Informação e Credibilidade para Sorocaba e Região.

Políticos são o que mais preocupa como fonte de fake news, aponta pesquisa

Foto: reprodução
Postado em: 16/06/2020

Compartilhe esta notícia:

Nelson de Sá, FOLHAPRESS

Brasileiros, americanos, turcos, filipinos, sul-africanos. Estes são alguns dos que apontam para os políticos nacionais como a sua maior preocupação, quanto à origem e propagação de fake news, notícias falsas.


É o que constata o relatório deste ano do Instituto Reuters, da Universidade Oxford, sobre o consumo de jornalismo digital em 40 mercados.


Montado a partir de uma pesquisa YouGov realizada em janeiro e fevereiro, junto a 80 mil consumidores de notícias pela internet, o estudo vem se firmando como retrato de referência para o jornalismo global.


No ano passado, acrescentou a África do Sul, primeiro país do continente, e agora o Quênia, além das Filipinas, mas o seu foco maior ainda está na Europa, com 24 dos 40 mercados. Inclui Hong Kong, mas não a China toda.


Responsável principal pelo levantamento, Nic Newman, ex-BBC, evita comparações diretas entre os 40, dadas as diferenças de acesso digital e a concentração de parte das amostras em áreas urbanas, mas enfatiza os resultados sobre desinformação.


Na média global, 56% dos entrevistados se disseram preocupados com o que é verdadeiro ou falso nas notícias que leem. E isso foi antes de a pandemia do novo coronavírus tomar conta da cobertura mundial.


Vistos separadamente, a exemplo do que já mostrava o relatório do ano passado, os brasileiros são os mais preocupados com fake news (84%), o que é creditado ao uso mais disseminado e intenso que fazem de mídia social.


O país tem a característica, que divide com poucos, como a Malásia, de se preocupar mais com serviços de mensagem quando se trata de notícias falsas, no caso, WhatsApp, do que propriamente com o Facebook, citado na maioria dos demais.


Outro fator que influi na maior preocupação "é a natureza polarizada da política brasileira recente", afirma Newman. "De maneira geral, as pessoas se preocupam mais com desinformação em países onde há mais polarização, Brasil, Estados Unidos, Filipinas."


Mas o mais significativo do levantamento é a responsabilização de políticos –abrangendo também o governo e os partidos. Na média de todos os mercados, 40% se dizem mais preocupados com eles, quando se trata de desinformação; 14% apontam ativistas; 13%, os próprios jornalistas e veículos.


No Brasil, o percentual dos que se preocupam com as notícias falsas geradas por políticos chega a 50%. Nos EUA, 42%. Na Alemanha, só 25%.


"Brasil, EUA, Turquia, Filipinas, todos esses são países com líderes que têm a sua própria mídia social, fazem seu próprio barulho", afirma Newman.


Até a maneira como se expressam teria efeito sobre os consumidores de notícias. Sem nomear o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o pesquisador do Instituto Reuters diz que "políticos daí, você sabe, dizem algumas coisas em mídia social".


O estudo, com o avanço da pandemia, separou seis países (Alemanha, Argentina, Coreia do Sul, Espanha, EUA e Reino Unido) para uma pesquisa complementar três meses depois. Registrou aumento médio de 5% no consumo de notícias por televisão, e de 2%, online.


Também na média dos seis, constatou em abril uma confiança mais elevada em "cientistas e médicos" (83%) e "organizações globais de saúde" (73%) e mais baixa em "políticos individualmente" (35%). O "governo nacional" e as "organizações jornalísticas" ficaram no meio, ambos com 59%.

Compartilhe:

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Câmara rejeita projeto de Crespo que doava área de Hospital para servir de garagem

Coquetel de lançamento da Nova Coleção Verão 2019 Petit Poá

Lula "comemora" aparecimento do coronavírus: "Ainda bem que esse monstro veio"; Veja vídeo

Caminhão tomba e faixa da rodovia João Leme dos Santos precisa ser interditada

Doria diz que nunca mamou no BNDES, e Bolsonaro afirma que falou a realidade

Prefeitura de Sorocaba recebe doação 400 protetores faciais do IFSP