14/03/2017 16h48 - Atualizado em 14/03/2017 17h02 | Ipanema Online

Sorocabano do TCE diz que foi "injustamente citado” em delação



Ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE), o sorocabano Fúlvio Julião Biazzi, concedeu entrevista ao jornalista Djalma Luiz Benette, em O Deda Questão, na manhã desta terça-feira (14), a Rádio Ipanema, e disse que a menção ao seu nome na reportagem da Folha de S.Paulo, no  domingo (12), a respeito de prática de suborno a conselheiros do tribunal, em delação premiada de executivos da empreiteira ré na Lava Jato, Andrade Gutierrez, traz “desconexão dos fatos”.

De acordo com Biazzi, a menção ao seu nome [na matéria da Folha] é uma "menção a latere". Conforme ele, o centro da matéria "é dirigido" a um outro ex-companheiro, que foi afastado do tribunal pela Justiça, no final de 2011, "sob acusação de enriquecimento ilícito”. Ele se referiu a Eduardo Bittencourt Carvalho.

Biazzi leu no ar um trecho da reportagem que diz: “Um dos relatos diz que a empresa [Andrade Gutierrez] pagava 1% do valor do contrato, que estava sob análise do tribunal, para Eduardo Bittencourt Carvalho, ex-conselheiro do órgão. O valor era entregue em dinheiro vivo, segundo um candidato a delator”. O ex-presidente acrescentou: “Não é nenhuma delação. É uma proposta de delação”.

O sorocabano ainda menciona a reportagem da Folha, quando diz que a empreiteira fez uma auditoria interna para identificar o caminho da propina repassada a Bittencourt. “Foi constatado que os pagamentos eram feitos por meio de um operador financeiro. Entretanto, a auditoria não teria encontrado sinais que evidenciassem a transferência de recursos aos demais conselheiros do Tribunal de Contas. Nem poderia haver rastro, porque isso jamais aconteceu. Nada houve, nada de irregular na minha atuação e de outros companheiros. Estamos ali expostos, fazer o quê?”

Para Biazzi, o que o consola nesse “episódio triste” foi o “número de amigos e conhecidos” que o deram “apoio e solidariedade", taxando a matéria como "ridícula". “Não há nenhuma acusação contra mim e demais conselheiros. Estamos ali [na matéria] para não falar como dama, mas cavalheiros de companhia” (sic).

Biazzi ressaltou que o que houve [na matéria] foi “desconexão com os fatos ali constantes, condição assumida na própria matéria, que explicitamente reconhece que não tem nenhuma relação a mim e aos demais conselheiros, com exceção daquele já citado [Bittencourt], que, aliás, não tinha e nunca teve nenhuma influência sobre os demais. Continuo tranquilo e sereno. Não tenho nada a temer”.