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PIB do Brasil cai 1,5% no 1º trimestre, início da pandemia, segundo IBGE

Arquivo / Agência Brasil
Postado em: 29/05/2020

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Nicola Pamplona e Eduardo Cucolo, da Folhapress

O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil caiu 1,5% no primeiro trimestre de 2020 na comparação com os três meses anteriores, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE. Essa é a maior queda desde a retração de 2,1% no segundo trimestre de 2015.

Em relação ao mesmo período de 2019, o PIB caiu 0,3%. No acumulado em 12 meses, houve expansão de 0,9%. 
Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam retração de 1,5% na comparação com o trimestre anterior e -0,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

O período foi marcado pelo início das medidas de distanciamento social no país, adotadas a partir da última quinzena do trimestre. Antes disso, a pandemia já impactava outros países, com reflexos também sobre a economia brasileira.

Com o fechamento de lojas, shoppings, bares e restaurantes, o setor de serviços, responsável por 65% do PIB brasileiro, recuou 1,6% no trimestre. Sem conseguir vender seus produtos, a indústria encolheu 1,4%, puxada pela queda na produção de automóveis e vestuário, por exemplo.

"Os serviços foram os mais afetados, como aconteceu outros países do mundo", afirmou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. Com serviços fechados e desemprego aumentando, as famílias reduziram seu consumo.

"É uma crise completamente diferente das anteriores", comentou ela, ressaltando que desta vez, há tanto choque de oferta quanto de demanda. No racionamento de 2001, por exemplo, houve choque de oferta de energia. Na recessão de 2014, choque de demanda pelo aumento de desemprego.

Com a queda no trimestre, o PIB brasileiro volta ao mesmo patamar do segundo trimestre de 2012 e está 4,2% menor do que o pico atingido no quarto trimestre de 2014, antes do início da recessão.

Palis lembrou que o isolamento social no exterior começou antes do que no Brasil e, já em fevereiro, afetava a indústria. "Pela questão dos insumos, a cadeia de produção já tinha sido prejudicada em fevereiro. O efeito da pandemia aconteceu antes em outros países, afetando a demanda externa pelos nossos produtos."

Entre as principais economias mundiais, a China foi a que registrou a maior queda no PIB trimestral, de 9,8%. 
O país asiático foi o primeiro foco do coronavírus. Na Zona do Euro, segundo foco da crise internacional, houve retração de 3,3%. Até mesmo a Suécia, país que não adotou o isolamento, viu o PIB encolher no período (-0,3%).

Países nos quais a circulação do vírus começou mais tarde, como o Brasil, foram menos atingidos economicamente. Nos EUA, o PIB recuou 1,2% no trimestre.

Segundo dados compilados pela OCDE, entre as 50 economias mais relevante, apenas duas registraram crescimento no trimestre. A Finlândia cresceu apenas 0,1%. O Chile avançou 3% no período, mas o resultado desse último se deve à base de comparação, pois a economia chilena teve o pior desempenho para o quarto trimestre de 2019 entre os países selecionados.

O PIB é uma medida da produção de bens e serviços do país em um determinado período, e o seu aumento é utilizado como sinônimo de crescimento da economia.

O Brasil vem de um período de três anos de fraco crescimento econômico. A expectativa dos analistas é que, no segundo trimestre deste ano, marcado por dois meses quase completos de isolamento social na maior parte do país, a economia apresente retração ainda maior.

A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE evitou projeções para o segundo trimestre, alegando que o instituto ainda não divulgou indicadores de produção e venda referentes ao período. A taxa de desemprego, divulgada nesta quinta (27), trouxe redução recorde no número de postos de trabalho no país.

"Temos que ver os dados mais para frente para saber como [a economia] vai se comportar", disse Palis. "Mas o mercado de trabalho não costuma se recuperar tão rápido", completou.

De acordo com análise publicada pelo economista Marcel Balassiano, da área de Economia Aplicada do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da FGV), 82% dos países acompanhados pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) devem apresentar desempenho melhor da economia do que o Brasil no biênio 2020/2021.

Segundo a Economist Intelligence Unit, o Brasil deve ser a economia mais afetada pela Covid-19 em uma amostra de 19 países, quando se compara a previsão para o PIB em 2020 antes e depois da pandemia.

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