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“O Cristal Encantado – A Era da Resistência” une legado de Jim Henson e tecnologia com perfeição

Postado em: 03/09/2019

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Erick Rodrigues

A contribuição do manipulador de bonecos e diretor Jim Henson para o gênero de fantasia, tanto no cinema quanto na televisão, é inestimável. Criador dos Muppets e da Vila Sésamo, ele foi responsável, na década de 80, pela construção de universos ricos e lúdicos, como nos filmes “O Cristal Encantado” e “Labirinto”. Agora, o trabalho de Henson volta a ter destaque e ganha um toque de modernidade, sem perder a essência.

A série “O Cristal Encantado – A Era da Resistência”, disponível na plataforma de streaming Netflix, resgata o clássico mundo criado pelo diretor, valorizando a manipulação de marionetes, a marca de Henson, e inserindo a tecnologia, através da computação gráfica, criando uma história vibrante, capaz de conquistar novos públicos e trazer de volta a criança que existe dentro dos adultos que, lá atrás, acompanharam esse universo.

Em dez episódios, a série mostra a saga dos Gelfings, povo pacífico e submisso aos Skeksis, criaturas que guardam o Cristal da Verdade, artefato diretamente ligado ao equilíbrio de todas os seres que vivem em Thra. Eles enganam Aughra (voz de Donna Kimball), a guardiã do cristal, que embarca em uma viagem astral acreditando que os Skeksis vão proteger a integridade da pedra.

Anos depois, a ação dos Skeksis, que se fortalecem com os poderes do cristal, acaba corrompendo o artefato e, consequentemente, provoca efeitos em Thra. O enfraquecimento da terra e das criaturas que vivem lá permitem que a Escuridão ganhe força e espaço naquele mundo. Enquanto isso, os Skeksis descobrem que os Gelfings podem ser uma boa fonte de energia, que poderia ajudá-los a conquistar a vida eterna.

Com a anuência do Imperador (voz de Jason Isaacs), o Cientista (voz de Mark Hamill) cria uma máquina que suga a essência dos Gelfings. A primeira experiência é feita com Mira (voz de Alicia Vikander), mas o plano é descoberto por Rian (voz de Taron Egerton), que tenta avisar os demais Gelfings sobre os planos dos Skeksis, que passam uma imagem de benevolentes e protetores.

Fugindo das mentiras criadas pelos inimigos, Rian inicia uma jornada para provar que os Skeksis estão sugando a essência de Gelfings e destruindo Thra. Nesse caminho, ele encontra Deet (voz de Nathalie Emmanuel), que faz parte de outro clã de Gelfings e viaja para alertar o povo que a Escuridão está ganhando força. Rian também tem sua trajetória unida a Brea (Anya Taylor-Joy), uma princesa desajustada que sempre contraria a mãe Gran Maudra (voz de Helena Bonham Carter), a governante dos Gelfings, e insiste na teoria de que o governo dos Skeksis é nocivo a Thra.

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Divulgação

Criada a partir do filme “O Cristal Encantado”, de 1982, a série “A Era da Resistência” serve como um prólogo da trama criada por Jim Henson. Mesmo em uma realidade onde os recursos tecnológicos são supervalorizados, a equipe de produção sustentou que os episódios deveriam fazer jus ao legado do original, utilizando, inclusive, a arte da manipulação de marionetes para contar essa história. Ambiciosa, essa escolha não poderia ter sido mais acertada. O resultado final é arrebatador e de uma beleza que nenhuma animação seria capaz de atingir.

O uso da manipulação de bonecos traz para “O Cristal Encantado – A Era da Resistência” um sentimento de nostalgia, para quem teve contato com as histórias de Henson na década de 80, e, ao mesmo tempo, empresta uma humanidade à história que as animações, por mais modernas que sejam, ainda não conseguem atingir. A The Jim Henson Company, que continua o legado do diretor, já falecido, tem um cuidado especial com os movimentos das marionetes e, também, com a construção dos cenários, deixando apenas detalhes para a computação gráfica.

Além do deleite com as técnicas utilizadas, a série também apresenta uma trama interessante, que usa a fantasia como alegoria para a transmissão de várias mensagens importantes, como o valor e a força da verdade; o respeito às diferenças; a união de povos afastados por tradições e governantes; e a preservação do mundo em que vivemos, ainda que interesses de um grupo tentem acabar com esse equilíbrio. Tudo isso é abordado dentro de uma clássica de saga de heróis tentando derrotar o mal, construída por um roteiro que não subestima o público infantil e também não exclui os adultos, que se divertem da mesma forma.

É preciso destacar o trabalho impecável dos marionetistas, que manipulam os bonecos e conseguem transmitir a humanidade daqueles personagens. O desempenho deles se une aos dubladores, um elenco de peso encabeçado por Mark Hamill, Taron Egerton, Helena Bonham Carter, Simon Pegg, Lena Headey e muitos outros.

“O Cristal Encantado – A Era da Resistência” é uma saga épica criada a partir do equilíbrio perfeito entre a tradição da arte das marionetes e a computação gráfica sem exageros. Com uma fantasia divertida de acompanhar e respeitando o legado de Jim Henson, a série apresenta um universo lúdico para uma nova geração e faz a alegria de espectadores que, assim como eu, cresceram acompanhando histórias como essa.

O CRISTAL ENCANTADO – A ERA DA RESISTÊNCIA (primeira temporada)

ONDE: Netflix (todos os episódios disponíveis)

COTAÇÃO: ★★★★ (ótimo)

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