmos com Deus. Acreditamos na ressurreição, o mesmo que aconteceu com Jesus. Neste dia de Finados tentamos rezar a partir do conceito cristão da morte e olhar a esperança em Cristo”, explica padre Tadeu Rocha de Moraes, da Catedral Metropolitana de Sorocaba.

Igreja evangélica

Assim como a igreja católica, a evangélica crê na ressurreição. Outro aspecto similar é a questão do arrependimento dos pecados cometidos na terra para que o homem possa entrar no Céu. “Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que este corpo mortal se revista da imortalidade”, Corintios, capítulo 15, versículo 53. Já em João, capítulo 3, versículo 2, é revelado que, após a ressurreição, o homem será semelhante a Deus.

“Há um versículo na bíblia que diz ‘melhor é ir à casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete’. Passamos a vida toda nos preparando para vários acontecimentos: escola, faculdade, trabalho, casamento. Porém, nos esquecemos de nos prepararmos para a morte. O luto é um momento de dor, reflexão. O único caminho, verdade e vida é Jesus Cristo. O homem está ordenado a viver uma só vez. Nós devemos estar preparados para a morte e decidirmos se queremos a vida eterna. A igreja evangélica acredita na ressurreição e que viveremos eternamente ao lado de Jesus”, Carlos Cezar, pastor da igreja do Evangelho Quadrangular e deputado estadual pelo PSB.

Testemunha de Jeová

Na compreensão das testemunhas de Jeová, os mortos serão ressuscitados. Seguidores da religão acreditam que a salvação é obtida com uma combinação de fé, boas obras e obediência. De acordo com o site www.jw.org/pt, ao contrário do que muitos pensam, Deus não fez os humanos para morrerem. Ele criou o primeiro homem, Adão, com a perspectiva de viver para sempre na Terra. A única vez que Deus mencionou a morte foi quando disse a Adão qual seria a punição pela desobediência. Na revelação dada ao apóstolo João, Jesus reforçou a promessa de que os mortos serão ressuscitados. Ele descreveu uma época no futuro em que a morte libertará todos os que ela simbolicamente manteve cativos.

“A morte é o maior inimigo da humanidade, pois amamos muito as pessoas e não queremos perdê-las. Acreditamos que a ressurreição abre um caminho de vida eterna. Na bíblia, no livro Apocalipse, está escrito que 144 mil serão reis e sacerdotes ao lado de Jesus. O resto herdará a terra”, Pedro Calvache, testemunha de Jeová.

Igreja batista

A Igreja Batista, denominação Protestante de origem Anglo-Americana surgida em 1609, acredita que a morte acontece apenas uma vez. Após isso, a pessoa estará destinada para ir ao Céu ou Inferno. “Assim como a nuvem se desfaz e passa, assim aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir.” (Jó, capítulo 7, versículo 9)”. Segundo a igreja, Jesus revelou que há existência do Inferno e quem for pecador terá sua vida pós-morte recheada de dor e sofrimento. Haverá uma eterna separação entre os justos (obedientes) e os injustos (desobedientes). Não há segunda chance, não há meio termo, não há estado intermediário. Se em vida, a pessoa não se entregou ao seu senhorio, após a morte, entrará imediatamente em tormento.

Candomblé e Umbanda

Na concepção das duas religiões, aqui cada indivíduo é responsável por seus atos e busca por evolução na Terra. Também acredita em vários deuses, como Olórùn (Senhor dos Céus), o Eledá (Senhor da Criação), o Elemi (Senhor da Vida – Só Deus pode dar e tirar a vida).

“Cremos assim que tudo que é feito de errado, o que pode prejudicar alguém pagamos tanto em vida, quanto em morte e isto soma ou diminui referente à nossa evolução espiritual o que pode fazer com que sejamos mandados novamente para este plano após nosso desencarne”, explica Samir Castro escritor do Blog esuakesan.com.br e integrante da Sociedade Umbandista Zé Pilintra - Orixás - Amor e Fé.

“Devemos deixar claro que tanto para o Candomblecista, quanto o Umbandista o período da morte seria exatamente apenas a passagem. Muitos espíritos podem não compreender a sua passagem, permanecendo presos a este plano [físico], até mesmo achando que sentem dores, tentam manipular familiares, ficam vagando, ou apenas quietos olhando aqueles que deixaram, por este motivo cremos que forças divinas e até mesmo trabalhos espirituais possam ser realizados com a finalidade de desprender estes espíritos, de libertá-los e fazer com que os mesmos consigam seguir seu caminho”.

Espiritismo

Para o espírita que segue Allan Kardec, a morte é uma passagem. O espírito segue linha constante de evolução, renovação e aperfeiçoamento. Por conta deste fato, crê na reencarnação, assim como na comunicação com os mortos, por meio de mediunidade.

“Todos nós somos espíritos. A morte faz parte do processo da natureza. Embora a separação de nossos entes queridos seja dolorosa, faz parte da criação divina. Todos nós iremos nos reencontrar no plano espiritual”, relata Osmar Marthi, assessor de comunicação da USE (União das Sociedades Espíritas) de Sorocaba. “O luto é necessário, pois é um processo psicológico de aceitação. Para auxiliar quem está em luto temos grupos de apoio espírita e também o atendimento fraterno”, completa. O atendimento fraterno é feito em casas espíritas e não é mediúnico. Tem o intuito de auxiliar, apoiar e aconselhar com base na Doutrina Espírita e no Evangelho de Jesus.

“A nossa vida no mundo espiritual é consequência do que fizemos de bem o mal na Terra. A encarnação serve para o processo de evolução. Para que busquemos praticar caridade e paciência. Sempre passamos por método de progresso espírita”, finaliza Marthi.

Judaísmo

No judaísmo ortodoxo, o primeiro estágio de luto compreende o período de sete dias seguintes ao enterro conhecido em hebraico como Shivá. O terceiro e último estágio é o período de doze meses durante o qual as coisas retornam ao normal, e os negócios novamente se tornam rotina.

Um funeral judaico é uma cerimônia de calma. Uma mortalha branca é usada tanto pelos ricos como pelos pobres, um caixão simples de madeira, um enterro rápido sem ostentação são alguns dos costumes simples que predominam. Algumas proibições constantes no enterro judaico são: cremação e embalsamamento do corpo e veneração pelos mortos.

 A expressão judaica mais notável de dor durante o funeral é quando o enlutado rasga as próprias roupas antes do funeral. Sete parentes estão obrigados a desempenhar esta prática: filho, filha, pai, mãe, irmão, irmã e cônjuge. Ambos os conceitos de ressurreição e reencarnação são aceitos na doutrina. “A ressurreição é assim um conceito puramente escatológico. Seu objetivo é recompensar o corpo com a eternidade e a alma com perfeição mais elevada. Já o propósito da reencarnação geralmente é duplo: compensar uma falha na existência prévia ou criar um estado de perfeição pessoal novo, mais elevado, ainda não atingido”, explica Vanderlei Martinez, presidente do CCBI (Centro Cultural Brasil Israel de Sorocaba).