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Sesc defende funcionária exposta em polêmica; vereador: “não me rotulem”

Postado em: 27/06/2019

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O Sesc Sorocaba, por meio de sua gerente-adjunta Kátia Barelli, se pronunciou no jornal da Ipanema, da Rádio Ipanema, nesta manhã de quinta-feira (27), a respeito da fala polêmica do vereador de que uma mulher trans ‘perseguiria’ mulheres cis que utilizam o banheiro feminino da unidade.

Kátia disse que a unidade não foi procurada pelo parlamentar para falar sobre o assunto e, além disso, reclamou da exposição da jovem. “Não fomos procurados para esclarecer, além da exposição desnecessária que a constrangeu muito”.

A gerente explicou que o Sesc trabalha com promoção e expressão de diversidade cultural há cerca de 10 anos oferecendo oportunidade de trabalho. “Não nos valemos de qualquer tipo de preconceito”. Ainda, defendeu a honra da funcionária supostamente exposta pelo vereador durante uso dele na tribuna. “Uma funcionária que tem o trabalho exemplar. Imagina o susto que a garota tomou quando soube que um homem na Câmara estava falando dela”.

O pastor, em sua colocação polêmica, chegou a afirmar que “fica um vagabundo no balcão e, quando vê a mulher entrar no banheiro feminino, entra, porque diz que se sente mulher”. Durante sua fala na tribuna, ocorrida em 13 de junho, o vereador inclusive criticou o Sesc e a UFSCar por “defenderem a ‘maldita ideologia de gênero”.

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Segundo Kátia, “a funcionária foi contratada por meio de processo seletivo, merecedora. É estagiária, jovem, estudante, trabalhadora”, classificou. Ainda, pontuou haver lei que permite ao transexual usar o banheiro de acordo com sua identidade de gênero.

Com a alta repercussão do caso, a unidade chegou a ser questionada por algumas pessoas se “houve assédio no Sesc”, boato desmentido.

Para finalizar, Kátia se colocou à disposição e convidou o vereador para conhecer a unidade por meio de visita guiada.

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A vereadora Iara Bernardi (PT), também presente durante a entrevista, opinou que seria dever do parlamentar ir ao Sesc após ter recebido a denúncia. “Ele tinha como obrigação como vereador ir e conferir isso. Ele veio com história de banheiro. nós temos o conselho municipal LGBT”, declarou.

Irritado com as colocações durante o programa, Luís Santos, que já havia participado do jornal nesta quarta-feira (26), ligou para a rádio para se defender novamente. “Não concordo a maneira que vocês estão conduzindo a entrevista que eu agredi essa moça. Não citei nome de ninguém. Repliquei o que uma mãe falou”, repetiu.

“Vocês estão consolidando que eu falei mal dessa moça, estagiária. Não fiz nenhuma acusação pessoal”. Seguindo com sua alegação, voltou a denunciar que “tem pessoas que ficam lá e, quando chegam, entram no banheiro feminino”. Kátia disse que o Sesc não recebeu nenhuma denúncia nesse sentido em seus canais de comunicação.

Já no final, aparentando exaltação, Luís Santos disse: “não aceito que me rotulem de transfóbico, preconceituoso, homofóbico, isso é calúnia”.

Por fim, frisou novamente “que fique claro que não expus ninguém, não agredi ninguém, só repliquei o que a mãe me falou”.

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A polêmica

A Associação Transgêneros de Sorocaba, a Comissão da Diversidade e a Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil repudiaram a explanação do vereador pastor Luís Santos (Pros), na Tribuna da Câmara Municipal, no último dia 13, quando afirmara “que a Ufscar e o Sesc defendem essa maldita ideologia, que subverte tudo aquilo que é racional… A mãe veio aqui, veio aqui, e não vou dizer o nome porque vocês conhecem, ela veio aqui e disse: pastor, está havendo um problema sério lá no Sesc. Fica um vagabundo lá no balcão, vê a mulher entrar em um banheiro feminino, ele entra, e diz que ele se sente mulher, então ele vai lá (sic)”.

Luís Santos referiu-se a uma estudante transgênero de pedagogia da Ufscar que faz estágio remunerado no Sesc. Segundo o vereador, mães de pessoas que frequentam as atividades na instituição foram reclamar a ele que ela [a estagiária transgênero] utiliza o banheiro feminino, o que, para ele, “é muita falta de vergonha de uma pessoa dessa, e nós não podemos aceitar isso (sic)”.

A presidente da associação, Sarah Pedro Correa, protocolou, nesta terça-feira (25), uma representação na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar contra o pastor, acusando-o de se utilizar de “uma expressão transfóbica caracterizada mais como uma conduta do que propriamente um discurso, não sendo cabíveis, portanto, argumentos pautados na liberdade de expressão do exercício parlamentar, visto que seu o discurso de ódio intencionou se em insultar, intimidar e assediar uma mulher trans, exclusivamente em virtude de sua pratica social, e pode ser definido como um ataque verbal enquadrado na tipificação penal de insulto do artigo 139 do Código Penal”.

Sarah pede ao presidente da Comissão, Anselmo Neto (PSDB), que se verifique uma possível quebra de decoro na fala do pastor, o que poderia ensejar uma punição, que vai desde uma advertência verbal até mesmo à cassação do mandato parlamentar.

Já a OAB, por meio de nota, diz que “discursos como esse legitimam ataques à integridade física e mental dessa parcela da população, já tão negligenciada pelo Estado, mantendo o Brasil na liderança do ranking de países que mais matam pessoas trans no mundo”.

Para a Ordem, na condição de representante do povo na Câmara Municipal, o vereador “não pode desrespeitar, publicamente, uma trabalhadora em razão de sua identidade de gênero, provocando constrangimento em seu local de trabalho. Além disso, observa-se em sua fala uma tentativa de criminalizar a existência e o convívio com pessoas transgêneros/transexuais/travestis como se, algo corriqueiro, como ir ao banheiro, fosse um ato de violência por si só”.

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