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Presidente da Câmara fala em “constrangimento” ao comentar denúncia

Postado em: 17/04/2019

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Em um dia que não ocorre sessão ordinária na Câmara, os vereadores devem fazer uma reunião às 9 horas desta quarta-feira (17), para debater as denúncias que caíram como uma bomba em Sorocaba, sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo os nomes do prefeito José Crespo (DEM) e Tatiane Polis, ‘voluntária’ que atuava na prefeitura. Assista abaixo

O ex-secretário de Comunicação Eloy de Oliveira, declarou em depoimento à Polícia Civil que Tatiane Polis, mesmo atuando como voluntária, receberia R$ 11 mil de ‘salário’, por determinação de Crespo, por meio de contrato da prefeitura com uma empresa de publicidade.

O presidente da Casa Legislativa, Fernando Dini (MDB), participou rapidamente, por telefone, do Jornal da Ipanema, da Rádio Ipanema, edição desta quarta. “Existe uma cidade constrangida com os fatos. A Câmara não pode se omitir com fatos concretos. Posso garantir que a Câmara cumprirá rigorosamente seu papel. Não iremos nos furtar de tomar decisões doa a quem doer, após comprovações dos fatos”, disse.

Na próxima terça-feira (23) os vereadores devem apreciar um pedido de abertura de Comissão Processante que tem o poder de cassar o mandato de Crespo. A votação deveria ocorrer na última terça, mas um aditivo ao documento fez com que ele voltasse a ser analisado pela Secretaria Jurídica da Casa Legislativa.

Questionado por Kiko Pagliato, diretor da emissora, se a Câmara poderá aprovar a Comissão Processante, assim cassando Crespo, Dini limitou-se a dizer que “um juiz não dá seu veredito antes da conclusão da sentença”.

A denúncia

O ex-secretário de Comunicação e Eventos da Prefeitura de Sorocaba, Eloy de Oliveira, fez um depoimento espontâneo à Polícia Civil na semana passada, e denunciou um esquema de corrupção, tráfico de influência e desvio de dinheiro público envolvendo o prefeito de Sorocaba, José Crespo (DEM) e a ex-assessora Tatiane Polis, que prestou serviços voluntários ao prefeito. Os depoimentos foram colhidos na quarta e sexta-feira da semana passada, na cidade de Salto, onde Eloy reside. Ele forneceu documentos e arquivos eletrônicos que embasam suas denúncias à polícia na esteira da investigação da Operação Casa de Papel. O IPA Online ainda não obteve respostas dos envolvidos.

As informações foram divulgadas com exclusividade pela TV TEM. O IPA Online teve acesso à detalhes das informações na tarde desta terça-feira (16). O presidente da Câmara Municipal, vereador Fernando Dini (MDB), a presidente da CPI do Falso Voluntariado, vereadora Iara Bernardi (PT), e o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, Salatiel Hergesel, estarão presentes nesta quarta-feira (17) no Jornal da Ipanema ao vivo, para comentar a situação política de Sorocaba. As entrevistas ao vivo no estúdio começam às 7h30.

Tatiane Polis e seu marido, William Polis, devem prestar depoimento amanhã na CPI do Falso Voluntariado. A comissão foi criada após denúncias de que Tatiane seguiria atuando na Prefeitura. A polícia civil investiga o caso a partir de pedido do presidente do Sindicato dos Servidores Públicos, Salatiel Hergesel, que recebeu denúncias de que Polis praticava assédio moral em servidores de carreira.

Eloy pediu exoneração na semana passada, após ser envolvido nas investigações da Operação Casa de Papel, que investiga a atuação de uma organização criminosa nas Secretarias de Comunicação e Cultura da Prefeitura. Em seu depoimento, ele afirmou que a ligação de Tatiane Polis com o prefeito Crespo era “forte”, que ele a conheceu no escritório de Renato Amary durante a campanha do prefeito, e ela atuaria com poderes de uma “Secretária de Governo” dentro da Administração Municipal. De acordo com o ex-secretário, Polis teria influência para remover funcionários que discordassem de suas ordens.

Segundo Eloy, Crespo teria insistido para que a empresa DGentil, com nome fantasia de Estação Primeira da Propaganda, pagasse um valor a Tatiane Polis. Primeiro, ele tentou que ela fosse contratada. A empresa se recusou, mas seu proprietário, Luís Navarro, aceitou a pagar a ela um valor de R$ 11 mil, por determinação de Crespo, para através do contrato de Publicidade que a agência tem com a Prefeitura, licitado em R$ 20 milhões. Ela seria voluntária na Secretaria de Comunicação.

De acordo com as denúncias, Tatiane Polis teria um ramal próprio no sexto andar da Prefeitura. Segundo Eloy, a ex-voluntária, de fato, nunca se desligou da Prefeitura.

O depoimento de Eloy foi dado à polícia como parte da operação Casa de Papel, que investiga seis crimes e a organização de uma organização criminosa dentro da Prefeitura de Sorocaba. Seu relacionamento com Tatiane Polis teria se deteriorado durante a crise do “diploma falso”. Em seu depoimento, Eloy afirmou que ele foi um dos secretários que aconselhou José Crespo a exonerar a antiga assessora. A decisão só foi tomada a pedido da própria Tatiane, segundo Eloy, após conversa com ele.

O caso do diploma culminou em uma comissão processante na Câmara de Sorocaba que afastou José Crespo do mandato em 2017. Ele voltou ao cargo 41 dias depois, por decisão da Justiça, devido a irregularidades no processo de votação da Comissão Processante.

Crespo: “jamais me submeteria ao submundo da corrupção”

O prefeito José Crespo postou um texto em sua página oficial no Facebook, nesta noite de terça-feira (16) defendendo-se das declarações do ex-secretário Eloy de Oliveira, feitas à Polícia Civil, sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo o nome do democrata e sua ‘voluntária’ Tatiane Polis.

Logo após postar seu texto de defesa, a página oficial de Crespo desapareceu misteriosamente. Segundo o texto de Crespo, as declarações feitas por Eloy à Polícia Civil “são levianas e mentirosas e notoriamente tem objetivo espúrio para atender interesses escusos”.

Crespo disse na nota oficial que tomou conhecimento da denúncia, por meio de veículos de comunicação, com “muita indignação e perplexidade”. “Falsas acusações feitas pelo ex-secretário […] que de forma leviana, teria afirmado em depoimento à Polícia Civil de que a ex-assessora recebeu a quantia de R$ 11 mil por mês e que supostamente esse pagamento seria feito por meio de uma agência de publicidade contratada pela prefeitura”.

O prefeito considerou ser “lamentável e repugnante” as declarações de Oliveira. Ele ainda refutou “ter recebido ou mandado qualquer pessoa realizar pagamentos ilícitos”. “Jamais me submeteria a entrar para o submundo da corrupção”.

Já no fim da nota, o prefeito diz ser “o maior interessado em esclarecer todas as acusações ventiladas na operação ‘Casa de Papel’” e que “não vai tolerar corrupção em seu governo”.

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