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Para sobrinha, Ayrton Senna se manteria afastado da política se estivesse vivo

Postado em: 16/12/2018

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Julianne Cerasoli, UOL/FOLHAPRESS

A imagem de Ayrton Senna foi associada à campanha do presidente eleito Jair Bolsonaro durante o horário eleitoral, com o uso do Tema da Vitória, que foi criado pela Rede Globo para celebrar conquistas brasileiras na F-1, mas acabou ficando fortemente identificada com o tricampeão.

O caso gerou polêmica, uma vez que o Instituto Ayrton Senna, que promove iniciativas voltadas à educação, veio a público negar a autorização para que a imagem do piloto fosse usada na campanha. E, para a sobrinha de Ayrton, Bianca Senna, diretora de branding do Instituto, essa seria também a postura dele.

“Quando o Ayrton era vivo [o piloto morreu em maio de 1994], não estávamos em um momento muito bom no Brasil. Então, considerando o que ele fez naquela época e trazendo isso para os dias de hoje, acho que ele estaria fazendo o que minha mãe [Viviane Senna, irmã de Ayrton], está fazendo, ajudando o país a dar certo”, afirmou ao UOL Esporte.

Viviane, CEO do Instituto Ayrton Senna, e seu braço-direito Mozart Ramos, que é ex-Secretário da Educação de Pernambuco, se reuniram com a equipe de Jair Bolsonaro, mas a entidade negou qualquer participação direta no governo. Os encontros teriam sido para criar um diagnóstico da situação da educação no país, com foco na importância da alfabetização e da valorização dos professores. Segundo Bianca, a postura do IAS é trabalhar de forma independente do governo.

“E não existe apenas um jeito de se fazer isso, ou seja, não é preciso estar no governo para ajudar a mudar o país. A gente tem essa mania de achar que tudo é problema do governo mas, se o governo não consegue fazer tudo – o que é o normal – por que não ajudá-lo ao invés de ficar reclamando? Então acho que meu tio estaria fazendo um trabalho semelhante ao que o instituto faz hoje. Ajudamos as escolas públicas e todo o sistema educacional a dar certo”.

Em relação a esse trabalho, Bianca afirmou que, no geral, a aceitação do IAS tem sido boa no país. “É claro que há regiões em que há mais dificuldades porque não é só um partido que controla tudo, mas sinto que há um reconhecimento da situação em que nós estamos e de que a educação é o único jeito de resolver isso. Nesse sentido, estamos tendo muito mais oportunidades do que há 20 anos, quando as pessoas não tinham ideia de que a educação poderia impactar na economia e no futuro do país. Hoje se compreende melhor o impacto de uma educação ruim”.

O Instituto Ayrton Senna nasceu em 1994, seis meses após a morte do piloto, que tinha o projeto de criar uma entidade que ajudasse a melhorar a educação do Brasil. Hoje, com financiamento vindo de doações, recursos de licenciamento e parcerias com a iniciativa privada, o IAS tem presença em 17 estados e mais de 660 municípios, apoiando a formação de mais de 70 mil profissionais e tendo algum tipo de impacto na educação de mais de 1,9 milhão de alunos por ano.

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