A busca de investidores para entrar no negócio e permitir o seu crescimento não é o ponto forte das incubadoras, geralmente focadas no desenvolvimento do produto. Isso está mudando, porém. O Cietec (Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia), que fica na Cidade Universitária de São Paulo, começou uma série de apresentações para grupos interessados em investir em 21 das empresas do local.
Os investidores podem escolher até duas start-ups para iniciar as negociações. "Após o primeiro contato, o investidor vai ’mergulhar’ no universo da empresa para decidir se coloca dinheiro ou não", diz Sergio Risola, diretor-executivo da incubadora. "Antes, o investidor vinha, conversava com um monte de gente, mas acabava ’indo para a cama’ só com dois, o que deixava o clima ruim." demonstração
Para os donos de empresas incubadas que precisam de investimento, é importante participar de eventos do setor e apresentar os produtos.
Foi assim que Israel Cabrera, 40, conseguiu capital para montar sua fábrica de biomateriais para regeneração de ossos humanos. Depois de dez anos de pesquisa e quatro anos no Cietec, a Bioactive agora vai se instalar em unidade própria em Indaiatuba (SP).
Após uma apresentação em um evento na Bovespa, no ano passado, Cabrera recebeu propostas de 12 investidores. Ele não revela o nome do novo sócio. A Bioactive ficou um tempo acima da média em incubadora, mas o empresário afirma que o período foi necessário. "Um empreendimento de biotecnologia, em que você precisa de aprovação de um monte de órgãos, como a Anvisa, demora mesmo."
UrgênciaA incubadora C.A.I.S. do Porto, de Recife, que prioriza start-ups de tecnologia da informação e comunicação, trabalha com as empresas por, no máximo, um ano e meio.
Em certos aspectos, o trabalho da incubadora se aproxima do da aceleradora: nos primeiros seis meses, 20 empresas disputam entre si para continuar no programa. Dez continuam recebendo o apoio por mais um ano.
Vitor Andrade, coordenador de incubação do parque tecnológico Porto Digital, entidade responsável pela iniciativa, relata que a ideia é que os empreendedores trabalhem com um intenso senso de urgência. "A gente bota a empresa para desenvolver e validar o produto o quanto antes."
Essa rapidez é típica das aceleradoras. "Há muita cobrança por trabalho, por realizações. O empreendedor lida com o produto de forma mais intensa", destaca Adalberto Brandão, diretor de operações do centro de estudo de "private equity"da Fundação Getulio Vargas. (Felipe Maia/Folhapress)