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Ação assusta pelas pastas envolvidas; foco é a facilidade de se licitar com a Twenty

Postado em: 08/04/2019

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Por Gustavo Ferrari

A Operação ‘Casa de Papel’ assustou os servidores públicos municipais que chegaram para trabalhar no Palácio dos Tropeiros, na manhã desta segunda-feira (8). Muitos se viram impedidos de entrar nas próprias repartições.

O número de secretarias envolvidas nas diligências de busca e apreensão de documentos também impressionou os servidores. O chacoalhão policial atingiu o primeiro andar do Paço, colocando sob suspeita a Secretaria de Comunicação e Eventos (Secom), a Secretaria de Licitações e Contratos (Selc) e a Secretaria da Fazenda (Sefaz). Outra pasta investigada, a Secretaria de Cultura e Turismo (Secult), aloca-se no Chalé Francês, na Antiga Sorocabana, a charmosa estação da estrada de ferro.

O que todas as secretarias investigadas têm em comum? As licitações envolvendo a empresa Twenty, que também atende pelo nome fantasia de Selt, do empresário sorocabano Felipe Augusto Bismara. Cabe ressaltar, aqui, que ele chegou a ser preso no final dos anos 90 por envolvimento com a distribuição de drogas sintéticas, e foi processado pelo MP em meados de 2016, quando teria sido beneficiado em contratos com a Prefeitura de Sarapuí.

Ocorre que a Twenty é uma empresa faz-tudo na atual Administração Pública Municipal. Ela concorre e ganha licitações nas áreas de eventos, com o aluguel de tendas e estruturas para shows; aluguel de banheiros químicos para as feiras livres; arquibancadas e sistema de som para o Carnaval, além de ser a responsável pelo cardápio e refeições do gabinete do prefeito e operar serviços de fossa séptica e limpeza de esgoto à municipalidade.

A Secom, uma das investigadas na operação, tendo à frente o secretário Eloy de Oliveira, e a Secult, do secretário Werinton Kermes, solicitam as licitações à Selc, do secretário Hudson Moreno Zuliani, que prepara os editais. Conforme apura o Gaeco, o vício e direcionamento, explícito no âmbito das denúncias até o momento, contemplam o empresário Bismara, tornando o seu negócio altamente rentável (os aluguéis e os serviços terceirizados). O debruçamento em cima dos documentos foca na averiguação se houve ou não algum favorecimento nessas contratações.

Os empenhos recaem todos sobre a Sefaz, do secretário Marcelo Regalado. Com a checagem das notas emitidas e dos recibos de prestação dos serviços, os investigadores procuram um elo entre os supostos envolvidos. A Twenty tem mais de 500 empenhos com a Prefeitura desde 2017.

Até deflagar a ‘Casa de Papel’, tanto a Polícia Civil quanto o Gaeco colheram diversos depoimentos de servidores municipais, de carreira ou comissionados, assim como licitantes e ex-licitantes. Ao que tudo indica, o novelo de lã se desenrola com o que foi falado e denunciado, inclusive com robusta documentação apresentada às autoridades. O desfecho disso tudo será previsível?

Nota oficial

A Prefeitura de Sorocaba esclarece “que a operação da Polícia Civil e Ministério Público, que ocorreu nesta segunda-feira (8), acontece em caráter de investigação. A Prefeitura preza pela transparência em todos os seus processos e serviços e está colaborando com todas as informações solicitadas pelos órgãos investigativos. Todos os serviços públicos voltados à população foram restabelecidos e estão funcionando normalmente.”

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