Informação e Credibilidade para Sorocaba e Região.

Witzel sinaliza trégua com Bolsonaro e pede diálogo após ser alvo de operação da PF

Agência Brasil
Postado em: 09/06/2020

Compartilhe esta notícia:

Folhapress

Duas semanas após chamar Jair Bolsonaro de fascista e ver uma ameaça de ditadura no país, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), disse que espera retomar o diálogo com o presidente da República.

Dependendo de negociações com a União para viabilizar seu governo, Witzel disse que quer ser recebido pelo presidente e até elogiou o envio de respiradores ao estado pelo governo federal.

"Tenho vários problemas a serem resolvidos, como o Regime de Recuperação Fiscal, a queda do royalty de petróleo. Nós temos muitos problemas e soluções para apresentar ao presidente. Continuarei crítico de forma respeitosa como sempre fui. E espero que o presidente possa me receber para que a gente converse e encontre as soluções", disse Witzel em entrevista à rádio Bandnews.

A fala do governador foi feita após ser questionado sobre notas da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, apontando o fato de ter recuado das críticas ao presidente após ser alvo de operação da Polícia Federal.

Desde o dia da operação, Witzel nunca mais criticou Bolsonaro no Twitter. Na sexta (5), ele fez uma referência negativa ao presidente em uma entrevista –mas respondendo à insinuação feita por Bolsonaro de que "brevemente" poderá ser preso.

"Eu tenho minhas diferenças com o presidente e continuo tendo. Todas as vezes que fiz as críticas ao presidente Bolsonaro foram no sentido a melhorar o nosso desenvolvimento econômico, e as propostas feitas na campanha com as quais conto que sejam realizadas. Especialmente o combate ao tráfico de armas e drogas", disse o governador.

O tom é distinto do pronunciamento feito logo após a Operação Favorito, que investiga sua participação em supostas fraudes na montagem e gestão de hospitais de campanha, bem como a relação sua relação e de seu entorno próximo com o empresário Mário Peixoto. Na ocasião, Witzel vinculou o presidente ao fascismo de viu ameaça de que ele se tornasse um ditador.

"Não abaixarei minha cabeça, não desistirei do estado do Rio, e continuarei trabalhando para uma democracia melhor. Continuarei lutando contra esse fascismo que está se instalando em nosso país, contra essa nova ditadura de perseguição. Até o último dos meus dias, não permitirei que, infelizmente, esse presidente que eu ajudei a eleger se torne mais um ditador na América Latina", completou.

Além do temor da continuidade das investigações, pesou para a decisão de Witzel a necessidade de negociar com o governo federal apoio financeiro para enfrentar os efeitos econômicos da pandemia.

O mais urgente é a renovação do regime de renovação fiscal, previsto para o fim deste ano. O estado depende da ampliação do prazo por mais três anos do pagamento das dívidas com a União para que consiga tentar se recuperar. Witzel também pleiteava mudanças em alguns pontos, que dependem de negociação com o governo federal.

O governador fluminense atravessa uma crise política desde que foi alvo da Operação Placebo. Seis secretários já deixaram o governo em mudanças que visavam tentar retomar o diálogo com a Assembleia Legislativa, onde há dez pedidos de impeachment.

Um dos pivôs da crise é o ex-secretário Lucas Tristão, também alvo da Placebo. Ex-braço-direito do governador, o advogado tinha péssima relação com os deputados estaduais e chegou a ganhar força na administração após a operação.

Após a nomeação de indicados por Tristão, Witzel perdeu seu líder na Assembleia e viu crescer as chances dos pedidos de impeachment prosseguirem. Ele, então, demitiu o ex-aliado, a fim de amainar o clima.

Compartilhe:

NOTÍCIAS RELACIONADAS

"Nos encontraremos", diz filha do Paulinho, vocalista do Roupa Nova, ao lamentar morte do pai

Bombeiros impedem mulher de cometer suicídio no centro de Sorocaba

Kassio se isola na defesa de pautas de Bolsonaro no STF e cumpre expectativa garantista

Suspeito de matar trans a pauladas se apresenta à polícia

Votorantim confirma mais três mortes por Covid-19; total chega a 39

“Jack Ryan” acerta com narrativa de espionagem e rende boa maratona