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Tribunal de Justiça autoriza Polícia Civil a realizar diligências em investigação contra José Crespo

Postado em: 25/05/2019

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A Delegacia Seccional de Polícia de Sorocaba recebeu, no fim da tarde de sexta-feira (24), autorização do Tribunal de Justiça (TJ) para realizar as diligências necessárias na investigação contra o prefeito José Crespo (DEM) no caso do “Falso Voluntariado” de Tatiane Pólis junto à Administração Municipal. A decisão foi tomada pelo desembargador Sérgio Ribas, da 8ª Câmara Criminal, após pedido da Procuradoria Geral de Justiça, e também ampliou o prazo da investigação em 60 dias.

O processo, que corre em segredo de Justiça, é relativo ao inquérito policial que investiga a prática de crime de responsabilidade por Crespo e o crime de usurpação da função pública, por parte da ex-assessora e ex-voluntária Tatiane Pólis, que teria atuado na Prefeitura de maneira ilegal.

Com a decisão do TJ, Crespo pode ser interrogado pela polícia, e a delegacia seccional, comandada pelo delegado Marcelo Carriel, também pode autorizar buscas e apreensões de documentos e equipamentos em endereços ligados ao prefeito. A decisão também é referente à Tatiane Pólis. A decisão foi tomada pelo TJ porque o prefeito tem prerrogativa de foro, o chamado “Foro Privilegiado”, em virtude de seu mandato.

O inquérito policial foi instaurado para apuração de crime de Usurpação de Função Pública (art. 328, do Código Penal), em razão de informações apresentadas pelo presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Sorocaba (SSPMS), Salatiel Hergesel. Em seu pedido, ele destacou que recebeu “inúmeras reclamações de funcionários públicos”, que alegavam que Tatiane Pólis atuava de forma ilegal dentro da Prefeitura, mesmo tendo sido condenada em primeira instância por crime de falsidade ideológica e por isso não poderia exercer qualquer função pública.

Segundo a denúncia de Salatiel, ela ingressou como voluntária e todos os dias despachava com o próprio prefeito em seu gabinete. “Não bastasse, a investigada dá ordens para todos os servidores municipais, chegando a interferir em transferências de funcionários, como forma de intimidação e demonstração de poder. E, ainda, como forma de continuar recebendo salário, passou a cobrar de alguns servidores municipais, bem como de pessoas que exercem cargo em comissão, valores para que não sofressem nenhuma represália”, concluiu a denúncia.

Crime interligado com “Casa de Papel”

A vereadora Iara Bernardi (PT), presidente da CPI do Falso Voluntariado, afirmou, durante entrevista ao Jornal da Ipanema, da Rádio Ipanema, na manhã de sexta-feira (24), que recebeu duas certidões, por meio do delegado Marcelo Carriel, apontando que os crimes apurados tanto na Operação Casa de Papel quanto na que investiga Crespo e a então voluntária Tatiane Pólis em suposto Falso Voluntariado “se unificam”.

Segundo a parlamentar, durante encontro com o titular da Delegacia Seccional, “pessoas se relacionam e relação é a mesma”. Esse relacionamento seria ligado, por exemplo, com atos supostamente ilegais, como desvio de recursos públicos, além de uso da máquina pública para trabalhar em campanha de reeleição do prefeito.

“Elas se unificam em vários pontos dessa investigação”, afirmou Iara. O assunto foi abordado na Tribuna da Câmara, na quinta-feira (23), pela parlamentar. “Os documentos apontam para a existência de uma organização criminosa operando na Prefeitura. São documentos do Ministério Público, do Gaeco, da Polícia Civil, do Tribunal de Contas do Estado. São dados fartamente documentados”, relatou.

Enquanto o Falso Voluntariado investiga Crespo e Tatiane Pólis, por conta da atuação da ex-assessora na Prefeitura como voluntária e que, segundo denúncia do ex-secretário de Comunicação, receberia R$ 11 mil como salário, que seria pago pela empresa de publicidade DGentil, que ganhou licitação para prestar serviços à Prefeitura, a Operação Casa de Papel investiga não só o democrata, como ex-secretários e empresários por organização criminosa, desvio de recursos públicos e corrupção.

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