22/10/2016 09h01 - Atualizado em 21/10/2016 09h57 | Ipanema Online

Musicoterapia e a arte de estimular a vida




Quem passa pelos corredores de uma escola de inglês de Sorocaba e escuta, em uma das salas, música durante as aulas, tem uma certeza: aquela é a turma do professor Antonio Rolim Junior. Seja com crianças, jovens e adultos, ali a música funciona como uma motivação para os exercícios e atividades propostas aos estudantes. “Há cientistas que comprovam o benefício da música como um estimulante, mesmo que de forma inconsciente”, afirma o professor.

Se alguém reclama do “barulho” enquanto as atividades estão sendo realizadas? Junior mesmo explica: “Nunca recebi uma reclamação sobre minhas músicas durante as aulas. Na verdade, os alunos se acostumaram tanto que pedem para colocar música e eu sempre escolho as que eles gostam. Escolho as músicas de acordo com o gosto dos alunos, para que eles se sintam à vontade e motivados a continuar a estudar. Isso também deixa a aula viva”, frisa.

O professor, que, às vezes, deixa as músicas gravadas de lado para tocar violão e “divertir os alunos”, conseguiu, inclusive, aproveitar as canções para passar o conteúdo da disciplina. “Uso as músicas para analisar as construções da língua inglesa, se ela tiver a ver com o que os alunos estão estudando. Muitas vezes ocorrem coincidências de a música estar composta pelo tempo verbal que os alunos estão estudando, mas também tenho músicas que sempre analiso em aulas específicas”, explica.

Mas, essa não é apenas uma opção do professor de inglês. Seja para estudar, trabalhar ou praticar exercícios, muitas pessoas não dispensam o fone de ouvido ou, até mesmo, uma música bem alta. Segundo a musicoterapeuta Suzana Brunhara, o hábito de inserir canções no nosso dia a dia pode vir desde antes de nascermos. “A música e os sons fazem parte de nossas vidas desde nossa concepção. Os sons que ouvimos do líquido amniótico, batimentos cardíacos, e mesmos as músicas ainda no ventre materno, já começam a compor nosso universo sonoro que levamos por toda a nossa vida”, diz a profissional.

Com o passar dos anos, ressalta Suzana, vão sendo construídas memórias auditivas e emocionais que podem, nas crianças, expandir a rede de conexões neurais importantes para o desenvolvimento e, já na vida adulta, nos trazer à tona emoções de momentos marcantes. Além de influir no lado psicológico, a música, destaca a musicoterapeuta, também pode causar efeitos fisiológicos, tais como: incrementar ou diminuir a energia muscular; acelerar ou alterar a regularidade da respiração; produzir efeito marcado e variável na pulsação, pressão sanguínea e função endócrina; reduzir ou retardar a fadiga; aumentar a atividade voluntária; e provocar mudanças nos traçados elétricos do organismo e no metabolismo.

E, quais seriam os tipos de música mais indicados para estimular atividades? Isso, esclarece Suzana, varia conforme o gosto pessoal de cada um. Mesmo assim, a profissional destaca que, em alguns momentos, determinadas canções podem ser mais indicadas.

“Para atividades como esportes, em que se necessita de energia, músicas com ritmos marcados podem ser mais indicadas, pois elas podem ajudar a manter uma regularidade cardíaca. Já para dormir, precisamos acalmar o ritmo da respiração e, para isso, músicas mais calmas, mais lentas, seriam mais indicadas. Já para o humor, aí sim, o gosto é de cada um, pois algumas pessoas ficarão felizes em ouvir um sertanejo, outras pagode e outras com Andrea Bocelli”, pontua.

MUSICOTERAPIA

Em alguns casos, a música se torna uma parte imprescindível da atividade profissional. A musicoterapia, explica Suzana, é uma terapia que utiliza a música, sons e seus elementos musicais dentro de um processo para um paciente ou grupo. A prática pode ser utilizada, segundo ela, tanto para bebês quanto para a terceira idade. A musicoterapia tem a função de auxiliar no tratamento de diversos tipos de patologia, além de contribuir com aspectos como relaxamento e estimulação.

Entre as técnicas utilizadas, a profissional destaca a vibroacústica, cujo trabalho explora os efeitos da vibração dos sons no corpo das pessoas, utilizando-se, para isso, instrumentos específicos. Suzana frisa, ainda, a importância da verificação da formação profissional daquele que irá aplicar esse tipo de terapia.